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na Flora Lusitana e no Tratado de architectu

ra.

constava: Escudo partido em pala; a primeira cortada em faxa, em campo de ouro tres flôres de liz de purpura postas em roquete; na segunda, em campo negro duas faxas de ouro; na segunda pala, em campo de prata, uma oliveira de sua côr, com fructos e raizes de ouro. Este brazão foi concedido por alvará de mercê nova de 14 de setembro de 1879.

Oliveira Pimentel (Julio Maximo de). Foi visconde de Villa Maior. V. este titulo.

Oliveira Pinheiro (Manuel Felix de). Bacharel formado en Leis pela Universidade de oimbra. Exerceu por longos annos em Lisboa a advocacia, com grande credito. Foi socio e presidente da Associação dos Advogados, etc. N. em Lisboa a 23 de março de 1.74, e fal. a 24 de janeiro de 1845. Compoz numerosas allegações juridicas em muitos e variados processos, mas não consta que fossem publicadas senão as seguintes: Exposição que Luiz Antonio Esteves Freire e suas irmãs offerecem ao publico dos termos capitaes do pleito que lhes moveu Cypriano Antonio, pedindo lhes restituição da herança de seu tio o ex.mo Cypriano Ribeiro Freire, com o fundamento de ser do mesmo filho natural, Lisboa, 1928; sem 0 seu nome; Discurso juridico, pronunciado na sessão solemne da Sociedade dos Advogados, Lisboa, 1840; versa sobre a independen. cia do poder judicial. Na Gazeta dos Tribunaes, de 10 de fevereiro de 1815, vem publicado o seu Elogio historico escripto pelo dr. José Maria da Costa Silveira da Motta, recitado na Associação dos Advogados.

Oliveira Mourão (Leopoldo José de). Inspector da Academia de Bellas Artes do Porto. Nas ceu em Ilhavo em 1860. Fôram seus paes o dr. Antonio José de Oliveira Mourão, advogado commercialista distincto no Porto, onde falleceu em 1882, e D. Maria Antonia Mourão, tambem já fallecida. Em 1lhavo fez os seus primeiros estudos, indo para o Porto aos dez annos de edade. Ahi fez os seus estudos secundarios, seguindo depois para Coimbra, onde se formou em Direi to. Ainda quintanista casou com uma senhora filha unica d'um rico commerciante e industrial do Porto, fixando residencia n'esta cidade. Com o estudo e as viagens pelo estrangeiro se illustrou bastante. Attrahido pela politica filiou-se no partido progressista, sendo logo nomeado admi nistrador do concelho de Gaia e pouco depois governador civil substituto do Porto. Em 1892 representou em côrtes o circulo de Gaia, tazendo a sua estreia em 4 de julho de 1893. Occupando em 1897 o honroso cargo de presidente da Associação Commercial do Porto, onde a sua acção se tornou benefica para a solução de difficeis as sumptos commerciaes, foi proposto pelo partido progressista deputado pelo Porto. Em outubro de 1904 foi novamente o sr. dr. Leopoldo Mourão investido no cargo de governador civil do Porto. Desvelado protector das créches de Santa Marinha de Gaia, o seu nome e o de sua esposa estão inscriptos entre os dos seus maiores protectores. Em janeiro de 190; foi nomeado inspector da Academia de Bellas Artes do Porto. Oliveira Pinto (José Julio de). Bacharel for Na sessão solemne de distribuição de premios mado em Direito pela Universidade de Coim. aos alumnos da mesma academia, em 1 de novem- bra. N. em Barqueiros, da provincia de Traz-09. bro de 1907, o sr. dr. Leopoldo Mourão, alludin- Montes, em 1830; e fal. em 1868. Era filho d'um do ao seu cargo, disse: «Cargo que occupo, me- pintor de pouco valor. Matriculou se na Univernos pela minha competencia e saber do que pelo sidade, sendo sempre premiado durante o curso. culto que tenho por cousas d'arte, e pelo enthu- Foi conselheiro, deputado e official-maior da sesiasmo que sinto pelo progresso das bellas-ar-cretaria do ministerio da justiça. Era homem de tes no meu paiz.» Effectivamente o sr. dr. Leo- grande intelligencia, mas d'um genio muito inpoldo Mourão é de ha inuito considerado um dos dependente, não querendo nunca acceitar as opimais intelligentes amadores de bellas-artes e já niões, decidindo as questões sómente como elle em 1891, em seguida ao concurso para o monu. as entendia. Como deputado era bom orador, mento do infante D. Henrique, foi solicitada a mas os seus discursos resentiam-se muito d'esse sua opinião pelo jornal Primeiro de Janeiro, que defeito, e as suas palavras tornavam-se por veassim se lhe referia: «Procurámos um dos nossos zes asperas e offensivas, chegando á grosseria. mais intelligentes amadores de bellas-artes, o N'uma sessão das côrtes dirigiu algumas palasr. dr. Leopoldo Mourão. Muito lucido, com uma vras amargas e grosseiras a um respeitavel depaixão intensa pelas coisas artisticas, muito il-putado já bastante edoso, Manuel de Sá Noguei lustrado nos livros e nas viagens, o dr. Leopoldo ra, irmão do marquez de Sá da Bandeira, e obsMourão precisava de figurar aqui com o seu pa- tinando-se em não querer retirar as expressões recer. Não nol-o negou elle; pelo contrario, re- inconvenientes que proferira, antes aggravancebendo-nos no seu delicioso gabinete tão inte- do-as com outras grosserias, um sobrinho do of. ressante de estatuetas, de quadros, de moveis fendido, Miguel de Sá Nogueira, official do exerpreciosos e de bibelots, quiz conversar em fran- cito, o desafiou, e n'esse duello falleceu. ca palestra comnosco sobre o concurso.» O Jornal de Ilhavo, de 11 de fevereiro de 1906, publicou uma biographia, com retrato, do sr. dr. Leopoldo Mourão, com cuja collaboração se honra, tendo publicado em folhetins uma sua traducção do romance francez O Grande Industrial.

