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Victoria

Fez logo o P.dàr final à
prègaçam, à qual acudio a cida-
de toda,& cõ tal fervor os ani CAPITULO XXXIV.
mou, mostrādolhe qnam só pe-
rigava naquella occasiam a hõ-
ra de Portugal,mas tābē a Reli- | Trata o Padre Gonçalo da
giam Catholica, que as palavras | Sylveyra de bir à Cafraria

;
do Padre foram seras, que pene-
tràram os coraçoens daquelles || dàse alguma noticia destas
esforçados Portugueses; lahem terras,& da occafiam que out-
todos deliberados, & apostados
á jornada, vamle a casa, tomam

ve,pera o Padre pedir, &
as armas, salcam nos nauios que

alcançar esta mis
estavam aparelhados, embarca-

sám.
se tambem com elles o Padre
Gonçalo, pera que entendesem
que nam sò o haviam de ter por

Otaveis foram os
prégador em terra , mas també

fruytos, & muy dos Portu- por companheyro no perigo;

gloriosos os tragueses. chegam ao porto de Chaul;del

balhos do Padre embarcàram naquella praya Gonçalo da Sylveyra na India, tantos. Portugueses, quantos muycos cs 'gentios que

bautinunca se tinham visto na India zou em Goa,em Coulam,& em juntos, nam lhes faltou mais 6 Dâmam , & em outras partes, a occafiam de peleyjar, porque muytos os Portugueses que me

Melique em sabedo da muy lhorou, comolargamente se co- vide P.Nita gente que estava conduzida, ta na historia : de sua vida, & concebeo grande medo, & le-pelos mais autores nossos, que 11. & 12. vantando o cerco, que já tinha

contam as cousas mais infignes, lidea de viris posto, fugio com grande afron que Deos foy servido obrar na ta sua,& credito nosso: confer. || India,por meyo dos noflos. Resando todos qne ao Padre Go-||ligiosos. Porém o grande espiriçalo deviam esta victoria , que to do Padre Gonçalo jà abafapor ser obra de tam grande fer va em Goa,jà nam cabia na Invo de Deos, elle a quiz dàr aos dia;nam se satisfazia de goverPortugueses com honra, mas

nos,quem sờ qaeria obedecer, Dosdesejos sem sangue: & com tam boa inais desejava bautizar gentios, que tinha fortuna como a de Cesar, pois

que governar religiosos, mais de padecer tanto que chegaram, logo ven queria andar pelos matos da

Cafraria, que habitar na ci

dade,

col. Godin. in eius vita

illuftrib. Sachin. I. 1. n. 55. & 1.3. n.11 2.&fie

pe alibi.

muytos ira kalhos.

Iceram.

b

men vultus tui domine

27.num.st.

dade, & morar na corte. E co odictanie da rezam , que he o
mo tinha os penhores do mar lume da face divina, que o Pro-
tyrio, que temos dito, conti- phetab Jiz,que o Senhor está- Pfal.4. n: 7:
quamente o instimulavam ef pou em nossas almas, nelles pa- super nos lu
tes vivos desejos de morrer por réce, que totalmente està

apa-
Christo. Pedio a Deos que lhe gado,& escurecido. Os Portu-
concedefle por grande favor, Igueles, assim como commum-
plevalo a alguma missàm a mais mente chamam a estes pòvos
trabalhosa que ouvesle em to Cåfres , assim chamam a estas
a gentilidade. E como por cal regioēs Càfraria. Os Reys, os
entam se representarse a dos Regulos, ģ por estas partes há,
Cåfres de Ethiopia ; esta pre sam muytos em numero, o ma-
tendéo com tantas véras, que yor em riquezas, & em poder
em nenhuma outra cousa fal hè o de Monoporåpa , em coja
lava com mayor affecto,& atè parte occidental cahé o; Rey-
aos noviços pedia, que lhes en nos de Cõgo, Loango, Angóla,
comendaffem a Deos esta sua & outros muytos:& pera a par-
pretēçam, & lhe alcançassem o te oriétal se eltende tanto esta
bom despacho, que desejavam. valtissima regiam de Monomo- 1.p.lib.2.c.

