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Os seus bosques de perfumada alfarrobeira. O orgulho de ter sido patria do patrão Joaquim commercio de Olhão é o mais importante de to Lopes, o arrojado e intrepido marinheiro, que na da a provincia do Algarve. Ha na villa fabricas sua barca salva-vidas salvou tantos naufragos de peixe em conserva, de sabão e de louça, sendo d'uma morte horrorosa (V. Lopes, Joaquin). estas ultimas as unicas que ha na provincia. Olhão pertence á 4. div. mil., 8. brig., grande Existe ainda, apezar dos onerosos direitos crea- circumscripção unil. do S, e ao distr. de recrut. e dos pelos governos para com os cereaes impor- res. n.o 4, com a séde em Faro. Tem escolas para tados de Marrocos, uma infinidade de cahiques, ambos os sexos, est. post. e telegr. com serviço os tradicionaes cahiques de Olhão, que percor- de emissão e pagamento de vales do correio e terem todos os portos portuguezes e muitos hespa- legraphicos, cobrança de recibos, letras e obriganhoes. Em toda a Africa occidental se encontram ções, e serviço de encommendas, permutando matambem muitos d'esses barcos, conduzindo pei-las com a R. A. S.-Faro; eet. do caminho de ferro,

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xe sêcco e outros generos de Mossamedes para o norte da mesma costa. Em Mossamedes, Porto Alexandre e Bahia dos Tigres, ha verdadeiras colonias, só compostas de olhanenses. Todos os annos partem de Olhão cahiques para Loanda e Mossamedes, causando o assombro de muita gente a perigosa travessia feita por tão pequenas embarcações. O Compromisso Maritimo de Olhão é um dos monte-pios mais importantes, não só da provincia do Algarve, mas de todo o Portugal. Esta associação sustenta um numeroso pessoal e uma boa pharmacia. Olhão tem o louvavel

na linha de sul e sueste, entre a de Faro eo apeadeiro de Marim; advogados, agencias dos bancos Alliança, do Porto, do Banco de Portugal, Commercial de Lisboa, Crédit Franco-Portugais, Economia Portugueza, Lisboa & Açores, Nacional e Ultramarino; e de companhias de seguros e de vapores; associações: Liga Nacional Portugueza; de soccorros mutuos: Compromisso Maritimo da Villa de Olhão, Operarios da Construcção Naval; associação de beneficencia: Protectora dos artistas de Olhão; associação de classe: Operarios das fabricas de conservas

OLH

de peixe; Commissão de soccorros a naufragos, fabricas de conserva de peixe; hoteis, medicos, pharmacias, fabrica de serração de madeiras; sociedades de recreio: Gremio Olhanense e Recreativa Olhanense; typographias, vice-consulado de Hespanha; feiras, de grande commercio, a 30 de abril e 29 de setembro; mercado no ultimo domingo de cada mez; serviço de diligencias para Faro. Tem-se publicado em Moncarapacho e Olhão os jornaes: Cruzeiro do Sul (O), janeiro de 1903; Futuro (0), 15 de março de 189; em publicação, janeiro de 1908; veiu do Porvir; Olhanense (0), 5 de março de 1892; Porvir (0), 28 de setembro de 1988; foi substituido pelo Futuro. O territorio de Olhão é muito fertil, e produz muitos vinhos, hortaliças, figueiras, alfarrobeiras, oliveiras, amendoeiras, nespereiras e laranjeiras. N'esta villa ha 6 empresas de armação de sardinha.O conc. comprehende 5 treg.", com 4:122 fog. e 23:976 hab., sendo 11:543 do sexo masc. e 12:433 do fem., n'uma superficie de 9:581 hect. As freguezias são: N. S. do Carmo, de Fuzeta, 2:117 hab.: 977 do sexo masc. e 1:140 do fem.; N. S. da Graça, de Moncarapacho, 7:492 hab.: 3:726 do sexo masc. e 3:766 do fem.; N. S. do Rosario, de Olhão, 9:993 hab: 4:726 do e 5:267 do fem.; S. Bartholomeu, de Pechão, 1:566 hab.: 757 do sexo masc. e 799 do fem.; S. Sebastião, de Quelfes, 2:818 hab.: 1:357 do sexo masc. e 1:461 do fem. O principal commercio do conc. é pescarias, figos, alfarrobas, vinho, pelle de lixa, azeite, amendoa e fructas. || Quinta na freg. de Santo Antonio, de Oliveirinha, conc. e distr. de Aveiro.

sexo masc.