Oliveira do Paço (Antonio Martins de Oli veira, 1° visconde de) Moço fidalgo com exercicio. Era natural do logar de Paço, freguezia do Sobrado, concelho de Vallongo. Foi agraciado com o titulo de visconde por decreto de 15 de maio de 1879, e com o fôro de fidalgo em 20 de setembro do mesmo anno. O seu brazão d'armas

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Oliveira Pinto (Manuel de). Bacharel formado em Direito Civil pela Universidade de Coimbra, desembargador da Relação do Porto, etc. N. em Cascaes, fal. em Lisboa em 1754. Era filho de Jeronymo Ferreira de Oliveira e de Colecta de Campos Tolosa. Foi juiz de fóra da villa do Crato, provido a 6 de novembro de 1729, donde passou a juiz de fóra da cidade de Olinda, capital do estado de Pernambuco, ouvidor em Alemquer e auditor da gente militar da pro. vincia do Alemtejo. Publicou em seu nome no anno de 1730 uma obra escripta em latim, por seu irmão o P. Antonio da Annunciação.

Oliveira Pires (Julio Augusto de). General de brigada. N. em Lisboa a 6 de novembro de 1836, onde tambem fal. em 27 de abril de 1897. Era filho de José Antonio Pires e de D. Marianna Carlota de Oliveira Pires. Tinha os cursos do Real Collegio Militar e da arma de infantaria. Assentou praça no regimento de infantaria n. 16 em 11 de agosto de 1853, sendo promovido a alferes em 4 de outubro de 1865, a tenente em 12 de setembro de 1866, a capitão em 8 de outubro de 1873, a major em 31 de outubro de 1884, a tenente coronel em 17 de agosto de 1887, ação dos Typographos Portuenses. eoronel em 5 de fevereiro de 1890, e a general de brigada em 4 de janeiro de 1897. Por decreto de 20 de abril de 1868 foi nomeado adjunto á primeira direcção da secretaria de estado dos negocios da guerra. Em 16 de novembro do mesmo anno foi nomeado para auxiliar o secretario da commissão de que era presidente o general de divisão José Maria Baldy, encarregada de elaborar um projecto de programmas de exames para os postos de major e de general de brigada. Em 15 de outubro de 1873 foi nomeado profes sor da cadeira de geographia, chronologia e historia, do Real Collegio Militar; por decreto de 31 de outubro de 1884, foi major do estado-maior de infantaria; tomou parte da commissão de codificação da legislação militar, e da de aperfei çoamento da arma de infantaria. Durante muitos annos commandou o regimento de infantaria n.o 16, onde prestou assignalados serviços. Em 1893, estando no poder um ministerio presidido pelo conselheiro José Dias Ferreira, foi eleito deputado, sendo escolhido para relator do projecto de resposta ao discurso da cerôa. Em 1895 fez parte da commissão das festas do centenario antonino. Por mais d'uma vez, pelo seu elevado merecimento, esteve indigitado para ministro da guerra. Era socio da Sociedade de Geographia de Lisboa, de que foi vice-presidente, cargo que exercia quando falleceu. O'Instituto Polytechnico brazileiro o elegeu seu socio correspondente. Collaborou em varios jornaes, entre elles, a Re vista militaro Diario Illustrado, onde publicou a biographia do general D. Carlos Mascareabas; no Correio da Europa escreveu artigos neerologicos do arcebispo de Gôa D. Ayres de Orsellas, e do visconde do Rio Branco. Era grande official, commendador e cavalleiro da ordem de 8. Bento de Aviz; cavalleiro da de Nossa Senhora da Conceição, e possuia a medalha de prata de comportamento exemplar. Tambem possuia as seguintes distincções das ordens estrangeiras: commendador de Izabel a Catholica e de Carlos III, de Hespanha; da Rosa do Brazil, de S. Mauricio e8. Lazaro de Italia, de Leopoldo da Belgica, cavalleiro da 3. classe da de S. Estanislau da Russia. Foi casado com D. Maria Joanna Silveira da Motta Oliveira Pires, filha do advogado dr. José Maria da Costa Silveira da Motta, irmã do fallecido conselheiro dr. Ignacio Francisco da Silveira de Motta, e do tabellião, sr. José Xavier da Silveira da Motta.

Oliveira Portugal (Francisco José de). Decano dos typographos do Porto. N. em 1823, e fal. em janeiro de 1902. Nos tempos agitados de 1846 alistou-se como voluntario no 2.0 batalhão dos Artistas Portuenses, que tinha por major José Joaquim Gonçalves Bastos. Recebeu o posto de alferes, e quando terminou a guerra civil volveram todos, officiaes e soldados, ao trabalho a que tinham dedicado a sua actividade, e desde então Oliveira Portugal nunca mais deixou a typographia. Foi um dos fundadores da Associa

Oliveira Ramos (João de). Jornalista. N. em Ovar a 30 de maio de 1835, fal. no Porto em 1 de abril de 1909. Estudou no Porto, onde fez o curso de pharmacia. Dedicando-se ao jornalismo, começou a escrever em 1867, aproximadamente, no Jornal do Porto, onde permaneceu longo tem

Oliveira Pombinho (Bernardino Justiniano). Official bibliographo na Bibliotheca Publica de Lisboa, logar para que foi nomeado em 1:06. Fal., segundo parece, entre os annos de 1823 1825. Escreveu: Poesias de B. J. O P. dedicadas a Elpino Duriense, Lisboa, 1812; Poesias, Lisboa, 1817; Poesias, Lisboa, 1820.

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João de Oliveira Ramos

po, assumindo depois a direcção do Progresso Commercial, mais tarde da Lucta, sendo seus os artigos programmas d'estes jornaes que tanta acceitação tiveram, especialmente a Lucta, de que tambem era redactor Urbano Loureiro. Em 1875 entrou para a redacção do Primeiro de Janeiro, e ali se conservava ainda á data do seu fallecimento. Quer no artigo de polenica, quer na chronica litteraria e artistica, João Oliveira Ramos evidenciou sempre as suas grandes quali dades de escriptor vernaculo e elegante. Espirito d'uma grande cultura e coração d'uma grande bondade, os seus collegas do jornalismo chamavam-lhe o Pae Ramos. O distincto publicista foi um dos fundadores e o primeiro vice-presidente da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, tendo depois occupado a presidencia d'esta collectividade, a que prestou largos e relevantes serviços. Reconhecida a tantas dedi

