Imagens das páginas
PDF
ePub

minas de carvão, cobre, ferro e enxofre. A freg. tem escolas para ambos os sexos, e aqui existe a pov. de Marvilla, onde está a quinta da Mitra, residencia dos antigos patriarchas de Lisboa; e o antigo convento de N. Sa da Conceição, onde está estabelecido o Asylo de D. Luiz I. Nos Olivaes ha uma escola de meninas, instituida pela viscondessa dos Olivaes, D. Maria Rosa da Veiga Araujo, e de que é hoje directora a sr. condessa do mesmo titulo, D. Clotilde da Veiga Araujo. Povoações nas freguezias: S. Miguel, de Juncal, conc. de Porto de Moz, distr. de Leiria. | S.Luiz, de Pias,conc. de Ferreira do Zezere, distr. de Santarem. Santo André, de Sanhoane, conc. de Santa Martha de Penaguião distr. de Villa Real. N. S. da Conceição, de Sinde, conc. de Taboa, distr. de Coimbra. | Casal na freg de Santo Antonio dos Olivaes, conc. e distr. de Coimbra. Casal na freg. de S. Thiago, de Eiras, do mesmo conc. e districto.

Olivaes e de Penha Longa (José Pinto Leite, conde dos). Academico honorario da Academia Real das Beilas Artes de Lisboa, eleito em fevereiro de 1909. Distincto sportsman, e socio do Centro Nacional de Esgrima. E' filho do sr. conde dos Olivaes, Julio Pinto Leite, e de sua mulher, a sr. condessa D. Clotilde da Veiga Araujo. Foi ha poucos annos agraciado com o titulo que usa. O sr. conde cultiva o sport com o maximo interesse, a ponto de na corrida ParisMadrid, em que tomou parte, continuando-a de Madrid a Caceres, de Caceres a Castello Branco, Alferrarede e Lisboa, ter marcado uma das da tas mais brilhantes nos annaes do automobilismo. Possue o que ha de mais rico e elegante em automoveis, e a sua collecção de medalhas e gravuras, consta ser uma das mais completas e ricas que se conhecem. Na Sociedade do Tiro aos Pombos é um dos mais dedicados auxiliares, tendo já offerecido para serem disputadas como premio magnificas taças de prata para as festas sempre brilhantes d'aquella sociedade. A do anno de 1901 foi ganha pelo fallecido rei D. Carlos. O Centro Nacional de Esgrima realisou a sua sessão inaugural a 6 de fevereiro de 1905, no salão nobre do theatro de S. Carlos, onde está installado, com uma festa brilhantissima, que foi dirigida pelo sr. conde de Paço do Lumiar. A esta festa assistiu el-rei D. Carlos, sua magestade a rainha senhora D. Amelia, suas altezas, corpo diplomatico e muitas damas e cavalheiros da nossa sociedade mais distincta. A festa constou de assaltos de florete, espada e sabre, intervallados com trechos d'operas cantados pelas sr." Palermy Lery Adriana e D. Cisneiros Eleonora, e pelo sr. Signarmi Francesco. Para esta sessão inaugural offereceu o sr. conde dos Olivaes e de Penha Longa um magnifico premio artistico: um cup ou taça de prata apreciavelmente cinzelada. Olivães. Pov. na freg. de S. Christovão, de Nogueira da Regedoura, conc. da Feira, distr. de Aveiro.

