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"A Imenfeixada

PÓS a publicação do nosso estudo prensa Periodica de São Paulo" no volume XIX da "Revista do Instituto Historico", tivemos opportunidade de registrar novos informes, resultantes de posteriores investigações que, si não corrigem, certamente ampliam e completam noticias daquelle estudo; dahi a resolução nossa de inserir taes informes nas columnas da mesma "Revista" que deu acolhida a "A Imprensa".

"Notas á Margem" chama-se esse punhado de informações porque, realmente, esta nova publicação sobre os jornaes paulistanos será apenas a transcripção das notas que paulatinamente iamos traçando ás margens do exemplar d"A Imprensa Perio

dica de São Paulo" que, por memoria desse nosso trabalho, con servamos nas estantes de nossa Bibliotheca.

Comecemos:

O OBSERVADOR PAULISTANO

Ao que escreve

mos sobre este periodico, ás paginas 70-73 da "A Imprensa" acompanhadas de um fac-simile, d'"O Observador"

anno V, de terça-feira, 19 de Abril de 1824, acostamos a seguinte nota:

Feijó redigiu tambem "O Observador", mas o principal redactor foi sempre o dr. Manoel Joaquim do Amaral Gurgel, conego e, posteriormente, director da Academia de São Paulo. O primitivo titulo do jornal era "O Observador das Galerias" e o seu primeiro numero distribuido a 19 de Janeiro de 1838. Encerrada a sessão desse anno da Assembléa Provincial, passou o periodico a denominar-se, do seu n.o 34, distribuido a 18 de maio daquelle anno, em diante, "O Observador Paulistano", titulo que conservou até seu desapparecimento, com a distribuição do n.o 439 em 2 de Maio de 1842.

Collaboraram por algum tempo n""O Observador", em 1838, os bachareis Daniel Augusto Machado e Agostinho José d'Oliveira Machado.

O NOTICIADOR

Semanario liberal, de combate, fundado e redigido pelo fogoso orador e politico dr. Gabriel José Rodrigues dos Santos até 28 de Agosto de 1840 em que assumindo o cargo de secretario do governo provincial deixou a redacção do jornal, segundo se verifica da seguinte declaração inserta na edição daquella data:

"Declaração - O abaixo assignado, tendo largado a parte que tinha na redacção do "Noticiador", julga conveniente fazer esta declaração; e aproveita esta occasião para agradecer os testemunhos de benevolencia que lhe manifestaram os assignantes desta folha. São Paulo, 28 de Agosto de 1840. briel José Rodrigues dos Santos".

Dr. Ga

Com a retirada do dr. Gabriel, da redacção, passou esta a cargo do dr. Joaquim Antonio Pinto Junior, outro jornalista de pulso e que contou sempre, não só com a collaboração, do jovem secretario da Provincia como dos padres Amaral Gurgel e Feijó.

O Noticiador cessou de circular a 17 de Novembro de 1840, tendo iniciado sua publicação a 20 de Maio de 1838.

No seu ultimo numero do mez de Agosto "O Noticiador" inseriu, enviada da Côrte pelo seu correspondente alli, a narrativa dos prodromos da declaração da maioridade, uma das mais brilhantes e, por certo, mais minuciosa que tem vindo a publico sobre o assumpto: transcrevendo-a, na integra, julgamos prestar serviço relevante aos estudiosos da nossa historia politica.

"Amigo, diz o correspondente d'"O Noticiador", vou lhe contar miudadamente os successos dos dias 22 e 23. Nesta exposição achará desalinho; porém muita verdade; porque como testemunha occular sei tudo quanto se passou.

O povo se hia todos os dias persuadindo, que ɔ imperio se dissolvia debaixo da pessima administração que o guiava, e pouco a pouco eu me fui convencendo disto. A guerra do Sul se eternisava, as revoltas se reproduzião por todas as partes, os dinheiros publicos se dissipavão, a divida recrescia, a bancarôta se approximava, todas as ambições se desencadeavão, o paiz perdia a moralidade, e a discordia civil levantava o collo petulante, no meio da publica desordem, e isto a ponto tal, que os homens mais corajosos e bem intencionados ião desacoroçoando do futuro do paiz.

Neste estado de coisas os meus amigos propuzerão no senado a lei de maioridade; esposei a causa da maioridade, e ao depois, quanto mais a examinava, tanto mais a achava justa, patriotica, salvadora; o paiz precisava de um governo de prestigio, o

da regencia era despresado, e para arrastar uma exis tencia miseravel, mister lhe erão diarias, e vergonhosas transações com os membros da camara dos deputados, que exercitavão a mais immoral oligarchia.

A lei proposta no senado sobre a maioridade, foi regeitada sem discussão. Os deputados que não querião a maioridade, propuzerão na camara uma lei, que aparentando promover, e apressar a maioridade, de facto a impossibilitava, ou a addiava para longo tempo; este projecto foi pelo meu lado bem combatido; seu dono o retirou, e nós supposemos por alguns momentos, que ia-mos triumphar, assim não aconteceu, porque o malicioso governo, que não queria perder o mando lançou mão de todas as trapassas parlamentares para impedir a realisação do anhelo nacional, então já fortemente pronunciado.

O campo da discussão era fatal ao governo, porque a opposição batia aos seus oradores da maneira a mais victoriosa; e o recurso da votação seria para o governo a sentença de sua morte, pois tendo principiado a opposição com 12 deputados em 37, estava em maioria agora.

O governo cego de ambição, nem reconhecia a vontade publica, nem se atrevia a imitar o desinteresse de Feijó; e para perpetuar-se no mando chamou a Vasconcellos para a pasta do imperio; este homem perfido fez o plano de um golpe de estado. resolveu que o tutor do Imperador seria demittido, e que o Congonhas do Campo levaria o Sr. D. Pedro II para Santa Cruz; que a camara dos deputados, ou a assembléa geral fosse addiada, que 7 deputados, e 4 senadores fossem presos, e mandado para fóra do imperio. Com isto contava o Vasconcellos perpetuar a minoridade do Imperador, livrar-se de seus antagonistas, e perpetuar-se no poder.

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