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Era vulg. Gama , este respondeo ' ao cumpri

mento do Emissario : Alim me toma o Senhor Martin Affonso como la. draó nocturno ? Ora dizei-lhe

que seja bem vindo.

!

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LIVRO XLVIII.

Da Historia Moderna de Portugal,

CAPITULO I.

Continuaçao do Reinado de D. Joað III. com os (uccellos do anno de 1542,

na Europa ; Africa ; e Asia.

EU

acabei a Historia do Livro' pre- Era vulg.

а cedente no ponto da chegada de Martim dffonfo de Sousa no mez de Maio deste anno á Cidade de Goa para fucceder no governo da India a D. Ertevað da Gama; e este ponto he a Época , de que me sirvo para a continuaçao da Historia neste presente Livro. Deixando-o porém descançar das fadigas da tormenta , que o levou quasi naufragante ao porto da Capital da India

eu passo a dar hum giro breve pela Europa e pela Africa nað fó

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Era vulg. como divida da' narraçao mas para

divertir os Leitores com variedade de fuccellos em differença de lugares , ainda que çom deggyal complacencia. Daqui em diante já nos entramos a ver que consumidos pela morte os grandes filhos da disciplina dos Menezis , dos Ataides dos Almeidas, dos Albu- . querques,

dos Cunhas e de outros Heroes de grande nome; parou o cur, so rápido das nossas conquistas, a fundaçao de praças , largando algumas buscando a paz, crescendo a cobiça , já nos homens nað tað vulgar a gran. deza do espirito, os mais qualificados humas creaturas de G mesmos sem in Auencias alheias, correndo Portugal á decadencia.

Neste Reino se mostrava o seu Prin. cipe justamente escandalisado de hum vafallo favorecido, que estimava mais o peso das Dignidades , que o valor da fidelidade devida aos Soberanos. D. Miguel da Silva, filho de D. Diogo da Silva , primeiro Conde de Portalegre . e Ayo do Rei D. Manoel , girando várias partes da Europa , fazendo-se lu.

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gar entre os homens grandes do seu ' Era' vulgi
tempo, este Rei o enviou á Corte de
Roma por Embaixador a Leao X., e
para assistir em seu nome ao Concilio
Lateranense. O mesmo caracter conser-
you nós Pontificados de Adriano VI.,
e de Clemente VIII. : affilencia lon-
ga em huma Corte polida , que lhe
ganhou o gosto , attrahindo-o com a
doçura das Dignidades Ecclefiafticas.
Em attençao ao seu merecimento nao
lhe faltou com ellas D. Joao III., que
já dominava', quando D. Miguel vol-
tou ao Reino. Elle o fez Commenda-
tario e Prior perpetuo do Mosteiro
de Landim de Conegos Regrantes,
Abbade de Santo Tyrfo, depois Bispo
de Viseo, e Escrivað da Puridade; Offi-'
cio da maior confiança na Casa Real,
como deposito, que entað era dos cora-
ções dos Reis deste Reino.

Ainda nao contente D. Miguel da
Silva , negociava em Roma com cave'
tela o Capelo de Cardeal, que no an.
no de 1539 lhe conferio'o Papa Paus"
lo III. Como esta graça lhe fora feita
sem beneplacito do Rei, a Soberania

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Esp vulg. nao podia deixar de sentir-se da con

descendencia do Papa, e do arrojo do vaffallo. Ao primeiro se fizeraõ queixas; o a segundo , que nao podia deixar de temer a indignaçao Real , fugio para Roma aonde tomou o Capelo, que podia teçer brilhante com as grossas som nas, que levára de Portugal. El-Rei com este novo estimulo mais aggravado, por Edictos públicos o desnaturalisou, com expulsao de todas as honras, e riquezas , que tinha no Reino ; ful. minando as mesmas penas ás pessoas de qualquer qualidade, que tivessem cor. respondencia com elle.

Mais attento ao amor fraternal, que á delicadeza da observancia da ordem do Rei, seu irmao D. Jorge da Silva, nað só o tratava mas promovia os seus interesses. Esta temeridade lhe cul. tou huma prisað rigorosa na Torre de Belém, e paffára muito mais longe o resentimento , se a Infante D. Maria, quando houve de passar a Castella pa: ra casar com Filippe II. naó moderarse o rigor do Rei seu Pai, conseguindo delle a commutaçao da pena pelos fer

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