cações e desvelos, a Associação inaugurou na sa la das sessões o seu retrato a oleo, trabalho de grande valor artistico e de perfeita similhança, do apreciado pintor Julio Costa. A inauguração realisou-se em sessão solemne em 28 de novembro de 1897, seguindo-se um banquete de homenagem ao venerando jornalista. João d'Oliveira Ramos era socio do Instituto de Coimbra, socio honorario da Associação da Imprensa e da Assoção dos Jornalistas de Lisboa. Foi um dos fundadores da Sociedade de Geographia Commercial Portuense, instituida em 1880, para celebrar o tricentenario de Camões; presidente da commissão da imprensa portuense organisada em 1888 para angariar donativos para as victimas do incendio do theatro Baquet, prestando n'esta desoladora conjunctura muitos e bons serviços. Representou a Associação dos Jornalistas do Porto nos congressos da imprensa realisados em Lisboa e em Liége, 1898 e 1905, e tomou parte activa em todos os actos realisados pela impren sa portuense em defeza dos seus interesses e re galias. Oliveira Ramos era o decano dos jorna listas portuenses. Seu filho sr. Manuel Maria de Oliveira Ramos é major do Estado Maior, lente do Curso Superior de Letras e professor do Real Collegio Militar.

Oliveira Reguenga. Pov. na freg. de Santa Maria, de Sardoura, conc. de Castello de Paiva, distr. de Aveiro.

Oliveira Rollão (Jorge Gaspar de). Bacharel formado em Medicina pela Universidade de Coimbra. N. em Alpedrinha a 23 de abril de 1783, onde tambem fal, a 3 de novembro de 1833. Era filho de Antonio Gaspar d'Oliveira e de Izabel Joaquina de Oliveira Rollão. Frequentou com distincção a faculdade de Medicina, sendo premiado nos 1.o, 2.o, 3.o e 4.° annos do respectivo curso, recebendo o grau de bacharel em 10 de junho de 1808, formando-se no anno seguinte. Exerceu largos annos a clinica na sua terra natal e suas proximidades. Escreveu: Breve descripção topographica da villa de Alpedrinha e seu districto, na comarca de Castello Branco, Lisboa, 1814, no Jornal de Coimbra, vol. VI, pag. 13; Contas medicas, relativas a diversos mezes do anno de 1817, Lisboa, 1818, no mesmo jornal, vol. XII, pag. 205.

Oliveira Serpa (P. José de). Presbytero secular e prégador afamado na cidade da Bahia, onde nasceu a 13 de janeiro de 1696. Fal. na se. gunda metade do seculo xvn. Era filho de Francisco Alvares Carneiro e de D. Archangela Guedes de Brito. Estudou humanidades no collegio da Companhia de Jesus da sua patria, e philosophia, pelo que recebeu o grau de mestre em Artes. Frequentou tambem os estudos de Theologia e da Sagrada Escriptura, tomando de pois erdens de presbytero. Escreveu: Sermão da Soledade de Nossa Senhora, prégado na matriz de S. Pedro da Bahia em 27 de março de 1739, Lis boa, 1740; Sermão de Nossa Senhora da Porta do Céo, prégado na egreja de S. Pedro dos Clerigos da Bahia em 1743. Lisboa, 1744; Sermão da "Conceição da Virgem Maria, prégado na egreja da Lapa, etc., em 1744, Lisboa, 1746.

Oliveira e Silva (Candido Antonio de). Professor régio de Grammatica latina, na villa de Punhete, hoje Villa Nova de Constancia, terra da sua naturalidade. Escreveu: Aviso aos estu

dantes de Grammatica latina, sobre o modo mais facil de estudar e analysar os periodos latinos, por mais extensos e embaraçados que sejam, Lis. boa, 1800; Noticia analytica das aguas ferreas da villa de Punhete; seu modo de obrar, molestias em que são proprias, e direcções para o seu uso, Lisboa, 1799.