Olheirão. Pov. ua freg. de S. Pelagio e conc. de Oliveira de Frades, distr. de Vizeu.

Olheiro. Povoações nas freguezias: Santa Eulalia, de Arnoso, conc. de V. N. de Famalicão, distr. de Braga. S. Braz de Alportel, conc. e distr. de Faro. || S. Thiago, de Creixomil, conc. de Barcellos. distr. de Braga. || O Salvador, de Folgosa, conc. de Maia, distr. do Porto. || S. Martinho, de Gandra, conc. de Ponte do Lima, distr. de Vianna do Castello. || O Salvador, de Arnoso-Mosteiro, conc. de V. N. de Famalicão, distr. de Braga. || S. Vicente, de Paio Mendes, concelho de Ferreira do Zezere, distr. de Santarem. Olheiros. Povoações nas freguezias: Santo André, conc. de S. Thiago do Cacem, distr. de Lisboa. | Santo André, de Rendufe, concelho de Amares, districto de Braga. S. Pedro e concelho de Torres Vedras, distr. de Lisboa. || Logarejo, que fica a 100 m. da praia da Fuzeta e a distancia egual do sitio de Ataboeira, no ramal da estrada municipal. N'este logarejo proximo a um riacho, brota uma nascente de agua thermal, inodora, de aspecto leitoso. Borbulha do chão no meio d'uma poça, onde muitos doentes com ulceras e molestias de pelle, vão fazer uso da agua em lavagens, obtendo bons resultados. Nada mais se sabe ácêzca d'estas aguas, que parece não terem ainda sido exploradas.

Olho. Povoações nas freguezias: N. S. do O', de Cadima, conc. de Cantanhede, distr. de Coim bra. S. Pedro e conc. de Cantanhede, do mesmo distr. || Ribeiro, na prov. do Douro, na freg. de Cadima. Nas suas margens ha arrozaes. Este ribeiro e os de Lagoa Secca, Rodellos, Moita e Aljuriça, da mesma freg., juntam-se na ribeira de Fervença.

Olho d'Agua. Povoações nas freguezias: S. Julião, conc. e distr. de Portalegre. || S. Clemente e conc. de Loulé, distr. de Faro.

Olho de Boi. Povoações nas freguezias: S. João Baptista, de Sepins, conc. de Cantanhede, distr. de Coimbra. | S. Vicente e conc. d'Abrantes, distr. de Santarem. || S. Thiago e conc. d'Almada, distr. de Lisboa.

Olho Marinho. Povoações nas freguezias: N. S. de Aboboris, de Amoreira, conc. d'Obidos, distr. de Leiria. Santo André de Poiares, conc. de Poiares, distr. de Coimbra. || S. Martinho, de Arada, conc. de Ovar, distr. de Aveiro. || N. S. da Expectação, de Valladares, conc. de S. Pedro do Sul, distr. de Vizeu.

