Parnaso Lusitano: ou, Poesias selectas dos auctores portuguezes antigos e modernos, illustradas com notas. Precedido de uma historia abreviada da lingua e poesia portugueza, Volume 1,Parte 2

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J. P. Aillaud, 1826
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Passagens conhecidas

Página 188 - E indo a dizer o mais, cai num desmaio. Perde o lume dos olhos, pasma e treme, Pálida a cor, o aspecto moribundo; Com mão já sem vigor, soltando o leme, Entre as salsas escumas desce ao fundo. Mas na onda do mar, que, irado, freme, Tornando a aparecer desde o profundo, — Ah! Diogo cruel!
Página 187 - Tão dura ingratidão menos sentira, E esse fado cruel doce me fora, Se a meu despeito triunfar não vira Essa indigna, essa infame, essa traidora: Por serva, por escrava te seguira, Se não temera de chamar senhora A vil Paraguaçu, que, sem que o creia, Sobre ser-me inferior, é néscia e feia.
Página 199 - Parte do antigo bosque, escuro, e negro, Onde ao pé de uma lapa cavernosa Cobre uma rouca fonte, que murmura, Curva latada de jasmins, e rosas. Este lugar delicioso, e triste, Cansada de viver, tinha escolhido Para morrer a mísera Lindóia.
Página 197 - Traz comsigo os selvagens da montanha Que comem os seus mortos; nem consentem Que jamais lhes esconda a dura terra No seu avaro seio o frio corpo Do doce pae, ou suspirado amigo.
Página 195 - Crueis ministros ! encobri ao menos A funesta noticia. Ai ! que já sabe A assustada, amantissima Lindoya O successo infeliz ! Quem a soccorre? !... Que, aborrecida de viver, procura Todos os meios de encontrar a morte. Nem quer que o esposo longamente a espere No reino escuro, aonde se não ama.
Página 187 - Barbaro, a bella diz, tigre e não homem. Porém o tigre, por cruel que brame, Acha forças amor, que em fim o domem; Só a ti não domou, por mais que eu te ame: Furias, raios, coriscos, que o ar consomem, Como não consumis aquelle infame? Mas pagar tanto amor com tedio e asco . . . Ah que o corisco és tu ... raio . . . penhasco . Bem pudéras, cruel, ter sido esquivo, Quando eu a fé rendia ao teu engano; Nem me offendêras a escutar-me altivo, Que é favor, dado a tempo, um desengano: Porém...
Página 200 - Pelo dente sutil o brando peito. Os olhos, em que Amor reinava, um dia, Cheios de morte; e muda aquela língua, Que ao surdo vento, e aos ecos tantas vezes Contou a larga história de seus males.
Página 187 - Com fazer-te a meus rogos sempre humano. Fugiste-me, traidor, e desta sorte Paga meu fino amor tão crua morte?
Página 186 - Entre as ondas com ancia furiosa Nadando, o esposo pelo mar seguiam, E nem tanta agua que fluctua vaga, O ardor que o peito tem, banhando, apaga.
Página 191 - À fortuna de Europa; agora é tempo, Que descuidados da outra parte dormem. Envolve em fogo e fumo o campo, e paguem O teu sangue eo meu sangue.

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