Oliveira Soares (Alexandre Augusto de). Doutor em Medicina pela Escola de Paris, medico do hospital de S. José, socio da Academia Real das Sciencias de Lisboa, etc. N. n'esta cidade em 17 de novembro de 1811, onde tambem fal. em 9 de abril de 1811. Tendo estudado em Paris obteve em 18 14 o diploma de doutor, tendo defendido em 7 d'agosto d'esse anno a sua these, que imprimiu em francez, com o titulo: De l'Endermie et de son application au traitement des fiévres intermittentes, etc. Voltando depois para Lisboa, foi nomeado medico extraordinario do hospital de S. José em 10 de novembro do referido anno de 1834, passando a medico de tarde e inspector da botica em 1838, e a director de enfermaria em 1839. Foi lente substituto da Escola Medico Cirurgica de Lisboa. Escreveu muitos artigos scientificos no Jornal da Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa, no anno de 1835 e seguintes, entre os quaes se contam: Algumas reflexões sobre a necessidade de uma reforma medica. Publicou tambem os seguintes livros: -Considerações physiologico-praticas sobre a Medicina cutanea, Lisboa, 1855; mandadas publicar pela Academia Real das Sciencias, a quem o seu autor as offerecera, recebendo n'essa occasião o titulo de socio; Memorias para a historia da medicina portugueza desde o principio da monarchia até á fundação da Universidade, Lisboa, 1835; Historia da medicina lusitana, manuscripto offerecido á Academia Real das Sciencias. Fal. contando apenas 30 annos de edade.

Oliveira Soares (Antonio Maria de). Cirur gião-medico pela Escola Medico-Cirurgica de Lisboa, fallecido em Lisboa a 28 de junho de 1885. Era filho d'um distincto medico da armada. Desde a infancia o fascinou a vida do mar, e se attendesse aos seus proprios desejos teria feito o curso de official de marinha. Seu pae, porém, desejava que elle tambem se dedicasse á medicina, e o joven estudante, não querendo ir contra a vontade paterna, fei matricular-se na Escola Medica, e aos 19 annos de edade concluiu o curso, mas, para de algum modo lisonjear o seu amor pela vida maritima, alistou-se no quadro medico da armada. Depois de duas viagens a Africa, Oliveira Soares reconheceu que não po dia continuar na vida aventurosa das viagens, na lucta das ondas embravecidas, e deixou a mariuha, começando a exercer clinica em Lisboa, tornando-se logo tão afamado que o homem de estado Fontes Pereira de Mello o chamou para seu medico. Oliveira Soares foi nomeado em 1850 cirurgião extraordinario do hospital de S. José; cm 5 de maio de 1865 para director do Banco, em 1 de junho de 1866 para director de enfermaria, passando em 1884 a fazer serviço no hospital de Rilhafolles. Foi sub delegado de saude, membro da junta de saude publica, etc. Fal. victima de diabetes. Escreveu muitos artigos valiosos em varios jornaes de medicina, e publicou em 1862 a Estatistica medica do hospital de S. José.

