Obras completas de Luis de Camões, correctas e emendadas pelo cuidado e diligencia de J. V. Barreto Feio e J.G. Monteiro ...: Vida de Luis de Camões. Sonetos. Eclogas. Canções. Odes

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Passagens conhecidas

Página 135 - A formosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros; O manso caminhar destes ribeiros Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do Sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos ofrece, Me está, se não te vejo, magoando.
Página 10 - Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida, descontente, Repousa lá no Céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no assento etéreo, onde subiste, Memória desta vida se consente, Não te esqueças daquele amor ardente Que já nos olhos meus tão puro viste.
Página 15 - Que a ela só por prémio pretendia. Os dias na esperança de um só dia Passava, contentando-se com vê-la: Porém o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe deu a Lia. Vendo o triste pastor que com enganos Assi lhe era negada a sua pastora...
Página 98 - Às portas da cobiça e da vileza; Cá neste escuro caos de confusão, Cumprindo o curso estou da natureza.
Página 67 - Que inda a longa memória que me alcança, Me não deixa de vós fazer mudança, Mas quanto mais me alongo mais me achego. Bem poderá...
Página 329 - A vida, o sol ardente, as águas frias, Os ares grossos, férvidos e feios, Mas os meus pensamentos, que são meios Para enganar a própria natureza. Também vi contra mim, Trazendo-me à memória Alguma já passada e breve glória Que eu já no mundo vi, quando vivi, Por me dobrar dos males a aspereza, Por mostrar-me que havia No mundo muitas horas de alegria.
Página 29 - Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve, as saudades.
Página 40 - Debaixo de ouro e neve cdr de rosa; Presença moderada e graciosa, Onde ensinando estão despejo e siso Que se póde por arte e por aviso, Como por natureza, ser formosa; Falla de que ou ja vida, ou morte pende. Rara e suave, em fim, Senhora, vossa, Repouso na alegria comedido; Estas as armas são com que me rende E me captiva Amor; mas não que possa Despojar-me da gloria de rendido. LXXIX. Bem sei, Amor, que he certo o que receio; Mas tu, porque com isso mais te apuras, De manhoso mo negas...
Página 39 - Com huma rara e angelica figura A vista da razão me salteava. Eu crendo que o lugar me defendia De seu livre costume, não sabendo Que nenhum confiado lhe fugia ; Deixei-me captivar: mas hoje vendo, Senhora, que por vosso me queria, Do tempo que fui livre me arrependo.
Página 21 - Alegres campos, verdes arvoredos, claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais ao natural, discorrendo da altura dos rochedos; silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, já não podeis fazer meus olhos ledos.

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