e visconde do Olival, em sua vida, por decreto de 30 de dezembro do mesmo anno. E' socio honorario da Liga das Artes Graphicas de Braga, para que foi nomeado em sessão de 25 d'abril de 109, e tambem da Real Associação Humanitaria dos Bombeiros Voluntarios da mesma cidade. Herdou a casa e quinta do Olival, bem como a de Torneiros, nos suburbios da dita cidade, onde nasceu a 29 de setembro de 1863, e é filho dos 1. condes e 1. viscondes de Carcavellos, já fallecidos. V. Carcavellos, Francisco de Campos de Azevedo Soares, pag. 740 do vol. Il do Portugal. Olival. Pov. e freg. de N S. da Purificação, da prov. da Extremadura, conc. e com. de V. N. de Ourem, distr. de Santarem, patriarc. de Lisboa; 1:091 fog. e 5:159 hab.. Tem escolas d'ambos os sexos, est. post. permutando malas com V. N. de Ourem. A pov. dista 7 k. da séde do conc. e está situada a 8 k. da est. do caminho de ferro de Caxarias. Tem feira em 2 de fevereiro. Esta freg. era filial da collegiada de Ourem. Tem cura e coadjutor, que até 183 eram apresentados pelo cabido da mesma collegiada, que lhes pagava, e fabricava a egreja. No sitio do Pocifal d'esta freg. instituiu em 1571 Martim Annes, clerigo e beneficiado da egreja de Santa Maria, de Ourem, uma capella com missa quotidiana, sendo o capellão obrigado a resar n'ella as horas canonicas; nomeando administrador para fazer cumprir estas e mais obrigações. Com a capella instituiu uma albergaria para recolher pobres. A egreja parochial está fóra da pov., no sitio chamado Adro de Santa Maria. A pov. pertence á 5.a div. mil. e ao distr. de recrut. e res. n.o 15, com a sé. de em Thomar. || Pov. e freg. de Santa Maria, da prov. do Douro, conc. e com. de V. N. de Gaia, distr. e bisp. do Porto; 373 fog. e 1:577 hab. Tem esc. do sexo masc. A pov. dista 13 k. da séde do conc. O cabido da sé do Porto apresentava o abbade, que tinha 1005000 réis de rendimento annual. A egreja é antiquissima. Dizem ter ha vido aqui um mosteiro de freiras benedictinas, que no fim do seculo xv se uniu ao de S. Bento da Ave Maria, do Porto. A terra é muito fertil em todos os generos agricolas do paiz, e muito abundante em madeiras, principalmente de pi. nheiro. Cria muito gado que transporta para Inglaterra. Pertence á 3. div. mil. e ao distr. de e res. n.o 6. com a séde no Porto. || Povoações nas freguezias: N. S. da Graça, de Aguda, conc. de Figueiró dos Vinhos, distr. de Leiria. S. Martinho, de Ariz, conc. de Marco de Canavezes, distr. do Porto. | Santa Leocadia e conc. de Baião, do mesmo distr. || S. Thiago, de Carapeços, conc. de Barcellos, distr. de Braga. || S. Pedro, de Castellões, conc. de Macieira de Cambra, distr. de Aveiro. | S. Silvestre, de Chãos, conc. de Ferreira do Zezere, distr. de Santarem. N. S. da Expectação, de Fermedo conc. de Arouca, distr. de Aveiro. || S. Pedro, de Sanfins, conc. de V. N. de Famalicão, distr. de Braga. || Sauto Estevão, de Geraz do Minho, conc. de Povoa de Lanhoso, do mesmo distr. || S. Silves. tre e conc. de Louza, dist. de Coimbra. || S. Thiago, de Roufe, conc. de Guimarães, distr. de Bra

recrut.

Olival. Da familia d'este appellido ha noticia já no tempo de D. Pedro I, e que vivia perto de Sabugal. As suas armas são: Em campo de prata duas oliveiras verdes com azeitonas de ouro, pos-ga. | Ilha da Madeira; S. Roque, conc. e distr. do tas em faxa; timbre, uma das oliveiras.

Olival (Eugenio de Campos de Castro de Azevedo Soares, 1.o visconde do). fidalgo cavalleiro da Casa Real, por alvará de 18 de março de 1908,

Funchal. N. S. da Purificação, de Serra, conc. de Thomar, distr. de Santarem. || Santa Maria, de Sobre Tamega, conc. de Marco de Canavezes, distr. do Porto. N. S. da Expectação, de Sou

etc. Publicou differentes trabalhos sobre econo

zella, conc. de Louzada, do mesmo distr. || S. Mar- | singular, Manuscripto de Beatriz e Romaria do tinho, de Valle, conc. de V. N. de Famalicão, lar; os opusculos: Pela Hespanha, A' memoria distr. de Braga. S. Martinho, de Avessadas, de Vieira de Castro. A escola realista e a Moral, conc. de Marco de Canavezes, distr. do Porto. || Casal na freg. de Santa Maria, de Pinhciro Grande, conc. de Chamusca, distr. de Santarem. Her dade na freg. de Sauto Antonio, de Alcorrego, conc. de Aviz, distr. de Portalegre. || Herdade na freg. de Santa Victoria, conc. e distr. de Beja. Olival Basto. Pov. na freg. de S. José, de Godim, conc. de Peso da Regoa, distr. de Villa

Real.

[blocks in formation]

Olivande. Pov. na freg. de Santo André, de Victorino dos Piães, conc. de Ponte do Lima, distr. de Vianna do Castello.