Olho da Mira. Entre os logares de Mira e de Minde medeia um dilatado campo, que tem 4 k. de comprimento e 2 de largura. E' quasi todo rôto, em algáres, pela maior parte, cercado de penedias, defeza providencial para gados e gente. Procéde este grande numero de algáres de estar a campina muito baixa, entre as serras, e como a agua da chuva não tem por onde se escoar, sumindo se por canaes subterraneos, ferve para cima, por aquelles boqueirões, até encher todo o campo, em maior ou menor altura, segundo a abundancia d'agua que tem chovido, d'onde resulta transformar-se o campo em lagôa. Ha occasiões em que esta agua levanta ondas como as do mar, ou procedido do vento, ou da força com que a agua rebenta pelos boqueirões. Em dois sitios rebentam as aguas em maior porção, um chamado Pena do Poyo, que é um alto e concavo penbasco, á maneira de alpendre, á raiz da terra. Nascem murmurando brandamente, mas em tamanha quantidade, que fazem logo mover moinhos de pão e lagares de azeite. O outro aguas nascem ainda em maior sitio, onde as quantidade, chama-se Olho da Mira, em cujo logar se sente nascer a agua em jactos alternados, e como que aos soluços, impellida de dentro d'uma grande cavidade subterranea, formada pela natureza, e saindo por um buraco redondo de 1,50 de diametro, á maneira d'um oculo, e por isso se chama Olho da Mira. Corre em grande abundancia, fazendo mover tambem moinhos e lagares, além da agua que verte pelos açndes, que é bastante. Corre impetuoso ao nascer, e com tanta força expelle a agua, como a torna a engulir. Juntamente com a agua sae grande numero de grossas e saborosas enguias e eirozes, que são objecto d'uma divertida pesca, quasi toda feita em caneiros. Na primavera sécca este campo, que seus proprietarios cultivam, e é feracissimo. As cavernas por onde saem as aguas apresentam as fórmas mais bizaras. Vêem-se abobadas, tectos, pavimentos e paredes, tudo obra da natureza, mas tão primorosamente fabricados, como se fôssem obra de peritos canteiros. Tem mais de 800 m. de extensão por baixo do solo. O pavimento é obliquo, descendo desde a embocadura até ao seu termo. Em frente fica-lhe o outeiro chamado das Sete Villas. Toda esta caverna é de rocha viva, sem que se veja a menor porção de terra. A sua agua, que conserva em todas as estações egual temperatura, é de optima qualidade. Tem-se notado que por mais continuadas que sejam as chuvas, nunca a agua passa d'uma certa medida. Apezar d'estes autros não conservaem toda a sua extensão a mesma altura e 193

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largura, porque ora abatem, ora se elevam seus tectos, e ora alargam ora estreitam suas galerias, dão em toda a parte uma passagem ampla aos exploradores. Lançando-se dentro uma pedra, faz um grande estrondo, que se ouve por muito tempo. O murmurio das aguas, quando se debatem umas contra outras, ou quebrando-se contra as rochas, fórma um som agradavel.

Olho de Mouro. Pov. na freguezia de S. João Evangelista, de Villa Cova de Carros, conc. de Paredes, distr. do Porto.

Olho de Vidro (Quinta do). Na freg. de S. Thiago e concelho de Almada, districto de Lisboa.

Olhos. Pov. na freg. de S. Thiago e conc. de Castro Marim, distr. de Faro.

Olhos d'Agua. Povoações nas freguezias: O Salvador de Aramenha, conc. de Marvão, distr. de Portalegre. || S. Pedro, de Palmella, conc. de Setubal, distr. de Lisboa.

Olhos da Loureira. Nascente d'agua, na provincia do Douro. Rebenta junto da villa de Ançã. V. Olho de Mourellos.

Olhos Negros. Pov. na freg. de N. da Conceição e conc. de Monchique, districto de Fa

ro.

Olina Antiga cidade da Lusitania, cujo sitio hoje se ignora E' talvez uma das que estanceavam na famosa serra de Arga, o Medulio dos romanos. Ptolomeu a colloca em 8,°30' de longitude, e de 45,°30' de latitude. Pertencia á chancellaria de Lugo, e era portanto ao N de Braga, além do Lima, entre este rio e o Minho. Foi des truida pelos suevos ou pelos arabes.

