Poemas heroicos: de mesma geração de Luiz Vaz de Camões, cantor dos "Luziadas" ; recentemente encontrados por Mario Saa

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Lumen, 1921 - 263 páginas

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Passagens conhecidas

Página 260 - ••'•• : Que houvesse aí no mundo Apartar-me eu de vós, minha Senhora! Para que, desde agora, Já perdida a esperança, Visse o vão pensamento Desfeito em um momento, Sem me poder ficar mais que a lembrança, Que sempre estará firme, Até no derradeiro despedir-me.
Página 12 - E' um contentamento descontente ; E' dor que desatina sem doer; E' um não querer mais que bem querer ; E' solitario andar por entre a gente; E' um não contentar-se de contente ; E...
Página 256 - Cheia toda de mágoa e de piedade, Enquanto houver no mundo saudade, Quero que seja sempre celebrada. Ela só, quando amena e marchetada Saía, dando ao mundo claridade, Viu apartar-se de uma, outra vontade, Que nunca poderá ver-se apartada.
Página 260 - Mas a mor alegria que daqui levar posso, com a qual defender-me triste espero, é que nunca sentia no tempo que fui vosso quererdes-me vós quanto vos eu quero; porque o tormento fero de vosso apartamento não vos dará tal pena como a que me condena: que mais sentirei vosso sentimento, que o que a minha alma sente.
Página 11 - E' um não contentar-se de contente ; E' cuidar que se ganha em se perder. E" um estar-se preso por vontade ; E' servir a quem vence o vencedor ; E' um ter com quem nos mate lealdade.
Página 259 - Pouco e pouco crescendo, Para nunca acabar se começaram. Ali se me mostraram. Neste lugar ameno Em que inda agora mouro, Testa de neve e de ouro, Riso brando e suave, olhar sereno, Um gesto delicado, Que sempre na alma me estará pintado. Nesta florida terra, Leda, fresca e serena, Ledo e contente para mi m vivia; Em paz com minha guerra, Glorioso co' a pena Que de tão belos olhos procedia.
Página 262 - Onde uma e outra chave Esteve de meu novo pensamento, Os campos, as passadas, os sinais, A vista, a neve, a rosa, a formosura, A graça, a mansidão, a...
Página 259 - Vão as serenas águas Do Mondego descendo E mansamente até o mar não param, Por onde as minhas mágoas, Pouco a pouco crescendo, Para nunca acabar se começaram.
Página 259 - Ve-la a um apetite submetida; Mas dentro na alma o fim do pensamento, Por tão sublime causa, me dizia Que era razão ser a razão vencida. Assim que, quando a via ser perdida, A mesma perdição a restaurava; E em mansa paz estava Cada um com seu contrário em um sujeito.
Página 154 - A tarimba lhe faz, donde o reclina, E em tanta solidão, em pena tanta, Lagrimas chora, quando psalmos canta ! Já a terra esperava o seu tesouro, Mas falta para abri-la o instrumento, E ela, que na demora faz desdouro, Esteve por romper-se em tal intento. Pois, de quanto ao mundo dá em ouro, Se paga, sendo a Paulo monumento ; Porque com estas cinzas, presumia, Nem o filho do sol tinha valia...

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