Olivão. Pov. na freg. de S. Julião, de Lage, conc. de Villa Verde, distr. de Braga.

Oliveira. A primeira pessoa que usou este appellido foi Pedro de Oliveira, cujo filho, D. Martim Pires de Oliveira, arcebispo de Braga, fez o morgado de Oliveira, logar da provincia do Minho, em seu irmão Mem Pires de Oliveira, em 1306. Tem por armas, em campo vermelho uma oliveira verde com azeitonas de ouro e raizes de prata; timbre a mesma oliveira. A Domingos Soares de Oliveira, sobrinho do bispo D. André de Amaral, foi dado por brazão: Em campo azul uma aspa de prata, entre quatro flôres de liz de ouro; timbre, a aspa das armas com uma das flôres de liz sobre ella

Oliveira (Adolpho Ernesto Marino de). Capitão do estado maior de artilharia. N. em 1859, e assentou praça em 1875, tendo 16 ancos de edade. Foi promovido a alferes em 29 de dezembro de 1871, a tenente em 24 de março de 1886 e a capitão em 9 de junho de 1894. Serviu por muitos annos no regimento de artilharia n.o 1 e 2. companhia da administração militar, como subalterno, e no extincto commando geral de cavallaria até á reforma do exercito de 7 de setembro de 1899. Fal. em Caparica, apenas com 43 annos de edade, em julho de 1902. Era conde corado com o grau de cavalleiro da ordem de Aviz, e com a medalha de prata da classe de comportamento exemplar.

Oliveira (Alberto de). Poeta portuense contemporaneo. Bacharel formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Seguiu a carreira diplomatica, tendo sido consul e ministro em Tanger. Estando encarregado de negocios de Portugal em Berua, teve a commenda da ordem de S. Thiago, por decreto de 14 de outubro de 1903. Tem publicado diversas poesias, e escreveu dois livros: Biblia do sonho e Palavras loucas. Collaborou no Suave milagre, com o sr. conde d'Arnoso, peça que se representou no theatro de D. Maria II.

Oliveira (Alberto Carlos de). Escriptor e jornalista, natural de Vagos, onde falleceu em 1903. Collaborou no Campeão das Provincias, de Avei ro, Liberdade, de Vizeu, Jornal da Certa, Jornal da Anadia, Jornal de Vagos, etc.. Deixou as seguintes obras: Impressões aos 16 annos; Anhellos e devaneios, em verso; as novellas: Suicidio

mia politica e direito fiscal. Algumas das suas poesias foram traduzidas em francez pelo escriptor Germain Chassagne.

[ocr errors]

Oliveira (Alberto Ferreira da Silva). General de divisão reformado, ajudante de campo honorario de sua majestade el-rei senhor D. Manuel, etc. N. no Porto a 20 de outubro de 1844. Assentou praça no regimento de caçadores n.o 5, em 1 de julho de 1861, sendo promovido a alferes alumno em 16 de novembro de 1864, e a alferes em 3 de janeiro de 1856, por se haver habilitado com o curso de estado maior; a tenente em 21 de janeiro de 1868, a capitão em 21 de abril do mesmo anno, a major da 1. brigada de infantaria de instrucção e manobras em 1 de dezembro, e a major para o corpo do estado maior em 11 de junho de 1884; a tenente-coronel em 16 de fevereiro de 1887, a coronel em 30 de junho de 1893, a general de brigada em 22 de novembro de 1900, reformando-se em 20 de setembro de 1906. Exercia o cargo de commandante geral do estado-maior quando em 1903 foi nomeado governador militar da cidade de Coimbra, e em seguida desempenhou o logar de director geral do Ministerio da Guerra. Em 1 de maio de 1868 foi escolhido para fazer parte da brigada de reconhecimentos militares entre os rios Tejo e Douro, passando em 17 d'agosto do mesmo anno a exercer interinamente as funcções de ajudante de campo do commandante do corpo de estado maior; nomeado ajudante de campo do governador da praça de Elvas em 21 de outubro de 1874; adjunto á brigada de reconhecimentos milita res entre o Tejo e a foz do Guadiana em 18 de setembro de 1876. A 26 de novembro de 1884 foi nomeado chefe da secretaria do commando do

