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Muitas ve

que havia

Christo di
nova a 4 portal the vēdia, polto morreffe, pela fè; afogado pelo

CÁPanha 1$ 53, que, pela boa vontade.coin que pescoço: & dizia isto tantas ve

14:
Tha dava, muyto Jha agrade zes, & com cantas vèras o repe-
cia.

ria, & affirmava , que ninguem

zes repetia Ŝ

Com a mesma certeza duvidou queDeos nosso Senhor entendemos que lhe communi nam somente lhe tinha revela- ile fer afocou Deos muy danceman o Co do, ý havia de.ser martyr,mas g gado por

nhecimento de leu martyrio: cambem lhe tinha communicaDa revela

Christo. çam que estando hum dia no Collegio doo genero de martyrio ; com ve de Jeu de Coimbra muycos nossos Pa que o havia de glorificar. martyrio

. res,em sancta conversaçam, co ☺ Confirmamse estas pro

o Padre Leám Henriques, Pro-| |phecias co aquelle raro prodi-
vincial, que encam era; contou gio, que sucedeo ao Padre Gô-
que vindo elle hum dia com o çalo, quando dizendo mifla em
Padre Gonçalo pelos olivaes de Lisboa na casa de S. Roque, ao
Coimbra, do lugar de Cellas,

tempo que levancou o calix, The

Do sague,
praticando de coufas fanctas, o viram todos os presentes as a lhe virá
Padre Gonçalo , com hum ex mãos cheyas de langue. Elpan nas mãos,
traordinario fervor, pondo os tavamse os que assistiam å mil dizendo
bios to tèo , apertando obra la com a nova admiraçam de missa.
ço ao, Padre Leâm Henriques, tal prodigio; & como os juizo:
com huma segurança mais que do povo sam incertos', cuyda-
humana, & com huma alegria vam alguns , que seria o sangue
celestial, lhe disle: Irmam Leám, do calix, & perguntado o Padre
ajudayme a louvar a Deos , porque a Doutor Miguel de Torres de
inda hey.de fer martyro meu corpo nossa Companhia, pela serenis-
ha de ser lançado em hum rio konde sima Rainha Dona Catherina,
nunca . achará . Isto contou a fua confessada, que causa podia
muytos da Companhia o Padre

ser
por

õde todos viram as mãos
Leám Henriques,varáin de gră - do Padre Gonçalo vertendosan
de verdade, & de muy conhe-| guerespondeo: Eu, fenhora, nam
cida autoridade nesta Provin me atrevo a definir por certo é que aco-
cia.

tęceo, mas, se me he licito , digo que 6 Com a mesma clareza tal a fanétidade do Padre Gonçalo, que nos confta,que vindo huma vez por ventura quiz Deos com esta marao Padre Gonçalo de acompa-vilha significarnos o que todos dizem, ohar hum enforcado, disle com que este sancto varám ha de ser mar grande alegria a muytos nossos tyrizado. por Christo, offerecendo seu Pádres,& Irmãos, que havia pe- corpo

, & seu fungue. da maneyra que o dido, & alcançado de Deos, que Senhor se offereceo a feu eterno Padre

no

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in facrificio incruento da mißa , que otheatro, no qual teu capacissiPadre Gonçalo estava celebrando mo espirito teve grandes occaMuyco contētou esta interpre- 1 fioens de ajudar ao proximo,& taçam á serenissima senhora, per de satisfazer aquella sede insasuadindole que com aquelle || ciavel de padecer trabalhos. prodigio le declararia a glorio- | Nam houve doente a que nam la morte,que este servo deDeos assistifle charitativo, nem morhavia de padecer por pregar a reo ninguem que o nam achaffé de Christo Senhor noflo, co fe à sua cabeceyra vigilante: mo depois o mostrou o tempo. nam sucedeo trabalho,nem pe

8 Havida a licença, com rigo em toda a navegaçam, no o alvoroço que dissemos, se em-Il qual elle nam fosse o primeyro: barcou logo , & partio pera a

dormia de noyte entre os gruIndia o Padre DomGonçalo,no'metes,& no convès da nào, lem

anno de 1556. que foy o mel- querer admitir camarote , nem 4:119 foy

mo em que da terra partio pera beliche, nem menos lugar na peream: o cèo a bemaventurada alira varanda: & exercitando emfim

Je nosso glorioso Patriarcha todas as mais acçoens de hum
S. Ignacio, & afsim nam ap varàm Apostolico, que tam de-
provamos o que diz Diogo do lejofo andava de se ver metido
Couto, na feptima Decada, ein semelhantes de lafios.
aonde escrevé que o Padre
Gonçalo da Sylveira fe partio
pera a India no anno de. 1555. CAPITULO XXXIII.
em companhia dos Padres Mél-
chior Carneyro, & Antonio de|| Chega à India o Padre Gon–
Quadros, sendo que por
contas (gue nisto fam as mais.) çalo da Sylveira , be nomeado
ajastadas ) o Padre Gonçalo se 1 por Provincial; como exercitou
panhia

do Patriarcha de Echio-1) este cargo; do grande zelo com pia,como adiante mostraremos, qué acudia à conversám dos Nesta larga navega

gentios, & ao bem dos çam , em que se dobram tantos cabos,enique se passam tan

Portugueses

.
tos golfaðs, em que se levain
tantos perigos , & fe padecem

Epois de vencidas tancas difficuldades, le offere

as grādes difficult cev ao Padre Gonçalo da Syl

ordinaveira hum novo , & desejado

riamente se pade

es. 7. lib. 2 cap.7.

