Obras, precedidas de um ensaio biographico, augmentadas com algumas composições ineditas do poeta pelo visconde de Juromenha, Volume 6

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Passagens conhecidas

Página 40 - Onde pode acolher-se um fraco humano, Onde terá segura a curta vida, Que não se arme e se indigne o Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno?
Página 352 - Aqui tens companheiro, assi nos feitos, Como no galardão injusto e duro: Em ti, e nelle veremos altos peitos A baixo estado vir, humilde e escuro: Morrer nos hospitaes, em pobres leitos, Os que ao Rei e á lei servem de muro! Isto fazem os Reis, cuja vontade Manda mais, que a justiça e que a verdade.
Página 6 - Cessem do sabio Grego e do Troiano As navegações grandes que fizeram; Calle-se de Alexandra e de Trajano A fama das victorias que tiveram: Que eu canto o peito illustre lusitano, A quem Neptuno e Marte obedeceram!
Página 396 - Nem me falta na vida honesto estudo, Com longa experiência misturado, Nem engenho, que aqui vereis presente, Cousas que juntas se acham raramente.
Página 165 - A que novos desastres determinas De levar estes reinos e esta gente? Que perigos, que mortes lhe destinas, Debaixo dalgum nome preminente? Que promessas de reinos e de minas De ouro, que lhe farás tão facilmente? Que famas lhe prometerás? Que histórias? Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?
Página 270 - E ainda, Ninfas minhas, não bastava Que tamanhas misérias me cercassem, Senão que aqueles que eu cantando andava, Tal prémio de meus versos me tornassem. A troco dos descansos que esperava, Das capelas de louro que me honrassem, Trabalhos nunca usados me inventaram, Com que em tão duro estado me deitaram.
Página 126 - Põe-me, onde se use toda a feridade, Entre leões e tigres ; e verei, Se nelles achar posso a piedade, Que entre peitos humanos não achei : Alli co'o amor intrínseco, e vontade Naquelle, por quem mouro, criarei Estas reliquias suas, que aqui viste ; Que refrigerio sejam da mãi triste.
Página 348 - Neste trabalho extremo, porque em pago Me tornes do que escrevo, e em vão pretendo, O gosto de escrever, que vou perdendo. ix Vão os annos descendo, e já do estio Ha pouco que passar até o outono; A fortuna me faz o engenho frio, Do qual já não me jacto, nem me abono; Os desgostos me vão levando ao rio Do negro esquecimento e eterno sono; Mas tu me da que cumpra, oh grão Rainha Das Musas, co'o que quero á nação minha.
Página 244 - Vós, Portugueses, poucos quanto fortes, Que o fraco poder vosso não pesais; Vós, que, à custa de vossas várias mortes, A lei da vida Eterna dilatais: Assi[m] do Céu deitadas são as sortes Que vós, por muito poucos que sejais, Muito façais na santa Cristandade. Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!
Página 127 - Taes contra Ignez os brutos matadores No collo de alabastro, que sostinha As obras, com que Amor matou de amores Aquelle, que despois a fez Rainha, As espadas banhando, e as brancas flores, Que ella dos olhos seus regadas tinha, Se encarniçavam, fervidos e irosos, No futuro castigo não cuidosos.

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