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-O Infante Dom Luiz (1506-
1556)...

-Affonso Alvares (1522).

- Antonio Ribeiro Chiado (1542-
1591)....

-Jeronymo Ribeiro (1544)...

—Luiz de Camões (1539-1555).

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.....

PAG

201

208

226

233

240

CAPITULO V
CAPITULO VI Antonio Prestes (1530).. 257
CAPITULO VII -Jorge Pinto (1516-1522).... 268
CAPITULO VIII —Anrique Lopes (1539-1587)..

274

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A contar do seculo XVI, com o predominio da so

ciedade burgueza, as creações artisticas receberam uma alteração profunda na sua ordem de concepção; o desdobramento natural: epopea, lyrismo e drama, inverte-se de ora em diante por influencia da renovação social. A poesia dramatica, que até aqui tinha sido uma forma accidental da arte, torna-se a principal manifestação do genio popular; a Inglaterra, a Hespanha e a Italia levantam o admiravel e riquissimo theatro europeu. A poesia epica, que fôra a principio a obra em que trabalhava uma nação inteira, perdeu o seu caracter de generalidade anonyma, desnaturou-se, ficou privativa das Academias. A poesia lyrica, com os sentimentos e paixões de uma sociedade nova, tornou-se mais ampla e individual. É por isso que entrando no periodo da historia da Litteratura portugueza no seculo XVI, começamos pelo theatro nacional, que bem poderamos intitular Vida de Gil Vicente, e sua Eschola.

VIII

Apoz este volume seguir-se-ha o estudo da poesia lyrica, tomando como centro da nova elaboração poetica Sá de Miranda; n'esse livro trataremos particularmente do theatro classico, não só como um resultado da influencia italiana, mas porque sendo um trabalho de erudição academica e sem condições scenicas, em nada revela a vida nacional.

HISTORIA

DO THEATRO

PORTUGUEZ

LIVRO I

PERIODO HIERATICO-POPULAR

As creações dramaticas são a expressão do caracter de um povo e da sua liberdade; ellas têm por criterio a natureza e a simplicidade, e tornam-se por isso, como disse Shakspeare, the form and pressure of the times. A verdadeira originalidade está no genio da raça, que se mostra, apezar de todas as influencias da civilisação. O theatro hespanhol e o inglez apresentam na sua riqueza genial a integridade de duas raças, não confundidas nem amalgamadas nas commoções politicas; as suas creações são as legendas e os sentimentos nacionaes, em toda a simples e natural efflorescencia. Depois de reunidos os factos que constituem a historia do

theatro portuguez, tornou-se por si evidente uma bem triste conclusão: que a arte dramatica entre nós nada tem de nacional, porque circumstancias invenciveis não deixaram que o povo portuguez conhecesse o theatro. O povo portuguez é formado por esta grande e fecunda raça mosarabe, atrophiada na crença religiosa pelo catholicismo, na autonomia juridica pelo civilismo dos romanistas, na independencia politica pelo cesarismo monarchico, e nas creações poeticas pela imitação da lingua e dos modellos classicos.

Barraram-lhe todos os meios de manifestação intellectual: com a reforma dos Foraes, no tempo de Dom Manoel, ficou o povo reduzido até hoje á condição de colono; com a inquisição, do governo de Dom João III, perdeu a alegria e ficou um povo soturno, acostumado a espectaculos de morte. N'este lamentavel estado, como teria o povo portuguez esse riso expansivo da burguezia do seculo XVI, que inventou por toda a parte o theatro?

O elemento aristocratico ou leonez, que predomina. na raça portugueza, vivia na ociosidade da côrte, dilapidando o que o mosarabe arrancava do sólo com trabalho; para esse a Arte nada tinha de vital, era um passatempo dado por occasião das festas reaes, e uma moda seguida nas côrtes da Europa, que os nossos monarchas imitaram tambem. Pela sua parte o povo, vexado pelo fisco, pela emphyteose manoelina, pelos dizimos, pelos exercitos permanentes, pelas ordens mendicantes, pela desigualdade das classes, pelo fanatismo

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