corpo de estado maior; membro da commissão encarregada de propôr a organisação militar dos quadros da força da guarda fiscal em 12 de de zembro de 1885; vogal da commissão cousultiva da defeza do reino em 6 de julho de 1885; chefe da 3. repartição da direcção geral da secretaria da guerra em 20 de novembro de 1890; chefe do estado maior interino da 3. div. mil. em 12 de novembro de 1892; chefe da repartição do gabinete do ministerio da guerra em 25 de feve reiro de 1393; chefe do Estado maior do commando geral do mesmo corpo em 16 de abril de 1896; secretario geral da commissão superior de guerra em 24 de fevereiro de 1895; e seguidamente chefe do estado maior da direcção geral do mesmo corpo; vogal do conselho superior de obras publicas e minas; e chefe da repartição do gabinete do ministerio da guerra em 5 de julho de 1900. Fez parte da commissão superior de guerra em 17 de março de 1858, da commissão encarregada de elaborar o regulamento provisorio para o serviço do exercito em campanha, e do conselho superior de promoções em 24 de dezembro de 1901. Foi eleito deputado na legislatura de 1893. O sr. general Alberto d'Oliveira é grande official, commendador e cavalleiro da ordem de S. Bento d'Aviz, sendo-lhe o grau de cavalleiro conferido por decreto de 18 d'agosto de 1881; possue a cruz de segunda classe da ordem de Merito Militar de Hespanha, e a gran-cruz d'es

ta mesma ordem; as medalhas de prata de bons serviços e de comportamento exemplar. O sr. general Alberto d'Oliveira tem collaborado em va rios jornaes e publicações litterarias, e foi um dos principaes collaboradores do Diccionario Popular, dirigido pelo fallecido escriptor Pinheiro Chagas.

Oliveira (P. Alfredo Cesar de). Conego na sé do Funchal. N. na villa de Santa Cruz a 22 de maio de 1810. Frequentou o lyceu do Funchal e o curso de Theologia no seminario diocesano, obtendo nos exames as primeiras classifi cações. Sendo diacono fez a sua estreia como orador sagrado, prégando por occasião de se solemnisar o casamento d'el rei D. Luiz com a rainha senhora D. Maria Pia, em 1862, e foi para isso especialmente autorisado pela commissão governativa do bispado a requerimento do presidente da camara municipal de Santa Cruz. Aquelle discurso foi publicado no Funchal. Em novembro do mesmo anno de 1862 requereu e obteve a car. ta de prégador. Recebeu as ordens de presbytero em 30 d'agosta de 1863, e em 1864 foi-lhe passada a carta de vice-vigario da sé do Funchal. N'esse anno tambem lhe foi dada provisão de professor substituto do curso de Theologia, es. tabelecido no seminario d'aquella diocese. Em 1867 foi apresentado em um canonicato da refe rida cathedral com a obrigação do ensino no seminario, sendo n'esse mesmo anno nomeado examinador pro synodal. Em 1869 teve a nomeação de vigario geral interino. Quando deixou aquella commissão, o prelado tributou-lhe n'um honroso documento, louvores pelo zelo, intelligencia, aptidão e justiça com que desempenhou o mesmo cargo, no qual diz o mesmo prelado, que elle prestou importante serviço á religião e á egreja. Em seguida foi nomeado presidente da junta governativa do bispado, e sendo exonerado em 1870, por ter sido dado o cargo ao prelado coadjutor e futuro successor, aquelle fez publico, que a junta exonerada correspondera em tudo á especta tiva de s. ex.", louvando-lhe a prudencia, zelo e intelligencia. Foi nomeado prefeito dos estudos e bibliothecario do seminario diocesano pelo cabido sede vacante, e pelo prelado em cuja provi são se diz ser feita a nomeação em virtude do seu merito litterario, zelo pelo serviço e probidade que o caracterisa. Em 1874 tornou a ser nomeado vigario geral, sendo tambem encarregado do go verno do bispado no impedimento do vigario capitular. Para combater a propaganda protestan te, o conego Alfredo d'Oliveira, sem recorrer ao braço secular, acercou-se do clero illustrado da diocese, e estabeleceu conferencias religiosas, nas quaes se revesavam differentes oradores sagrados, e reptou o chefe da missão evangelica para ter com elle uma discussão publica, facto de que então a imprensa falou com muito interesse. O ministro protestante recusou-se, e em seguida saiu do Funchal. O conego Alfredo d'Oliveira, sendo ainda estudante, dedicou-se á lit. teratura. Foi redactor do Archivo Litterario, onde publicou varios artigos, e fundou outros jornaes, sendo o mais importante A Lampada, so bre assumptos ecclesiasticos. Escreveu tambem: Uma noite n'um hotel, romance, na Revista semanal, jornal litterario da Madeira; varias poesias anonymas ou assignadas com pseudonymos, em alguns jornaes madeirenses; varios artigos