Oliveira Soares (José Antonio de). Um dos

maiores e mais considerados lavradores do Alemtejo. E' natural de Evora, e representante d'um dos mais importantes centros agricolas do paiz n'aquella provincia, por muito tempo chamada a Charneca de Portugal. Hoje, porém, felizmente, intelligencias superiores e grandes capacidades se teem occupado da agricultura nacional, e aos seus esforços se devem os progressos, de que dão testemunho importantes instituições completamente modernas, como são os syndicatos agricolas, as adegas sociaes, as associações de agricultura, os mercados centraes de productos agricolas e outras. A todas estas instituições, existentes na provincia do Alemtejo, o sr. conselheiro Oliveira Soares tem prestado o valioso concurso da sua superior instrucção, da sua energica e intelligente iniciativa e boa vontade, e da sua fortuna agricola, que é das primeiras do districto de Evora. O sr. conselheiro Oliveira Soares é presidente da direcção do benemerito Real Syndicato Agricola de Evora, outr'ora Federação agricola do districto de Evora, a que egualmente presidiu. Tem prestado grandes serviços ao Syndicato, e portanto aos interesses agricolas de Evora. E' tambem antigo presidente da Delegação do Mercado Central de productos agricolas em Evora, e em 1903 era presidente da administração do ar mazem geral d'aquella cidade; é egualmente membro do conselho do Mercado Central, na qualidade de delegado da Real Associação Central de Agricultura Portugueza, vice presidente da assembléa geral da Adega regional do Alemte. jo e presidente do conselho fiscal do Banco Eborense. Em maio de 18.9 el-rei D. Carlos, tendo ido a Evora assistir a uma imponente festa agricola em sua honra, ali realisada, reconheceu serem tão valiosos os serviços prestados pelo Syndicato Agricola e pelo seu presidente, que ao Syndicato deu as honras da sua presidencia honoraria e o titulo de Real, e ao presidente, o sr. conselheiro Oliveira Soares, a commenda e a gran cruz do Merito Agricola. Além dos seus meritorios serviços na cooperação collectiva em bem da agricultura nacional, o abastado proprie tario tem enriquecido a industria agricola com os bons creditos dos artigos produzidos nas suas herdades de Pera Manca, entre os quaea se assignalam os vinhos brancos fabricados com a celebre casta gallego dourado, que alcançam sem pre os primeiros premios nas exposições onde apparecem, possuindo já as medalhas de ouro e prata nos certamens industriaes agricolas de Pa ris, Bordéos, Arcachon, Rochefort, Marselha, Cannes, etc. Na Exposição Pecuaria Agricola, ha pouces annos se realisou em Evora, sendo presidida por el-rei D. Carlos, e louvada em portaria datada, d'aquella cidade, ficou bem pa tenteada a actividade e dedicação do sr. conse. lheiro Oliveira Soares pela causa agricola d'essa região. Reconhecendo el rei os seus altos serviços, concedeu lhe a carta de conselheiro. Essas mercês não ensoherbecem o agraciado que, desempenhando n'outro tempo o logar de governador civil do seu districto e de membro da commissão districtal, e sendo hoje membro do conselho de agricultura districtal, põe acima dos interesses politicos o interesse superior do paiz, e em particular o do districto de Evora. Está fi liado no partido regenerador-liberal.

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Oliveira e Sousa (Antonio das Neves). Reitor

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da Universidade de Coimbra. N. em Coja, do concelho de Arganil, e formou se em 1869, obtendo sempre durante o curso as primeiras classificações. Em 1870 foi nomeado administrador do concelho de Oliveira do Hospital, onde teve de superintender em casos difficeis de resolver. Em seguida foi despachado delegado do ministerio publico para a comarca de Taboa, depois transferido para a de Montemor-o-Velho, mais tarde para Coimbra. Em 1882 foi nomeado juiz para a comarca de Ancião, em 1885 para a das Caldas da Rainha, e em 1887 para a de Almada, onde tratou e julgou o caso dos 50 incendiarios de Cezimbra, a bordo do Africa, serviço de que foi especialmente encarregado pelo ministerio da jus tiça. Em 1890, sendo governador civil do districto de Coimbra, conseguiu, com o seu bom criterio e bondade natural, serenar os animos, que estavam exaltados, por parte da população academica, quando se deu o caso do ultimatum de janeiro d'esse anno. Voltou novamente ao cargo de juiz para as Caldas da Rainha, e pouco depois, teve transferencia para Lisboa, vindo para o juizo de instrucção criminal executar pela primeira vez a lei da imprensa. Tornando a ser novamente governador civil de Coimbra, ali se conservou até 1896, voltando então a Lisboa como juiz da segunda vara civel, logar que desempenhou durante tres annos, sendo então despachado desembargador da Relação de Ponta Delgada, e em agosto de 190; auditor do Tribunal Superior do Contencioso Fiscal. Em 1907 foi collocacado na Relação de Lisboa como juiz desembargador, sendo em novembro d'esse anno nomeado reitor da Universidade de Coimbra, quando deixou aquelle cargo o sr. conselheiro D. João d'Alarcão. O sr. conselheiro Neves e Sousa é casado com a sr. D. Adelaide Sant'Iago.