e

Feliciano de Oliva e Sousa não quiz continuar em Braga, e foi exercer egual cargo na diocese de Vizeu, que governou depois séde vacante, pela morte do bispo D. Fr. Bernardino de Sousa. Passou depois a ser vigario capitular do bispado de Lamego. Sendo-lhe offerecida a mitra para os estados da India e da China, o prelade não a acceitou, pedindo licença para fundar na terra onde nascera um converto de freiras da ordem de S. Domingos, mandando para isso demolir a propria casa onde tinha nascido. Lançou a primeira pedra no edificio em 1663, e havido o breve pontificio do papa Urbano VIII, deram entrada solemne no convento em 1640 duas religiosas do convento de Corpus Christi, do Forto, com ellas para o noviciado tres irmãs e seis sobrinhas do fundador. Feliciano d'Oliva e Sousa doou ao convento todos os seus bens e alfaias, dando-lhe a invocação de Nossa Senhora da Oliva, á imitação d'outra egual fundação, que os seus ascendentes haviam feito em Navarra pelos annos de 1140 a 1147. Recolhendo-se ao seu conventc, ali veiu a fallecer. Feliciano d'Oliva e Sousa foi muito versado nos conhecimentos do direito canonico, e incansavel zelador das cousas da Egreja. Deixou uma obra de valor, intitulada Tractatus de Foro Ecclesiae, 2 tomos que se imprimiram em Coimbra nos annos de 1649 e 1650, obra que se completou com a terceira parte, publicada em Colloniae Allobrogum, 1678. Deixou tambem grande copia de manuscriptos tendentes ao bom regimen das dioceses em que exerceu autoridade. Apezar de Feliciano d'Oliva parecer tão ortodoxo, a Congressão Romana fez incluir o Tractatus de Foro Ecclesiae no Index expurgatorio por decreto de 14 de abril de 1682, e como tal se vê mencionado no Index li. brorum prohibitorum SS. D. N. Pii Sexti Pont. Max jussu editus, Romae, 1787, a pag. 190, bem como em todos os outros publicados, quer anterior, quer posteriormente.

Oliva. Appellido nobre, vindo de Hespanha, tomado da villa de Oliva, do reino de Navarra, d'onde passou a Portugal na pessoa de Lourenço de Oliva, a quem el-rei D. Sebastião deu armas proprias, para elle e seus descendentes, em 1565, durante a regencia do cardeal D. Henrique, seu tio. As armas são: Em campo verde, leão de ou ro, lampassado de púrpura, armado de negro e Oliva e Sousa Sequeira (Antonio de). Comatravessado pelo peito por uma lança de prata, mendador da ordem de S. Bento de Aviz, bachacom aspa de púrpura, que lhe sae pelas costas, e rel formado em Mathematica pela Universidade lançando sangue pela ferida. O leão está sobre de Coimbra, marechal de campo reformado, etc. um contrachefe estreito, de ondas de azul e pra- N. em Carreiras, do concelho de Satam, em ta. Elmo de aço aberto; timbre, meio homem, de 1791, fal. na sua casa de Capreira a 20 de janeifrente, vestido de púrpura, com metade da haste ro de 1865. Alistando-se como voluntario no reda lança na mão. Joaquim José de Oliva justifi- gimento de infantaria n.o 11 em novembro de cou ser descendente d'esta familia, e se lhe pas-1807, deu baixa em janeiro seguinte, mas logo sou carta de brazão d'estas mesmas armas, em 10 de dezembro de 1781. Outros do mesmo ap. pellido usam: Em campo de púrpura um esquadro de carpinteiro, de prata, semeado com aspas de púrpura. O elmo e timbre dos anteceden

tes.