religiosos publicados na referida Revista semanal, Aurora do Domingo, em que se contam: A Revelação, Algumas palavras ácêrca de Moysés, etc. Em 1880 era collaborador da Crença religiosa, jornal que se publicava em Lisboa. Exerceu differentes cargos e commissões civis, como presidente da commissão administrativa da Santa Casa da Misericordia do Funchal, inspector geral do districto desde 1862 até que os clerigos de crdens sacras deixaram de ser elegiveis, e conselheiro do districto. Foi deputado nas legislaturas de 1878 e 1879. Na camara tambem se torпои um orador fluente. Como orador sagrado creou fama em Lisboa, sendo muito elogiado um sermão da Soledade, que prégou na egreja da Maglalena; o do Senhor dos Afflictos, na capella de Nossa Senhora da Saude, e o de Nossa Senhora da Encarnação, na sua egreja parochial. Oliveira (Anacleto Rodrigues de). Medico pela Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. N. n'esta cidade a 29 de março de 1855. Matriculou-se no curso de Medicina, mas interrompeu os estudos por ser muito influido com a arte dramatica, representando em theatros particulares, fazendose empresario do antigo theatro das Variedades, escrevendo e traduzindo varias peças theatraes, sendo algumas representadas com bastante exito. Depois resolveu seguir o curso de Medicina, que concluiu, exercendo a clinica no seu consultorio e particular. Foi em 1876 que tomou a empresa do theatro de Variedades, onde fez representar a magica em 4 actos, de Joaquim Augusto de Oliveira e musica de Angelo Frondoni, A Lenda do rei de Granada; a peça phantastica, musica de Caballero, O Anno 3000, por elle imitada do hespanhol, assim como o drama militar, Os cossacos, imitação do francez, e muitas outras peças. Representou como amador dramatico em diversos theatros, como o do Aljube, Taborda, Trinas, Club de Lisboa, Variedades, e em D. Maria II, no drama D. Leonor Telles, escripto por Marcellino de Mesquita para a recita dos estudantes do quinto anno de Medicina. Lembranos de ter entrado nas seguintes peças: Os campinos, Opio e champagne, Ella ou a morte, Amor e dinheiro, Maestro Bovi, A's avessas, Filhos de Adão, Por um triz, Dinah, Dois timidos, etc. Como escriptor dramatico, tem as seguintes producções, além das imitações já citadas: Beldemonio, opera burlesca em 3 actos, imitada do francez, que se representou nos theatros do Gymnasio e Principe Real; A's avessas, comedia em 1 acto, original, em verso, representada no Club de Lisboa; A Côrte do rei Pimpão, opera burlesca em 3 actos, imitada do francez e representada na Trindade; A Pata do diabo, magica representada no theatro da Avenida; As Nym. phas do rio d'Algés, cantata lyrico-burlesca representada no Club d'Algés; O camarada, comedia representada em varios theatros da provincia. Tem ainda mais as seguintes peças, que, parece, foram sido ainda representadas: A herança do alcaide, opera burlesca em 3 actos; O annel de Zoroastro, magica; A adela de S. Roque, opera burlesca; Entre o azul e o vermelho, idem; O segredo terrivel, comedia em 3 actos,

etc.

· Oliveira (Antonio de). Pintor em azulejos, de Evora, que viveu no seculo XVIII. N'esta cidade viam-se trabalhos seus no convento dos Loios.

Oliveira (Antonio de). Escriptor, natural da villa de Chamusca, que traduziu do hespanhol para portuguez a Relação do tumulto popular que succedeu em 18 de dezembro do anno passado de 1735 na cidade do grão Cairo capital do antigo reino do Egypto, etc..

Oliveira (P. Antonio de). Mestre da capella da egreja de S. Julião, em Lisboa, no meado do seculo XVII. Era natural d'esta cidade e fal. em Roma. Foi religioso da ordem de S. Francisco. O catalogo da livraria de D. João IV menciona tres composições de Antonio d'Oliveira, que são 2 villancicos do Natal a 5 vozes, e uma lição de defuntos a 8 vozes. N'um codice manuscripto existente na Bibliotheca Publica de Evora, contendo composições de diversos autores portuguezes que viveram no referido seculo xvii, ha umas Alleluias d'este mestre de capella, escriptas em curioso estylo floreado.