9

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dades, que

cem,

ao outro

tatem eius,

&c.

2

b Cassiodor.

ز

cem em tam comprida navega mas,& oleu alivio era o cuydaChega a çam, chegou finalmente o Pa

do pela salvaçam dos proximos, God de , dre Gonçalo,com e Patriarcha à imitaçam da quelle • Senhor, Ioan.c.4.n. Royle, S D.loam Nunes Barreto, a lan que dizia, que as suas iguarias bus eft vt fa prega logo çar ferro em Goa, & desembar eram obedecer ao Padre,& fal- ciam volun

cado sendo jà tarde , chegou ao dia.

var os proximos

qui misit me nosso Collegio quasi pela meya Foy logo nomeado por noyte: aflertou de fer isto em Provincial da India, ģ aceyrou Henomeshum Sabbado, & logo ao Do muyto võrra sua võtade, porque do Provin mingo pela menham prègou desejava ser martyr,& nao que- cial

. na nossa Igreja, co admiraçam ria fer superior; com cudo dizia de todos, porque primeyro o muy bé esta dignidade no P.Gõ viram pregando no pulpito, do çalo da Sylveyra, nam sò pela que soubellem que era chega-pessoa, q era illustre, mas pela do á India;& primeyro lhes deo vidag era facta , & na verdade as boas novas do céo , que lhes como judiciofaméte disle o grā. trazia , do que lhe deflem as de avilo de Cassiodoro", naglle lib.6. variaboas vindas de Portugal, donde

melhor lustram as hõras , a qué llum liqui-
viera : tam delejolo vinha de melhor autoriza a vida. Ne- dem hono-
prégar, & ajudar os proximos, nhuma mudança fez esta nova
que parece cuydava que lhe fu- dignidade no P.Gonçalo, mais comen dat,
giam as occasioens, como se a que pera lhe dár mayores licē.
nao lhe tivefle fervido de livra-

ças pera se mortificar a fy, &
ria, em que fizelle, & compu pera aproveytar aos
zesse o fermam; porø como ef Nam hà pedra de tôque , me-
te grãde servo de Deos, nað hia Thor mostre os quilaces do me-
à India a buscar outras riquezastal, do que hé a occasiam do
mais go bé das almas, como so governo, pera manifestar a na-
licito,& muy diligéte mercador tureza de cada hum; muytos
quiz logo aproveytarse destepri- ouve que sendo particulares,
meyro lāço, em á podia ganhar foram virtuofos, & muy bem
algúa alma pera Deos; & como quistos, & tanto que governa-
a sede levava da cõverlâm dos

ram perderam o bom credite, Cor. Tacir. gērios era impaciencisGma,nam & nam melhoráram na virtude; 1... hift. lo The sofria esperar algús dias, nē & por isso diffe co grāde juizo ba. Maior ainda algúas horas, nas quaes Cornelio Tacito do outro Em- pr.uato vivisse os amigos a tinha emGoa, perador Romano, G em qaanto uatus fuit, né pera descāsar de viagem tam fora particular , parecia digno & omnium trabalhosa, porq o seu descanlo

de ser Princepe, & que por pax imperij, era o trabalho pelo bem das al juizo de todos era estremadu! nifi impes

N

pera

res glorificant, quem

& vica.

outros.

consensu ca

rallet.

Provin

pera o governo, lenam gover colunas,em que se hâde fundar
nafle , capax imperij nifi imperaffet; o edificio do bom governo. :
porque mostrando d'ances gran-

4. Com o melmo zelo que como acides calentos, & lendo por elles

acudia aos subdiros de casa;acu- dia ao be desejado de todos pera o Impe

dia tambem ao melhoramento espiritual rio, tanto que começou a go dos Portugueses, & á conver- de Goa, &

da India. vernar,começou també a del sam dos gentios;em hũa, & oucontentar, & a nova occasiam

tra cousa foram notaveis,&muy do mando lhe fez perder a boa gloriolos seus trabalhos ; ouve opiniam,que sendo subdito ti grande reforma nos cultumes nha ganhado.

dos Christãos,& foram muyros 3. Porém o P. Gonçalo da os gentios que bautizou. Fez Como feon Sylveyra sempre foy o melmo

na India muytas cousas, que reve fendo na virtude,& no zelo, & nesta || dundáram em grande gloria de

nòva occasiam do governo, ou Deos,& augmēto da Religiam; cial dain- ve muytas em ý mostrou me entre outras,ġ se coram na sua Idia.