Oliva e Sousa (Feliciano de). Presbytero secular; doutor em Canones pela Universidade de Coimbra. N. no Tojal de Satam em 1579, onde tambem fal. em 1656. Era filho de Feliciano de Oliva e de Catharina de Sousa; neto de D. Pedro de Oliva, fidalgo de Navarra, que veiu para Portugal, e casou em Vizeu com D. Paula de Sousa. Tomando ordens de presbytero secular, foi doutorar-se em Canones na Universidade de Coimbra. Nomeado visitador e vigario geral do bispado d'Elvas, passou, por convite do arcebis po de Braga D. Fr. Aleixo de Menezes, a ser auditor e vigario geral d'aquelle arcebispado. Fallecendo o arcebispo D. Aleixo de Menezes,

que rebentou a revolução contra os francezes, foi unir-se ao corpo em que servira, e entrou nos combates de Vimeiro e Roliça. Despachado alferes em maio de 1810, continuou a tomar parte activa na Guerra Peninsular, até que ficou no assalto a Badajoz, sendo ferido da companhia de granadeiros. Obrigado a serio tratamento recolheu a Portugal, e como não pôde restabelecer-se completamente, em 1815 foi collocado n'uma das companhias de veteranos. N'essa epoca frequentou o curso de Mathematica na Universidade, e voltando ao serviço activo em 1823, foi promovido a capitão. Desligado do exercito, quando em 1823 caiu o governo constitucional, voltou de novo á fileira em 1826, e tomou parte na campanha contra o marquez de Chaves. Em 1828, tendo-se acclamado rei o infante D. Miguel, homiziou-se para se livrar de perseguições, viveu escondido até 1834, e apresentando-se então aos liberaes organisou o batalhão fixo de La

