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esta legenda: Martim Affonso de Sousa. copiado de uma lithographia do chamado livro dos Brancos», existente na Bybliotheca Nacional de Lisboa. E' o retrato que aqui apresentamos deste notavel governador da India e fundador da Capitania de S. Vicente, no Brazil ».

Si o editor da óbra ilustrada de Pinheiro Chagas tivesse conhecimento desse outro retrato de Gôa, cuja reproducção se vê nessa rara edição dos Luziadas, com certesa o teria publicado por ser, nào uma lithographia, mas gravura primitiva, como se verifica pelo cliché.

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Varnhagem bem sabia disso e foi por essa asão que elle fez questão e disse que, foi obrigado o lançar mão dessa primeira lithographie, por não lhe ter chegado a cópia, que esperava da Capital dos Estados Portuguez-s da India.

Martim Affonso de Souza logo que aportou a S. Vicente, a 22 de Janeiro de 1532, e depois de ter fundado a sua primeira povoação, nessa localidade, tratou de percorrer o litoral do sul que logo iria fazer parte da sua extensa Capitania.

Após a sua volta de Piratininga onde se achou a 10 de Outubro de 1532 e onde permaneceu tres mezes com seu sequito, assignando, ali, as sesmarias de Ruy Pinto, cujas escripturas foram passadas pelo seu escrivào particular Pedro Capico, como consta desse mesmo documento, e depois de ter designado o local, na collina do Tamanduátéhy, onde deveria ter assento a sua segunda povoação, proximo a aldeia de Tibiriçá, egundo referem as << Cartas do Padre Nobrega », (*) é que o Donatario de posse legal das doações que lhe haviam sido feitas por D. João III, trasidos na fróta de João de Souza, vai de novo ao litoral do sul, em Dezembro de 1552 e designa, em Itanhaen, o local da sua terceira povoação, que mais tarde deveria ser a séde das << cem legoas de sua extensa Capitania », conforme relatam os historiadores e chronistas. (Vid. « Quadro Historico da Provincia de S. Paulo » de Machado de Oliveira ).

Martim Affonso antes de partir de Lisbôa para as possessões portuguezas da India, não esqueceu a sua povoação de Itanhaen.

Reza a tradição que a sagrada Imagem de N. S. da Conceição, que se venerou na primitiva Aldeia de Itanhaen (Abarébebê) e a qual foi depois trasladada (1761) para a Matriz da respectiva Villa, föra mandada de Portugal, em 1544, por Martim Affonso de Souza, antes da sua partida para as Indias. De volta á Côrte de Lisbôa o Donatario, conforme se verifica desta « Biographia », não se esqueceu das suas tres povoações, na Capitania de S. Vicente.

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Em 5 de Setembro de 1558 Martim Affonso concede, em Lisboa, o fôral de Villa a sua colonia de Piratininga, já

(*) Vid Villa de Santo André da Borda da Campo e a primitiva povoação de Piratininga, por B. Calixto, Revista do Hist. Hist. e Geographico de S. Panlo, volumes XIV e XV.

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povoada e conhecida com o nome de São Paulo, pelos benemeritos e intrepidos missionarios jesuitas que ali se haviam estabelecidos em 1554.

Nessa mesma época isto é dois annos depois, o Donatario concede igual fôral a povoação de Itanhaen, com titulo de Villa de N. S. da Conceição.

Esse predicamento de Villa e instituição do Senado da Camara em Itanhaen teve logar em 1561, sendo seu primeiro Capitão-mór Francisco de Moraes Barreto, conforme se verifica no << Catalogo dos Capitãens Governadores da Capitania de Itanhaen» existente no Archivo dessa Camara.

Gabriel Soares de Souza, contemporaneo de Martim Affonso de Souza, e cognominado o pai da historia do Brazil - por ter estado neste paiz e ter sido um dos historiadores do seculo XVI que mais minuciosamente descreve os factos occorridos nessa primeira época, ao referir-se á Capitania de Martim Affonso diz que antes desse donatario voltar para Europa, depois de ter feito as pazes com o gentio, com os quaesteve aliás pouco trabalho », e (após a fundação da povoação de Piratininga,) acabou de fortificar a Villa de S. Vicente e da Conceição ».

O que o historiador diz Villa da Conceição entende--se simplesmente por povoação, pois que o fôral ou provisão de villa só foi dado pelo donatario muito depois, como já ficou dito.

O incontestavel é que Martim Affonso, temendo algum ataque por parte dos castelhanos e carijós de Cananéa e Iguape, cujas hostilidades elle já havia experimentado, não podia deixar de tomar suas precauções em defesa da sua colonia, mandando fortificar as suas duas povoações do littoral e principalmente a de Itanhaen, que éra considerada um posto avançado, com bôas disposições estrategicas, como adeante se demonstrará.

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