Oliveira (P. Antonio de). Presbytero secular do habito de S. Pedro e missionario apostolico por faculdade pontificia, visitador geral do Sertão de Baixo e da cidade de Sergipe d'El-Rei, com poder de chrismar por indulto do papa Benedicto XIV. N. em Lisboa, e era filho de Antonio de Oliveira e de Marianna dos Reis. Passou com seus paes á Bahia, e no collegio dos jesuitas estudou Philosophia e Theologia, sendo mestre em Artes e examinador d'esta faculdade: Era muito perito na poesia latina e vulgar, e em varias academias sempre a sua voz era ouvida com a maior attenção. Tinha tambem fama de bom prégador. Deixou publicados varios sermões, um Epigramma latino, e um Soneto portuguez; Romance historico á chegada do arcebispo da Bahia D. José Botelho de Mattos, etc., Lisboa 1742.

Oliveira (Antonio Correia de). Escriptor e poeta contemporaneo, N em S. Pedro do Sul a 31 de julho de 1879, sendo filho do dr. José Correia de Oliveira e de D. Joaquina Augusta de Figueiredo Almeida Correia. Decorreu serenamente a sua mocidade na casa paterna, á beira do rio Vouga, na paz tão suggestiva da vida rural. Com a morte de seu pae, retirou-se com sua familia para uma quinta distante de S Pedro do Sul; contava então Correia d'Oliveira apenas 13 annos de edade. Um tio, já edoso, parocho d'uma egreja da serra, pensou em cuidar da situação do sobrinho, matriculando-o no seminario de Vizeu, onde effectivamente permaneceu alguns annos. Renunciando, porém, ao projecto formado pelo velho parocho, por não se sentir com vocação para a vida ecclesiastica, abando. nou o seminario, indo novamente para a sua casa da aldeia, onde passou o tempo a lêr, estudando, ouvindo as cantigas dos trabalhadores, e cmbebendo-se no ar e na luz da paizagem encantadora que illuminara tão docemente os primeiros annos da sua existencia. D'essa epoca de concentração espiritual e de dolorosa incerteza, são as suas primeiras composições poeticas: Ladainha, Eiradas, Auto do fim do dia e Allivio de tristes. Em 1900, resolvido a luctar pela exis. tencia, saiu de S. Pedro do Sul, fixando-se então em Lisboa, onde o seu nome era já conhecido e consagrado na litteratura, pois a imprensa por varias vezes se havia occupado com elogiosas phrases das suas composições tão cheias de mimo e de brilho. Correia d'Oliveira publicou depois novos livros, que a critica recebeu com o

mais franco applauso. A obra d'este poeta é a seguinte: Eiradas (1899); Auto do fim do dia (1900); Ladainha e Allivio de tristes (1901); Cantigas (1902); Raiz (1903); Auto de junho e Ara (1904); Parabolas (1905). O pinheiro exilado (1908). Consta ter em preparação outro livro intitulado: Tentações de São Frei Gil.

Oliveira (Antonio Gomes de). Poeta do seculo XVII. Era natural de Torres Vedras, mas ignoramse as datas do nascimento e fallecimento, sendo filho do dr. Nicolau Lopes, professor de Medicina, e de Brites Gomes. Estudou a faculdade de Direito Civil na Universidade de Coimbra, foi secretario do general Mathias d'Albuquerque, e assistiu ás batalhas de Montijo, em 1644, e das Linhas d'Elvas, em 1659. Era muito dedicado á poesia portugueza, castelhana, latina e italiana. Alcançou os primeiros premios nos certames academicos, e a estima das principaes pessoas da côrte. D. João IV consagrava-lhe muito affecto. Escreveu: Idylios maritimos y rimas varias, primeira parte, Lisboa, 1617; todas as poesias contidas n'este volume são na lingua castelhana, havendo unicamente na portugueza uma Canção a fol. 10, e uma Ode a fol. 141; Sonetos heroicos concernentes á Majestade e estado politico e militar do sempre Augusto Rei D. João IV Nosso Senhor; e principio do poema heroico «D. João I de Boa Memoria», etc., Lisboa, 1641; Panegyrico ao sempre Augusto Rey D. João 4.o, Lusitano, Indico, Brazileiro e Africano, acclamado e jurado Rey na cidade de Lisboa em o 1.o e em 15 de dezembro de 1640, etc., Lisboa, 1641; Oitavario heroico votado á Majestade victoriosa d'El-Rei nosso senhor D. João IV; sem logar nem anno de impressão; são 8 sonetos; No dia solemnissimo da entrada d'elRei Nosso Senhor em Lisboa, recolhendo se das fronteiras do Alemtejo; sem anno nem logar de impressão; Pela festividade annual que em o 1.o de dezembro de 1641 instituiu a cidade de Lisboa em memoria da acclamação do sempre augusto Rey D. João o IV, Lisboa sem data; Commento ás Lusiadas de Camões; sem anno nem logar da impressão; Ao serenissimo infante de Portugal o sr. D. Affonso, no dia solemnissimo do seu baptismo; tambem sem data da impressão; outros opusculos, e alguns manuscriptos.