lhor o grande thesouro de suas vida,sò apontarey esta,que a el-
admiraveis virtudes : governou

lė se deve o Tribunal da sancta
todo o seu tépo mais co a suave Inquisiçam, que hoje hà na In-
força de seu raro exéplo, 6 com dia, porque por causa de algu-
violecia, ou copia de preceytos, mas occafioens, que pera isso
pofto có noravel cuidado, & ouve , escreveo muy apertada-
devaçam,começou a entrodu mente à Rainha Dona Cache-
zir a observācia de noflas Con rina, & ao Infante Dom Hen-
stituiçoēs, g despois cótinuou o rique , que governavam elte viror. illuf-
P. Antonio de Quadros , lhe Reyno, que pera cessarem le-
socedeo. Acho delle escrito, melhantes inconvenientes, & a
pera seus subditos era tam brā. Fė Catholica florecer entre a-
dog nam havia cousa mais sua- quelles gentios, deslem ordem,
ve & aprazivel 6 hũa sua repré com que na India ouvesse Tri-
sam, ģ nelle he mais digno de

bunal do Sancto Officio,& que admiraçam, pois era tam rigo- || ouvelle igual cuydado em proroso em se mortificar a sy mél Ver aquelles cargos de homens

mo; mas esta he a regra ggoar-insignes em prudencia , em lein idea dam os superiores sanctos, usam

t'as,& em sáčtidadesá todas eld viris illu- de mortificaçoēs pera cõligo,& tas tres partes fam proprias de ciet. in vita tratam cõ brădura aos fubditos. semelhates ministros, pois afllGonsal. Exercitou sempre este cargo co

tem a hum Tribunal em que notavel prudencia, & charida se tratam os pontos de mayor de, que fam as duas principaes' consideraçam, & fem hum of

d Vide P. EUseb, in ideal

triú Societ.

Talı ful, mi

hi 140.

ftribus So

fol.357.

pura no Oriente.

vernador

ficio , que por antonomasia se breve le bautizaram
chama fanáto Officio ) & aflımı mais de tres mil, sendo assiin ý
à diligēcia, & ás cartas do Padre eram d'antes may raras as con-
Gonçalo da Sylveyra se deve verloés destes gentios morado-
tam fingular beneficio, com q | res em Goa,
a fé Catholica se conserva hoje

6 Nam sò acudia o P. Gö- Tambem

çalo âs cousas da Religiam, mas acudia ao 5. Era neste tempo gover. || tābé quando era neceflario af- be do esta

do da in Franscisco dor da India Francisco Barrero | Giftia,& ajudava ao bé do estado

dia, Barreto de de Lima, filho de Nuno Rodri- da India, porø feu espirito era Lima go-gues Barreto, Alcayde mór de como o de Elias, zeloso, & do

Faro, & de Dona Leonor de brado , pera as cousas de Deos da India.

Aragam; que foy fidalgo de fervorolo; & pera as ocasioens
grandes merecimentos, dorado de guerra animoso. Embarcava.
de grande piedade, & muy ze se nas armadas,& nestas empre-
lolo da Christandade, com elle || fas imitava em tudo ao glorioso
teve: grande entrada o Padre P.S.Frācisco de Xavier, meten
Gonçalo, & o persuadio a fazer || dose co os soldados, perá os tra-
coufás de muyto porte, pera

zer a Deos; animandoos a pe-
da conversam daquelles gétios; | leyjar, & ensinandoos a le con
a húa foy que em Goa,& em as feffar: Estádo na cidade de Goa,
mais parces, aonde os gentios | veyo nova por cousa cerca , go
andam misturados cã os Chri- Melique lenhor que tinha sido
stãos, estes fossem preferi-||de Chaul, partira da terra firme
dos nos officios da republica, | |có hű inumeravel exercito,pera
segundo o tinha já el Rey orde-comar a cidade, & a fortaleza, s
nado por cartas suas , as quaes ally tě os Portugueses. Tratou
até entam,por outros respeytos logo: o governador da India
fenam executavam. A fegunda Frācisco Barreto de Lima,como
foy que le prohibiffe com grā: tam esforçado cavalleyro,de a-
de rigor aos gentios, que nam cudir aquella praça, que estava
pudellem dentro da cidade de em grandissimo perigo, por ter
Goa exercitar suas ceremonias décro muy pouca gēte; & antes
gentilicas,nem em publico , nē de partir de Goa, encomendou
eni socreco: ambas estas cousas ao P. Göçalo, que por causa da
lhe concedeo o Governador, inuyta autoridade, com todos
como ram Catholico,& tam pi-tinlia,persuadisse aos morado
edofo, & foy nocavel o augmēres de Goa, q acudilsē àquelles
to com estas boas traças teve seus cõpanheyros,& naturaes, 6
a Christandade em Goa, aonde estavam em tað evi Jēte perigo.

Fez

N 2

.

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