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mego, servindo ás ordens do general Azevedo, depois conde de Samodães. Promovido a major serviu em varias commissões e corpos, e sendo tenente-coronel commandante de infantaria n.o 11, aquartelada em Beja, foi exonerado do commando e respondeu a conselho de guerra por se terem encontrado irregularidades na administração d'esse corpo. Condemnado a pagar a quantia, por que o julgaram responsavel, foi poste riormente chefe do estado maior da 7.a divisão militar, e n'essa commissão se encontrava, quando se deu o movimento da Regeneração em 1851. Nomeado então commandante do regimento de infantaria n. 14, pediu e obteve a reforma em marechal de campo sem vencimento, por decre- Olivaes (Julio Pinto Leite, 2.o visconde e 1.o to de 14 de outubro do referido anno de 1851, e conde dos). Fidalgo cavalleiro da Casa Real, comapezar de ter depois representado ao governo e mendador da ordem de Christo. N. a 29 de julho ás cortes para lhe ser annullada aquella refor- de 1836, sendo filho de José Pinto Leite, comma, não o conseguiu. Escreveu: Projecto para o mendador da ordem de Nossa Senhora da Conestabelecimento politico do reino unido de Portu- ceição, negociante de grosso trato na praça comgal, Brazil e Algarves, Coimbra, 1821; n'este an- mercial da Bahia, irmão do visconde da Gandano fez-se 2. edição; saiu em confutação d'este rinha e conde de Penha Longa, Sebastião Pinto opusculo uma Analyse, por José Joaquim de Al-Leite, casado com D. Carlota Barbara Leite. O meida Moura Coutinho; Reflexões sobre a edu- sr. conde dos Olivaes casou com D. Clotilde da cação e principios dos officiaes militares, que de Veiga de Araujo, herdeira de seu tio, o 1.o visnovo forem admittidos ao exercito, Coimbra, 1821; conde dos Olivaes, a quem succedeu no titulo, Cartas transtaganas, ou traços da historia desde que lhe foi renovado por decreto de 25 de se1546; sairam anonymas, sendo escriptas em Beja tembro de 1879. Este titulo foi elevado ao de em 1847, publicadas depois no Estandarte em conde, por decreto de 16 de setembro de 1886. E' 1848, e mais tarde, mais correctas e ampliadas, hoje 3. visconde dos Olivaes seu filho, o sr. João n'um opusculo impresso em Lisboa, 1860; Nar- Pinto Leite. O brazão é o mesmo do visconde de ração dos acontecimentos que tiveram logar em Gandarinha e conde de Penha Longa, o qual foi Beja, na occasião em que Suas Majestades e Al- concedido a José Pinto Leite, pae do sr. conde tezas visitaram esta cidade a 11 de outubro de dos Olivaes, por alvará de 22 de junho de 1855: 1843; escripta e mandada imprimir pelo presiden Escudo partido em pala: na primeira as armas te da Commissão Central, o tenente coronel Anto dos Pintos, em campo de prata cinco crescentes o de Oliva, etc., Lisboa, 1844; Rectificações de lua vermelhos, com as pontas para cima, em historicas, Lisboa, 1860. A maior parte do con- santôr; na segunda pala, as armas dos Leites, texto d'este curioso livro, abundante em noti- em campo vêrde tres flôres de liz de ouro postas cias militares e biographicas, apparecera de cm santôr. principio em artigos successivos, publicados no Olivaes (D. Maria Rosa da Veiga Araujo, Rei è Ordem, em 1859, e destinados principal-viscondessa dos). Senhora muito caritativa e es mente a convencer de inexacto, ou antes de fal- moler. N. em Macau em 1823, fal. a 25 de junho 80, o facto allegado pelo antigo corneteiro de ca- de 1892. Era filha de Joaquim José Ferreira da çadores n.° 7, José Francisco de Castro, affirman- Veiga e de sua mulher D. Rosa Joaquina Paiva, lo de facto proprio haver aido elle que na to- opulentos capitalistas e proprietarios. Casou com mada da praça de Badajoz, em 1812, fizera fugir o 1.° visconde dos Olivaes, Antonio Theophilo de a guarnição franceza, com um signal de engano. Araujo, que falleceu em 4 de agosto de 1879. Por Jornal do Commercio, que tomara a si a sus- muitos annos dirigiu a viscondessa dos Olivaes tentação da veracidade do facto, publicou em 6 de o asylo da Lapa, pertencente á Sociedade das agosto de 1859 una carta assignada pelo dito Casas de Asylo; desejando, porém, fundar um Castro, em que calorosamente defendia a sua asylo propriamente seu, mantido só pela sua bolcausa contra as impugnações do general Oliva. sa, e sob o regimen dos asylos da referida socieNo Estandarte de 1848 a 1851 ha varios artigos dade, realisou esse desejo em 1866, fundando um do mesmo general, e entre elles alguns versan- Asylo para creanças pobres, no sitio dos Olivaes do sobre o modo de collocar e organisar o exer- o qual existe ainda, sitio escolhido pela benemericito em paz, a fim de o ter prompto para a guer- ta titular, porque até então não havia ali uma ra imprevista; e outros sobre economias que cum- unica casa de educação nem de beneficencia. Foi priria fazer na administração da fazenda mili- este um monumento que levantou em vida em betar. Tambem escreveu artigos na Imprensa, Im- neficio das muitas creanças que recebem ali eduprensa e Lei, etc. cação, e a que a fundadora consagrava todos os seus cuidados. O asylo foi inaugurado em 24 de maio de 1896, e todos os annos se celebrava este anniversario a illustre senhora, que repetidas horas passava na companhia das creanças, sentindose feliz revendo-se na sua obra tão caritativa e benemerita O asylo occupa um vasto edificio, que foi comprado por 2:5003000 réis, elevando-se esta cifra a 5:1773032 réis, depois de feitas as obras necessarias para o adaptar ao cffeito e de mobi

filho de Francisco José de Araujo, thesoureiro da Bulla da Cruzada na diocese de Braga, e de sua mulher, D. Marianna Rosa do Carmo Lopes. Casou com D. Maria d'Araujo Veiga (V. o artigo seguinte). O titulo de visconde dos Olivaes foi concedido em duas vidas, por decreto de 22 de março de 1864. Tendo o 1.o visconde fallecido sem descendencia, succedeu lhe no titulo Julio Pinto Leite, por ter casado com eua sobrinha, D. Clotilde Veiga de Araujo, que foi a 2. viscondessa dos Olivaes, em verificação da segunda vida, filha de seu irmão João Francisco d'Araujo, e irmã da 1. viscondessa D. Maria Rosa de Araujo Veiga.