Oliveira (Antonio Joaquim de), Revisor aposentado da Imprensa Nacional. N. em Lisboa a 20 de janeiro de 1827. Entrou para a referida imprensa, como typographo, a 10 de junho de 1853, sendo conjuntamente, desde 1860, um dos revisores do Diario de Lisboa, cargo em que foi aposentado pela sua avançada edade. Foi sempre muito dedicado ás associações das classes trabalhadoras e de beneficencia, e desde que em 1849 começaram a germinar em Portugal as idéas da necessidade e conveniencia da associação das classes de trabalho, como condição indispensavel para o seu melhoramento, alistou-se entre os propugnadores d'essas idéas concorrendo efficazmente para a sua realisação. Quando se fundou em 1841 o Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, alistou se logo como um dos associados, e ali exerceu durante bastantes annos o cargo de secretario, sendo presidente Antonio Rodrigues Sampaio e thesoureiro José Maria do Casal Ribeiro, mais tarde conde de Casal Ribeiro, notaveis estadistas já hoje fallecidos. Joaquim d'Oliveira foi

tambem socio de muitas outras associações industriaes e de beneficencia. Quando falleceu Antonio Rodrigues Sampaio, em Cintra, a 2 de setembro de 1882, toda a imprensa periodica lhe consagrou artigos saudosos, lastimando a falta de tão prestante e considerado homem de esta do, e Antonio Joaquim d'Oliveira escreveu tambem um notavel artigo intitulado Antonio Rodrigues Sampaio perante as associações populares, o qual foi publicado no Diario de Noticias em tres numeros successivos. N'este artigo punha em relevo os grandes serviços prestados por Sampaio ás associações, recordava as discussões realisadas no Centro Promotor sobre inoffensivas quanto uteis questões dos cereaes, da instrucção popular, da organisação das associações de classe; lembrando tambem os relevantes serviços de Antonio Rodrigues Sampaio no luctuoso anno de 1857, em que a Febre Amarella tanto flagelou a capital, desenvolvendo, na qualidade de presidente do Centro Promotor e de mem. bro da commissão official de soccorros, que então se elegeu, uma energia pasmosa reveladora de grande força de vontade, e da mais decidida disposição para cumprir os deveres da humanidade. A' citada commissão tambem pertenceu Antonio Joaquim d'Oliveira. No Ecco dos operarios, jornal redigido por Lopes de Mendonça e Sousa Brandão, estreou-se Antonio Joaquim d'Oliveira como escriptor e jornalista em 12 de outubro de 1850, publicando um artigo ácêrca da questão que por esse tempo se debatia sobre os estatutos por que se havia de reger a Associação Typographica, que então se creara; e no mesmo jornal escreveu successivamente mais alguns outros, de conformidade com as doutrinas a que se tinha dedicado. Collaborou depois no Jornal do Centro Promotor, fundado em principios de 1853, e na Tribuna do Operario, em 1854. Convencido, e mais alguns seus collegas, da utilidade da federação das associações já existentes e das que de novo se creassem, resolveu propagar e diffundir as suas opiniões n'este sentido, fundando para isso um novo jornal, a que puzeram o titulo de Federação. D'esta folha foi um dos redactores principaes e permanentes desde 29 de outubro de 1856, dia em que se publicou o primeiro numero, até á sua terminação em 13 de janeiro de 1866, em que completou o 10.° volume. Auto nio Joaquim de Oliveira foi condecorado com o grau de cavalleiro da ordem da Torre e Espada, por decreto de 14 de agosto de 1862, em remuneração de serviços humanitarios como membro da Sociedade dos Artistas Lisbonenses, por oc casião da invasão da epidemia da Febre Amarella em 1857.

