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CANTO III

A populosa Europa se descreve;
De Egas Moniz o feito sublimado;
Lusitania, que Reis, que guerras teve;
Christo a Affonso se expõe crucificado:
De Dona Ignez de Castro a pura neve
Em purpura converte o povo irado:
Mostra-se o vil descuido de Fernando,
E o grão poder de um gesto suave e brando.

CANTO IV

Acclamado João, de Pedro herdeiro,
Convoca Leonor ao Castelhano;
Oppõe-se Nuno, intrepido guerreiro;

Dá-se batalha; vence o Lusitano:
Quem a Aurora buscar tentou primeiro
Pelas tumidas ondas do Oceano;

E como ao Gama coube esta empreza,
Por affinar a gloria portugueza.

CANTO V

Relata o Gama illustre ao rei potente

Sua viagem longa, e incerta via;

As extranhas nações da Africa ardente,
E de Fernão Velloso a ousadia.

Como a Adamastor viu, Gigante ingente,
Que um dos filhos da Terra se dizia;
E as cousas que passou até seu porto,
Onde repouso achou e são conforto.

CANTO VI

Parte-se de Melinde o illustre Gama,
Com Pilotos da terra, e mantimento:
Desce Lyeo ao mar, Neptuno chama
Todos os deoses do humido elemento:
Conta Velloso aos seus dando honra e fama,
Dos Doze de Inglaterra o vencimento:
Soccorre Venus a affligida Armada,

E á India chega tanto desejada.

CANTO VII

Dá fundo a Frota a Calecut chegada;
Manda-se mensageiro ao Rei potente,
Chega Monçaide a ver a Lusa armada,
E da Provincia informa largamente.
Faz Gama ao Samori sua embaixada;
É recebido bem da Indica gente:
Co'o Regedor o Mouro ao mar se torna,
Que de toldos e flammulas se adorna.

CANTO VIII

Vêm-se de Lusitania os fundadores,
E aquelles, que por feitos valerosos,
De alta memoria são merecedores,
De hymnos e de versos numerosos:
Como de Calecut os Regedores
Consultam os Haruspices famosos.
E corruptos com dadivas possantes,
Tratam de destruir os Navegantes.

CANTO IX

Parte de Calecut o Lusitano,

Com as alegres novas do Oriente,

E no meio do tumido Oceano,

Venus lhe moftra uma Insula excellente:

Aqui de todo bem soffrido dano
Achar repouso assaz conveniente;
E com Nymphas gentis o mais do dia
Em festas passa e jogos de alegria.

CANTO X

Ás mesas de vivificos manjares,
Com as Nymphas os Lusos valerosos,
Ouvem de seus vindouros singulares
Façanhas, em accentos numerosos:
Mostra-lhes Tethys tudo quanto os mares,
E quanto os céos rodeam luminosos,
A pequeno volume reduzido,

E torna a Frota ao Tejo tão querido.

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