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DA

UNIVERSIDADE DE COIMBRA

NAS SUAS RELAÇÕES

COM A

INSTRUCÇÃO PUBLICA PORTUGUEZA

POR

THEOPHILO BRAGA

Socio effectivo da Academia real das Sciencias

TOMO III

1700 a 1800

LISBOA

POR ORDEN E NA TYPOGRAPHIA DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS

1898

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TERCEIRA ÉPOCA

(SECULO XVIII)

O ESPIRITO CRITICO DO ENCYCLOPEDISMO E O MOVIMENTO NEGATIVO TEMPORAL DA REVOLUÇÃO

CAPITULO I

A crise politica e pedagogica do seculo XVIII

A Revolução occidental, que no seculo xvII fôra essencialmente intellectual, toma no seculo XVIII o caracter social e politico.- Decomposição systematica do regimen catholico-feudal pela livre critica e pelas iniciativas governamentaes. Relação intima entre a crise pedagogica e a crise politica.—A actividade intellectual, provocada pelas syntheses baconiana e cartesiana, exercese no seculo XVIII no desenvolvimento das Sciencias especiaes e na dispersão critica. Elaboração scientifica do seculo excepcional e tendencia objectiva dos espiritos erradamente denominada Materialismo.-A creação de uma Encyclopedia é motivada pela necessidade de uma coordenação, embora empirica, do saber disperso.-Na decomposição do regimen catholicofeudal os Litteratos, já como ideologos, advogados e jornalistas, exercem uma missão negativa, precipitando a explosão da crise temporal.-No trabalho espontaneo de recomposição, os Litteratos suggerem muitas idéas originaes para a renovação da Pedagogia moderna.-A influencia de Rousseau, de Diderot, de Condorcet.-No seculo XVIII secularisa-se a instrucção publica e imprime-se-lhe um caracter nacional.-Na phase organica da Revolução franceza as Sciencias dispersas, desenvolvidas pelo espirito de especialidade academica, coordenam-se sob o intuito das applicações no novo typo das Polytechnicas. Persistencia d'este typo pedagogico na instrucção publica europea.- Pela queda da Companhia de Jesus os governos têm de prover á reorganisação da Instrucção publica, preponderando o caracter nacional.As Universidades continuam fechadas ao espirito critico do seculo e como instituição autonoma.-Como nas Academias se elaboram as novas Sciencias experimentaes, tambem os Philosophos e Litteratos discutem os phenomenos sociaes.-Influencia de Hobbes em Rousseau.-Relações mentaes da Inglaterra com a França no começo do seculo excepcional. Os Economistas estudam os phenomenos sociaes objectivamente emquanto á cooperação: Quesnay, Turgot, Adam Smith, Condorcet.-As idéas francezas caracterisadas HIST. UN.-Tom. III.

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