Imagens das páginas
PDF
ePub
[ocr errors]
[ocr errors]

Era vulg. Çofar iguaes torrentes de urbanidade,

en quanto á permiffaó para a fabrica do muro se desculpou com que era faculdade, que nao cabia na sua juris. diçao; bum acto facultativo, e parti. cular do povo Governador da India , D. Joao de Castro, com quem elle o devia negociar.

Esta relposta de D. Joao Mascare. nhas fez apreffar a jornada do emiffario destinado para a visita de. Goa , seguia do de hum rico presente, que com to. dos os mais, que se acceitárao neste governo, foraó carregados em receita na Fazenda d'El-Rei ; porque D. Joao de Castro, que havia na India empenhar as barbas, nað era Governador de acceitar presentes, O Heróe , que muitas vezes fechou as mãos ás mere cês dos Reis, malas poderia abrir para receber dadivas dos particulares, O homem, que na sua quinta de Sin. tra arrancou as arvores fructiferas para plantar as silvestres , nað hia a Ine dia tomar o gosto ás producções das terras do Oriente. Guerra , Paz , Jula tiça , e Religiao forað para D. Joao de

Cara

[ocr errors]
[ocr errors]
[ocr errors]
[ocr errors][ocr errors][ocr errors]

Castro outras como,quatro arvores do Era vulg!
Paraiso, para que elle levantou a mao;
advertindo que os seus : fructos eraõ a
nutriçaõ do Estado, as folhas a laude
das suas gentes.

Tratou D. Joao de Castro o emis-
sario de Cambaya com honras de de-
licadeza; mas em quanto ao muro se
fez desentendido , antes prompto á
guerra, que á injúria. Com igual poc,
litica despedio os Embaixadores do
Idalcao

que pretendia a remeffa de Meale para as Molucas

ou a restituiçaõ das terras de Bardes, e Salcete: as delongas , de que elle se servio para a primeira escusa , aproveitáraó para a segunda ; bem lembrado de que o Idalcao nao declararia a guerra como temor de apparecer Meale nos seus Eltados levado na frente das noflas tropas, que poderia ser origem de comoçaõ nas suas.

Com niodos mais fublimes , até entao nao usados, se portou D. Joao de Castro com Aeyro, Rei de Ternate, que agora chegou a Goa mandado preso por Jordaõ de Freitas para a Co.

[ocr errors][ocr errors][ocr errors]
[ocr errors]

a

Era vulg. rộa de Portugal, sem este tropeço,

ficar poffuindo aquelle Estado, de que o Rei Tabarija lhe havia feito doa, ҫаб , quando morreo em Malaca. O Governador tratou o Principe com as honras devidas ao seu caracter; refpeitou-lhe a innocencia; investio-o na poffe do seu Reino fem outra obrigaҫаб que o teconhecimento á noffa Corôa ; e porque nað estranha e o cli. ma á maneira dos seus Predeceffores que apodreciaố nos carceres de Goa havendo chegado em Fevereiro, o des. pachou no Abril seguinte, entregue a Bernardim de Sousa para o conduzir com toda a decencia ao seu Reino.

Entre tanto que estas cousas suc. cedianas Molucas laborava) duas revoluções confideraveis

, que occupados a Fernaó de Sousa de Ta. vora , mandado por: Martim Affonto a focegallas , e o Governador Jordab de Freitas até entah semociosidade em divertillas. Da primeira eraõ cá ut . fa os Castelhanos ,. commandados pelo seu Chéfe. Ruy Lopes de Villalobos, protegidos do Rei de Tidore, que

cons

que tinhas

[ocr errors]

ܪ

[ocr errors][merged small][ocr errors][ocr errors][ocr errors][ocr errors]

е

[ocr errors]
[ocr errors][ocr errors]

contravinhað os Tratados estipulados Era vulg!
na Europa. Fomentava a segunda o
Rei intruso de Geilolo, que perturba-
va todas as Ilhas , perseguia todas as
novas Christandades, por mar, e ter-
ra fazia guerra aos Portuguezes. A pri-
meira revolta com desembaraço
prudencia foi pacificada pelo Tayo.
Tá , que reduzio os Castelhanos a vi.
rem a Ternate para se embarcarem
com elle para a India , donde haviaố
volcar para o seu Reino. Elle os tra-
tou com tanta hospitalidade , que le
The offerecêrað para o acompanhar na
guerra de Geilolo , em que ambas as
Nações obrárað actos de valor heroi-
cos; mas semi nada de consequencias,
-. Na India como o Verao declina-
va, o Governador cuidou em provêr
a's Praças do Norte, especialmente a
de Dio, para onde mandou com 200
homens os Capitães D. Joað, e D. Pe-
dro de Almeida, ambos irmãos , Gil
Coutinho, e Luiz de Sousa. Em quarr-
to le aprestava em Champanel o Ex-
ército, que na entrada do Inverno ha-
via førinar o sitio , Çofar andava pelas

Ci.

[ocr errors][ocr errors][ocr errors][ocr errors][merged small][ocr errors]
[ocr errors]

Era vulg. Cidades maritimas ajuntando com cau

tela as cousas neceffarias. Succedeo em Surrate encontrar-se com hum Portuguez de Dio , seu conhecido antigo , chamado Ruy Freire , homem de caracer tað provado de Çofar , que nao teve dúvida fiar-lhe, e conseguir delle huma de tres manobras bem conformes á baixeza do seu espirito elevado com altas promessas : Que envenenaria as aguas da cisterna , ou poria fogo ao armazem da polvora , ou no silencio da noite pela parte do mar daria entrada por escadas de corda a gente de Cam.' baya. Tres trahições infames , que pro. videncia particular do Ceo dispôz che. gaffem á noticia de D. Joao Mascarenhas antes de produzirem os seus per. niciofus effeitos.

Já corria o mez de Abril, quando na Cidade de Dio entrou hum dos Cas pitães de Çofar com 500 Turcos, que The mandára de soccorro seu amigo o Rei de Zebit para impedir com dislimulaçao se vendelse aos Portuguezes nada do neceffario, Como era tempo de começar a tirar a mascara, Çofar

« AnteriorContinuar »