Oliveira e Sousa (José de). Contador dos contos do Keino e Casa. N. em Lisboa em 1680, e fal. em Vienna d'Austria a 6 de janeiro de 1731. Era filho de Manuel Luiz de Sousa e de Barbara do Oliveira. Foi escrivão do thesoureiro da embaixada do marquez de Alegrete a Vienna d'Austria em 1708, e tão pomposa foi essa embaixada que realmente precisavam as suas finanças de uma organisação desenvolvida; depois serviu de secretario ao conde de Tarouca, plenipotenciario no congresso de Utrecht, em que se assignou, em 1715, o tratado de paz conhecido por aquelle nome. Por sua morte deixou uma numerosa livraria, principalmente de obras historicas. Publicou apenas um epitalamio, escripto em hespanhol, dedicado ao casamento de D. João V, que se imprimiu em 1708.

Oliveira e Sousa (D. José Luiz de Saldanha). Moço fidalgo com exercicio, bacharel formado em Mathematica e Philosophia pela Universidade de Coimbra, antigo director da Casa da Moeda, deputado, addido bouorario á legação portugueza em Madrid, etc. N. em Lisboa a 31 de maio de 1839, sendo filho de João de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa, 3.o conde de Rio Maior (V. este titulo), e da condessa, sua mulher, D. Izabel de Sousa Botelho Mourão e Vasconcellos; irmão do 4.° conde e 1o marquez de Rio Maior, Antonio José Luiz de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa. Cursou o lyceu de Coimbra apenas um anno, fazendo então exame de todas as disciplinas que constituiam o curso

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d'aquelle estabelecimento, obtendo approvação | Memoria sobre os minerios de cobre, seu valor nemine discrepante. Em 1861, contando 22 annos commercial e ensaios industriaes dos mesmos minede edade, concluiu os seus estudos na Universi. rios; saiu no Jornal da Sociedade Pharmaceutica dade de Coimbra, formando-se nas faculdades já Lusitana, 1871, tomo II; Noções de geometria des· citadas, alcançando durante o curso as primeiras criptiva; no Instituto, de Coimbra, vol. XVI, pag. distincções. Veiu para Lisboa matricular-se na 103 e seguintes; Um protesto contra a duvida, Escola do Exercito, e em 1862 partiu para Fran- Lisboa, 1868; Portugal perante as convenções moça, onde se conservou até 1864, dedicando-se aos netarias; na Gazeta de Portugal, de 10 de agosto estudos e trabalhos de chimica, mineralogia, de 1867; Memoria sobre os ensaios chimicos por physica e mineralogia descriptiva, com os mes- meio dos licores graduados, offerecida á Sociedatres mais afamados d'estas sciencias n'aquella de Pharmaceutica Lusitana, etc., Lisboa, 1870; epoca. Por elle fôram examinadas, em casa do Estatistica das moedas de ouro, prata, cobre e celebre mineralogista Laeman, parte das colle- bronze que se cunharam na casa da moeda de Liscções de mineraes, que, n'esse periodo, vieram boa desde o primeiro de janeiro de 1782 até 31 de para os museus e escolas de Lisboa, Porto, Coim- dezembro de 1871, segundo consta dos respectivos bra, e outras do paiz. Em 186 concorreu á 7. livros que existem na mesma repartição, Lisboa, cadeira do Instituto Industrial de Lisboa, em op. 1873; Catalogo dos punções, matrizes e cunhos de posição a Antonio Augusto de Aguiar, que foi o moeda, existentes na casa da moeda, organisado preferido. Em 1865 teve a