Obras completas de Luis de Camões, correctas e emendadas pelo cuidado e diligencia de J. V. Barreto Feio e J.G. Monteiro ...: Vida de Luis de Camões. Sonetos. Eclogas. Canções. Odes

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Passagens conhecidas

Página 129 - A formosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros; O manso caminhar destes ribeiros Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do Sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos ofrece, Me está, se não te vejo, magoando.
Página 10 - Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida, descontente, Repousa lá no Céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, Memória desta vida se consente, Não te esqueças daquele amor ardente Que já nos olhos meus tão puro viste.
Página xliv - Que d' hum fio pendia tão delgado ; Que não menos milagre foi salvar-se, Que para o Rei Judaico accrescentar-se. LXXXI. E ainda , Nymphas minhas , não bastava , Que tamanhas miserias me cercassem ; Senão que aquelles , que eu cantando andava , Tal premio de meus versos me tornassem...
Página 96 - Às portas da cobiça e da vileza; Cá neste escuro caos de confusão, Cumprindo o curso estou da natureza.
Página 65 - Que inda a longa memória que me alcança, Me não deixa de vós fazer mudança, Mas quanto mais me alongo mais me achego. Bem poderá...
Página 124 - Co' a vida acabarão, pois a ventura Me roubou n'hum momento aquella gloria, Que, quando tão grande he, tão pouco dura. Oh se apoz o prazer fora a memoria! Ao menos estivera a alma segura De ganhar-se com ella mais victoria. CCLIX Formosos olhos, que cuidado dais A mesma luz do sol mais clara c pura; Que sua esclarecida formosura.
Página 317 - A vida, o sol ardente, as águas frias, Os ares grossos, férvidos e feios, Mas os meus pensamentos, que são meios Para enganar a própria natureza. Também vi contra mim, Trazendo-me à memória Alguma já passada e breve glória Que eu já no mundo vi, quando vivi, Por me dobrar dos males a aspereza, Por mostrar-me que havia No mundo muitas horas de alegria.
Página 319 - Estais, que cá tão longe de alegria Me sustentais com doce fingimento! Logo que vos figura o pensamento, Foge todo o trabalho e toda a pena. Só com vossas lembranças Me acho seguro e forte Contra o rosto feroz da fera morte...
Página 299 - Mas a mor alegria que daqui levar posso, com a qual defender-me triste espero, é que nunca sentia no tempo que fui vosso quererdes-me vós quanto vos eu quero; porque o tormento fero de vosso apartamento não vos dará tal pena como a que me condena: que mais sentirei vosso sentimento, que o que a minha alma sente.
Página 40 - Presença moderada e graciosa, Onde ensinando estão despejo e siso Que se pode por arte e por aviso, Como por natureza, ser fermosa ; Fala de quem a morte...

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