Oliva (Christovam Cardoso Cabral Coutinho de Albuquerque Barata, visconde de). Bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra, juiz em Beja, deputado da Nação.

Olivaes (Antonio Theophilo de Araujo, 1.o visconde dos). Fidalgo cavalleiro da Casa Real, commendador das ordens de Christo e de Nossa Senhora da Conceição, par do reino. N. a 5 de março de 1804, fal. a 4 de agosto de 1879. Era

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lado convenientemente. Tem uma ampla aula, | Segundo a tradição, a imagem da padroeira aponde as creanças se sentam em amphitheatro, de pareceu n'um olíval, dentro da cavidade do tronmodo que são facilmente vigiadas pela professo co d'uma oliveira, e d'aqui veiu o nome á Sera. N'uma outra sala ao lado está a aula da es- nhora e depois á freguezia. Na sacristia da egrecripta. O refeitorio está situado n'uma grande ja ainda se conservava em 1700 o tronco da resala, com mesas e cadeiras baixinhas proprias ferida oliveira, e o vigario de então o mandou para as creanças, e um lavatorio; d'aqui passa- arrancar. Os paços do conc. dos Olivaes não esse para a quinta, toda cultivada, onde ha um re- tavam n'esta freguezia, porém sim no Campo cinto para o recreio das creanças. Este asylo mi- Grande, onde se conservaram por muito tempo, nistra ordinariamente instrucção primaria a 50 passando depois para um predio em Arroios, no creanças, tendo além d'estas mais 10 extraordi- largo do Leão ao pé das antigas portas da cida. narias, que só recebem o ensino. As creanças do de de Lisboa. N'esse predio estavam tambem a sexo feminino pódem frequentar o asylo até aos administração do conc., a repartição de fazenda, 14 annos, e as do masculino até aos 8. A admi- a recebedoria, a aferição dos pesos e medidas, e nistração é feita com toda a economia sem pre- no terceiro andar existia um hospicio do munijuizo do tratamento das educandas. Apezar do cipio, que tinha a seu cargo 21 creanças. Diz o asylo fornecer vestuario ás creanças para sairem Santuario Marianno, vol. I, pag. 429, que a conem formatura, e bibes para estarem em casa, agregação dos conegos de S. João Evangelista (os sua instituidora repartia amiudadas vezes ves- frades loios) de Portugal, teve principio pelos tuario ás educandas, premiando ainda aquellas annos de 1420, no tempo de D. João I, e que a que mais se distinguiam pela sua applicação e primeira casa, que tiveram, foi esta egreja, que comportamento. A viscondessa dos Olivaes legou lhes foi offereeida pelo prior, que então era d'espor sua morte ao asylo 14:0005000 1éis para a ta freguezia. Os conegos residiram aqui algum sua manutenção, deixando determinado no seu tempo, mas o prior, por um motivo qualquer que testamento que o mesmo asylo fôsse entregue á se desconhece, arrependeu-se da doação que voSociedade das Casas de Asylo para o adminis- luntariamente lhes havia feito, annullou-a, e extrar. E' hoje directora a sr condessa dos Olivaes. pulsou os. Em 1483, o cardeal D. Jorge da Costa Além d'este legado deixou mais 4008000 réis pa- uniu esta egreja á capella de N. S. d'Assumpserem applicados ao asylo. A população dos ção do convento de Santo Eloy, ao qual, desde Olivaes, reconhecida á memoria da nobre senho então até 1834, ficaram pertencendo os dizimos ra, e muito penalisada pela sua morte, associou- da freg., e o seu reitor apresentava o vigario dos se espontaneamente á idéa iniciada por alguns Olivaes. N'esta pov. ha est. do caminho de ferro, cavalheiros da localidade para que se celebras na linha de Lisboa a Setil, servida por tramsem solemnes exequias, as quaes se realisaram ways, entre as estações de Cabo Ruivo e de Sana egreja parochial no dia 25 de julho de 1892, cavem; e na linha de léste, entre as de Sacavem a que assistiram todas as educandas com a re- e Braço de Prata. Proximo dos Olivaes houve o gente, e grande concurso de povo. Para perpe- convento de S. Cornelio, de religiosos arrabidos, tuar a memoria da benefica titular, foi dado ao situado n'uma planicie cercada de arvoredos. Foi antigo Rocio dos Olivaes o nome de Praça da Vis- fundado em 1674 pelo sargento-mór João Borges condesa dos Olivaes. de Moraes, n'uma erinida que já ali existia, de