nomeação de ensaia- pelo gravador Casimiro José de Lima por ordem dor fiscal da Casa da Moeda e Papel Sellado, sen- da direcção, etc., Lisboa, 1873; com uma gravudo em seguida encarregado da direcção d'a ra; Apontamentos para a historia da gravura em quelle estabelecimento do Estado, emquanto o Portugal, Lisboa, 1873; Repertorio chronologico director effectivo occupava a cadeira ministerial de parte da legislação portugueza sobre a moeda, para que fôra nomeado, periodo em que prestou Lisboa, 1873; Apontamentos para a historia da importantes serviços, que lhe valeram ser no- moeda em Portugal, Lisboa, 1879; publicação feimeado director effectivo em 25 de maio de 1870, ta na presença dos documentos pertencentes ao cargo de que se exonerou, a seu pedido, em 1880. cartorio da Casa da Moeda, comprehendendo uma Em 1565 foi nomeado addido honorario á legação série de mappas demonstrativos, de 1517 a 1525, portugueza na côrte de Madrid, não chegando a organisados por Pedro José Marcos Fernandes, ausentar-se do reino por ter sido requisitado pa- perito em paleographia, acompanhado de notas ra o serviço da Alfandega de Lisboa, na quali-e extractos; Breves considerações sobre a guarda dade de perito. Em 1880, sendo eleito deputado, cedeu os seus honorarios em favor de diversas casas de beneficencia, o que repetiu em 1882, na legislatura em que tornou a ser eleito. O sr. D. José Luiz de Saldanha e Sousa é socio da Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes, desde o anno de 1867; da Associação dos Engenheiros Civis Portuguezes, para cujo desenvolvimento muito contribuiu; da Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa, desde 1871; da Sociedade de Geographia; da Socidade Pharmaceutica Lusitana, do Instituto de Coimbra, da Real Associação Central de Agricultura Portu. gueza, em que tem exercido cargos elevados, tornando se notavel a fórma como dirigiu os trabalhos do Congresso Agricola reunido em Lisboa no anno de 1888; membro do Congresso Municipal de Beneficencia Publica, socio da Associação Protectora das Escolas Asylos para rapazes pobres, membro da confraria de caridade da freguezia de S. José, da commissão administrativa do Asylo de D. Maria Pia, do asylo para educação de costureiras e creadas, da caixa de soccorros dos operarios da Casa da Moeda; da Associação Central Primeiro de Dezembro, do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, do Monte-pio official, da Associação dos Empregados do Estado e da Sociedade da Cruz Vermelha. Casou em 16 de outubro de 1373 com D. Barbara Maria Tavares Proença, filha de Oliveira Tavares Junior (José de). NasFrancisco Tavares de Almeida Proença, par do ceu em Cardigos, da provincia da Beira Baixa, a reino, doutor em Direito, etc., que fal. em 25 de 22 de março de 1857, sendo filho de Joaquim de agosto de 1872, e de sua mulher, D. Maria da Oliveira Tavares e de D. Luciana Maria TavaPiedade Fever iro. Bibliographia: Noções de res. Não podendo seguir estudos regulares supephilosophia chimica, Lisboa, 1866; Breves refle-periores, por circumstancias particulares, dedixões sobre a moeda, Lisboa, 1866; Algumas palavras sobre tres hypotheses scientificas em philosophia, chamada positiva, Lisboa, 1867; Algumas considerações sobre a crise agricola, Lisbra, 1856,

