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ANNO

FACTO

FUNDAMENTO

1555 Morte de sua mulher Dona Briolan- | Vida por Dom Gonçalo Coutinho.ja de Azevedo, por ventura, de des- Soneto xxvI de Sá de Miranda. gosto pela morte do primeiro filho. 1558 Morre Sá de Miranda, com sessenta e tres annos de edade.

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Vida, por Dom Gonçalo Coutinho.

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p. 130

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1595 Obras do celebrado luzitano, etc.

1614

(com a vida anonyma.)

1622 Comedias, (com as de Ferreira.)

1626 Satyras (edição das Cartas.) 1632 Obras (repetição da de 1614.)

1651

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Coimbra, por Antonio Mariz.

In-12.

>

João Barreira.

In-12.

Lisboa,

Manoel de Lyra.

In-4."

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Lisboa, Paulo Crasbaeeck.

(Citada por Inn. Dicc. t. ix, p. 371.)
Lisboa, á custa de Antonio Leite.
typ. Rollandiana.
impressão regia.

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LIVRO II

ESCHOLA DE SÅ DE MIRANDA

A grande probidade que se descobre em todos os actos da vida de Sá de Miranda, foi tambem o ideal que procurou realisar nas suas creações artisticas. Quando voltou da Italia, vinha aturdido por essa dissolução dos costumes que deram causa á Reforma, e deslumbrado ao mesmo tempo pelo genio fecundo da Renascença paga. A existencia lugubre da sociedade portugueza desgostou-o; ainda se usava na côrte as tristes esparsas, os motes semsabores. Faltava em roda d'elle uma pleiada de improvisadores, como os que poetaram nos serões de Dom Manoel, esse Dom João de Menezes, o Camareiro Mór, os Silveiras, Garcia de Resende, e outros muitos; «eram idos os bons tempos.» As

primeiras poesias que escreveu eram ditadas pela saudade do passado; o fausto das côrtes italianas fazia-lhe sentir o vasio do paço, a falta geral de gosto e actividade artistica, e ao mesmo tempo tornava-lhe mais luminosas as impressões do tempo em que trovara com os fidalgos do Cancioneiro. Os seus versos em que lamenta a falta de encendimento, e pergunta que é feito dos serões de Portugal, immediatamente agruparam em volta d'elle outros poetas que estavam assombrados com as novas formas da litteratura italiana e se não atreviam a romper com a degenarada tradição provençal. O Infante Dom Luiz amava a Italia, e de lá mandava vir architectos; a tentativa de Sá de Miranda foi tambem ensaiada por elle. Não faltaram maliciosos sorrisos dos velhos adeptos da Poetica de Juan del Encina; não se riam do subjectivismo de Petrarcha, mas atacavam o endecasyllabo como estrangeiro e prosaico; quizeram confundir o verso novo com as ideias novas da Reforma. As poesias de Sá de Miranda ficaram ineditas até muito depois da sua morte; mas a influencia que ellas não poderam por este motivo exercer nos poetas portuguezes, foi substituida pela mais franca e ingenua sympathia da parte dos mancebos, como Ferreira, Bernardes, Caminha, Jorge de Monte-Mór, Dom Manoel de Portugal e outros muitos, que se lhe associaram. Renovavam assim a convivencia dos tempos classicos.

Como não eram estreitas, sinceras aquellas amisades litterarias que encontramos na antiguidade roma

na! O prazer da publicação resumia-se todo em uma leitura ad sodales; a obra tinha um certo recato, mostrava-se só aos que estavam na intimidade, como uma reliquia veneranda, que só podia ser tocada pelos sacerdotes da mesma religião da arte. Cada pagina que se ia lendo era mais um segredo da alma que a amisade descobria; é assim o extremo de Ovidio por Tibullo, de Horacio e Virgilio, e entre toda a pleiada de lyricos, que recitavam seus carmes amorosos ao murmurio cicioso das fontes do jardim de Tibur. A anciedade da gloria levava-os a procurar um auditorio mais amplo; Lucano, o grande poeta da Pharsalia, conspira contra Nero, porque o imperador despeitado com o triumpho que elle alcançára em um certame poetico, prohibira-lhe recitar os seus versos em publico. Era um tormento moral mais doloroso do que todas as sevicias da carne. Que transporte de alegria, que jubilo indizivel nas lagrimas choradas em uma assembleia, em que Stacio recitava a sua Thebaida! Voltaram-se todos para ver quem interrompia a magia suave d'aquelles numeros: era a mulher do poeta, prostrada de admiração ante o seu marido, e não podendo conter em si já tantas emoções, tantos sentimentos, que o enthusiasmo da turba, a harmonia das palavras, a expressão olympica da fronte do cantor lhe despertaram a um tempo na alma.

Este thema eterno do amor tornou universal a eschola petrarchista italiana; tambem o amor pelo cara

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