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Olivaes. Pov. e freg. de Santa Maria dos Oli-dicada a N. S. da Estrella. Nos seus principios vaes, da prov. da Extremadura, conc., distr., com., patriarc. e 1.o bairro de Lisboa. Está situada junto da ribeira do seu nome, a 1 k. da mar gem direita do rio Tejo, em terreno levemente accidentado e muito pittoresco; tem 1:166 fog. e 7:164 bab.. O seu territorio é alternado de frondosos arvoredos, bonitas casas de campo, com suas quintas, e alguns logares que tornam a pov. sobremaneira agradavel, fertil, e aprazivel. Olivaes toi séde d'um concelho, que se creou por de creto de 11 de setembro de 1852, com 21 freguezias, todas do patriarchado de Lisboa; Ameixoeira, Appellação, Beato Antonio, Bucellas, Ca marate, Campo Grande, Charneca, Fanhões, Friellas, Loures, Lousa, Lumiar, Olivaes, Povoa de Santo Adrião, Sacavem, S. Jorge de Arroios, na parte que ficava extramuros de Lisboa, Talha, Tojal, Tojalinho, Unhos e Via Longa. Teve tam bem no seu principio a freg. de Santo Estevão, das Galés, que passou depois para o conc. de Mafra. Por uma organisação do municipio de Lisboa, o conc. dos Olivaes perdeu algumas das suas freguezias, e em 1886 foi supprimido e subs tituido pelo de Loures, que então se creou. A egreja parochial de Santa Maria dos Olivaes é muito antiga, não se sabendo quando foi fundada nem quem foi o fundador, sabe-se, porém, que já existia em 1420. Está situada n'um bello sitio, circumdada d'algumas casas e frondoso arvoredo.

fôra apenas um hospicio, ou casa de convalescença dos religiosos d'esta ordem, mas em 1718 ampliou se o edificio, sendo então constituido em mosteiro regular. Um decreto de 25 de julho de 1860 conferiu ao conc. dos Olivaes o seguinte brazão d'armas: Escudo dividido em pala, tendo na primeira as armas de Portugal; na segunda, dividida em dois quarteis, tendo no superior, em campo azul, a rainha Santa Izabel, estando á sua direita o rei D. Diniz, seu marido, e à esquerda seu filho, o infante D. Affonso, mais tarde el-rei D. Affonso IV; todas as tres figuras de prata com corôas e espadas de ouro; no quartel inferior, em campo de ouro, duas oliveiras, da sua côr, tudo encimado com a corôa real. Éstas armas symbolisam as pazes que fez Santa Izabel entre seu marido e seu filho, no campo d'Alvalade no anno de 1323 (V. Campo Pequeno). O conc. dos Olivaes, como industrial, era dos mais importantes. Em 1875 tinha 43 fabricas, sendo 1 de alvaiade, 1 de aguardente, 1 de bolachas (a vapor), 2 de cortiça, 1 de descasque de arroz (a vapor), 7 de tinturarias e estamparia, 2 de lanificios, 4 de louças de barro, 1 de louça fina, 1 de mas sas, 2 de moagem de farinha (a vapor), 1 de papel para escripta (a vapor), 2 de papel pardo e papelão, 6 de sabão, 7 de sebo, 2 de tabacos, 2 de tecidos de algodão. Estas fabricas eram quasi todas no Beato Antonio e nos Olivaes. Tem

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