Oliveira (Antonio Mesquita de). Cavalleiro professo da ordem de Christo, escriptor, etc. N. em Lisboa, e fal. em Castello Branco, ignorando-se as datas do nascimento e fallecimento. Era filho do desembargador Antão de Mesquita de Oliveira, e de sua mulher D. Antonia Beserra Cabral. Escreveu: Defensão da lingua portugueza; Capitão politico na vida do principe Luiz Barbalho; Historia d'Africa, e outras obras que

ficaram ineditas.

Oliveira (Antonio do Nascimento). Organista, pianista e compositor estabelecido em Setubal, ha annos fallecido. Era pae do violoncellista Frederico do Nascimento, professor no Ins

tituto Nacional de Musica do Rio de Janeiro. Na Bibliotheca Nacional existem de Antonio do Nascimento Oliveira as seguintes composições, muitas d'ellas autographas, que pertenceram a um convento de Setubal: Missa a 3 vozes e orgão; responsorios que se cantam em quinta e sexta feira santa, a 3 vozes e orgão; Miserere, a 3 vozes e orgão, partitura autographa com a data de 1879; Psalmos para a hora de noa, em quinta feira da Ascensão, a 3 vozes e orgão; Te Deum, a 4 vozes e orgão; Tantum ergo, a 3 vozes e orgão; partitura autographa com a data de 187); duas ladainhas a 3 vozes e orgão; antiphona Magne Pater Sancte Dominice, solo de soprano com acompanhamento de orgão; motete Dixerunt viri, para soprano a solo com acompanhamenta de orgão, partitura autographa com a da · ta de 1879; motete Si quis manducaverit para dois sopranos e orgão; Devoção para o mez de maio, a 3 vozes e orgão.

Oliveira (Antonio Pinto Leão de). Medico pela Escola Medico-Cirurgica de Lisboa. N. em Cezimbra a 1 de janeiro de 1846, fal. em Lisboa a 29 de junho de 1898. Era filho de Julião José de Oliveira, humilde negociante d'aquella localidade, e de D. Maria Rosa Pinto Leão. Veiu para Lisboa ainda muito novo, e estudou o curso de Medicina á custa de bastantes sacrificios e provações, leccionando disciplinas preparatorias. Apenas se formou, tendo já adquirido fama de bom medico, grangeou grande clinica, estabele. cendo se com consultorio na rua dos Fanqueiros. Assim conseguiu angariar alguns bens de fortu na. Era um dos mais devotados membros do partido republicano, a cuja direcção pertenceu algumas vezes, desempenhando por fim o cargo de thesoureiro da commissão administrativa do mesmo partido. Fez parte da vereação municipal de 1893, saindo da camara com a minoria republicana. O dr. Leão de Oliveira foi um dos fundadores do jornal O Seculo, propriedade que deixou em 1894. Era casado com D. Maria das Dôres Rêgo Leão de Oliveira, senhora de avul. tada fortuna.

Oliveira (Augusto Carlos Chaves de). Cirurgião Medico pela Escola Medico-Cirurgica do Porto. N. em Moncorvo a 28 de janeiro de 1835. Escreveu: Da electricidade applicada á therapeutica, especialmente das molestias cirurgicas these inaugural, Porto, 1861; Gazeta homeopa thica, orgão do Consultorio Homeopathico Portuense; publicação mensal, Porto, 1863. Redigiu ao principio este jornal juntamente com o dr. Raymundo Francisco da Gama.

Oliveira (Augusto Freire de). General de brigada reformado, que foi do corpo de administração militar. N. em 11 de junho de 1837, fal. a 26 de outubro de 1904. Assentou praça em 16 de abril de 1858, sendo promovido a alferes em 7 d'outubro de 1859, a tenente em 1 de julho de 1868, a capitão em 13 de julho de 1875, a major em 23 d'abril de 1884, e tenente-coronel em 19 de janeiro de 1887, a coronel en 14 de maio de 1891, reformando-se no posto de general de brigada a 28 de dezembro de 1899. Foi chefe da 1. repartição do ministerio da guerra. O general Freire d'Oliveira era commendador e cavalleiro da ordem de Aviz, e cavalleiro da de Nossa Senhora da Conceição; possuia a medalha de prata de comportamento exemplar.

« AnteriorContinuar »