Os Lusiadas: poema epico de Luis de Camões

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J.P. Aillaud, 1823 - 377 páginas
 

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Passagens conhecidas

Página 114 - As filhas do Mondego a morte escura Longo tempo chorando memoraram; E, por memoria eterna, em fonte pura As lagrimas choradas transformaram: O nome lhe puzeram, que inda dura, Dos amores de Ignez, que ali passaram. Vêde que fresca fonte rega as flores, Que lagrimas são a agua eo nome amores.
Página 344 - Juno, fomos fabulosos, Fingidos de mortal, e cego engano : Só para fazer versos deleitosos Servimos...
Página 109 - Nos saudosos campos do Mondego, De teus formosos olhos nunca enxuto. Aos montes ensinando e às ervinhas O nome que no peito escrito tinhas. Do teu Príncipe ali te respondiam As lembranças que na alma lhe moravam, Que sempre ante seus olhos te traziam, Quando dos teus formosos se apartavam; De noite, em doces sonhos que mentiam, De dia, em pensamentos que voavam.
Página 159 - Vi claramente visto o lume vivo, Que a maritima gente tem por santo Em tempo de tormenta, e vento esquivo De tempestade escura, e triste pranto. Não menos foi a todos excessivo Milagre, e cousa certo de alto espanto, Ver as nuvens do mar com largo cano Sorver as altas aguas do Oceano.
Página 208 - LXIV Dos cavallos o estrepito parece, Que faz que o chão debaixo todo treme: O coração no peito, que estremece De quem os olha, se alvoroça e teme: Qual do cavallo voa, que não dece; Qual co'o cavallo em terra dando, geme; Qual vermelhas as armas faz de brancas; Qual co'os pennachos do elmo açouta as ancas.
Página 362 - Olha em Ceilão, que o monte se alevanta Tanto, que as nuvens passa, ou a vista engana: Os naturaes o tem por cousa santa, Pela pedra onde está a pégada humana.
Página 366 - Olhai que ledos vão, por várias vias, Quais rompentes leões e bravos touros, Dando os corpos a fomes e vigias, A ferro, a fogo, a setas e pelouros, A quentes regiões, a plagas frias, A golpes de idolatras e de mouros, * A perigos incógnitos do mundo, A naufrágios, a peixes, ao profundo.
Página 166 - Ó Potestade (disse) sublimada: Que ameaço divino ou que segredo Este clima e este mar nos apresenta, Que mor cousa parece que tormenta?" Não acabava, quando uma figura Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura; O rosto carregado, a barba esquálida, Os olhos encovados, ea postura Medonha e má ea cor terrena e pálida; Cheios de terra e crespos os cabelos, A boca negra, os dentes amarelos.
Página 147 - Õ doce e amado esposo, Sem quem não quis Amor que viver possa, Porque is aventurar ao mar iroso Essa vida que é minha e não é vossa ? Como, por um caminho duvidoso, Vos esquece a afeição tão doce nossa ? Nosso amor, nosso vão contentamento, Quereis que com as velas leve o vento...
Página 167 - Sabe que quantas naus esta viagem Que tu fazes, fizerem, de atrevidas, Inimiga terão esta paragem, Com ventos e tormentas desmedidas! E da primeira armada que passagem Fizer por estas ondas insofridas, Eu farei de improviso tal castigo Que seja mor o dano que o perigo!

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