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do domingo, Lisboa, 1882; A questão operaria, Lisboa, 1897; etc. Foi collaborador effectivo do jornal Autonomia Portugueza; tem publicado muitos relatorios de diversas sociedades, e muitos artigos em jornaes politicos, scientificos e litterarios. O sr. D. José Luiz de Saldanha Oliveira e Sousa concorreu muito para o progresso da Casa da Moeda, que a collocou a par com as casas similares do estrangeiro. Tem sido um devotado propugnador do progresso da agricultura nacional, que considera uma das fontes mais opulentas da riqueza publica.

Oliveira e Sousa (Simão de). Doutor em Me. dicina. N. em Lisboa em 10 de agosto de 1678, tal. no meado do seculo xvi. Era filho de Manuel de Oliveira e Sousa, cavalleiro da ordem de S. Thiago, e de D. Maria do O'. Escreveu: Fi nezas de Jesus Christo e affectos da alma amante, Lisboa, 1738; Peregrinação de Angelica, desde que saiu dos jardins do proprio conhecimento, d'orde nasceu, até que recebeu o habito das virtudes no convento da Santa Pobreza, onde professou, etc., Lisboa, 1738.

Oliveira Tavares (Hilario de). Escriptor, natural de Lisboa, e que viveu no seculo XVIII. Era filho de Alexandre de Oliveira, e foi creado do infante D. Manuel, irmão de João V. Dos seus escriptos apenas se conhece publicada uma Novena de S. Braz, em 1731.

cou, comtudo, as horas de ocio aos classicos e poetas de melhor nota, adquirindo assim pela leitura uma instrucção variada. Foi presidente da junta de parochia da freguezia de Nossa Se

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