Sam os Cåfres húas gen- tàpa,que tē,como dissemos ,

tes, que habitam 'na Ethiopia, primeira parte sececentas leDásebreve a que Ptolomeo chama a mapera a parte Aus

3 Heeste Emperador 'muy Do grande cafres, & tral de Africa, junto ao cabo rico,& em seu poder estam as poder do da cafia. de boa Esperança. Foy esta mais ricas minas de ouro, g pa- Rey demo

nòva Ethiopia descuberta pelos rece ha no mundo codo, como nomotapa. . Portugueses, porque os geo:

nos coram os Portugueses, qem há muyło graphos antigos nenhuma no nossos tēpos foram ally a fazer

ouro nacá ticia della civeram ; tem terras

novos descubrimétos ; & como fraria. vaftiffimas, cheyas de infinitas bé sabē os das nossas fortalezas gentes, as mais barbaras, & as

de Sofála, Tete, Sena, & Moçãmais safáras , & as mais fèras, bique,ộ tē o trato,&os resgates que vivem em toda a Africa; dos Rios de Cuama. Acho efchamam commummente a es crito, g por mais de duzētas, & Gondiçalı.la tas gentes Càfres,que quer di fincoenta legoas le estendem 2.cap.io. zer gente sem ley,nem ha no as terras por onde há estas mime que melhor lhes possa qua nas de ouro; que ou a natureza drar, porque nenhũa ley guar se quiz aqui inostrar inuy liJam,nem com Deos, nein cão beral, ou nos quiz ensinar a delhomés, pois atè a ley natural, & prezar o ouro, pois com tanta

N 3

na

goas de circuito.

noticia dos yor,

yor, cahem

ria.

с In vità Pat.

abun

ne

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abundancia o deo a quem o

mais ferteis deste metal.
nam labe estimar:senam he que

4
Porém, porque nam

Sam estas
nos quiz dàr a entender, que na cuydèmos,que quem tem ouro, terrasmuy
verdade nain lam os melhores tem logo cudo, he esta regiâm, eftereis.
aquelles que possùem os ma nos lugares aonde le dà o ouro,
yores thesouros, pois vemos muy elteril.& muy falta de ma-
quam prodiga se mostrou, dan timentos,& do mais que he
do a mayor copia de ouro à pe cessario pera a vida humana»
or gente do mundo. Os rios le-

que assim quiz Deos nosso fevam muyta copia de ouro em nhor temperar as cousas desto suas correntes; o principal he mūdo,dãdo a hús o ouro,& co Cuama, o qual sendo muy po. folando a outros com lhes dar deroso descarrega, & vaza luas mantimentos. Os cãpos em que augoas no grande Oceano Ori

nestas regioens se dá o ouro, elencal. Nos mesmos troncos tàm cercados de montanhas das arvores tal vez se acham

muy altas, mas muyto mais alta vea; de ouro, que muytos te he a cubiça que là lobe, & lá o riam pela melhor, & mais sabo vay desenterrar; porém també rola fruyra do mundo. Querem com seu risco; porque ainda a algūs que a Rainha Sabà ( da estas terras estám entre a linha,

qual conta a escritura sagrada, & o tropico de Capricorno, co
Lib.3. Kes que do fim da terra veyo a visi tudo pelo inverno he tanca a

tar a Salamam d) aqui nestas nève naquellas serras, que le al-
minas carregou os seus camel-gūs ficam no alto, morrem en-
los de ouro. Porque como diz regelados :. & pelo veràm, he
o nosso insigne Historiador por regiám vehe-

loàm de Barros, e os Principes mente o calor, que com grande
lib.10.c. rde Ethyopia superior ( donde difficuldade se chega lá, que pa.

era a Rainha Sabà)eram senho- rèce que este he aquelle mon-
res destas minas. E se esta adi tante de fogo,com que o Che-Gen.3.n.24.
vinhaçam he certa, largamente tubinß defendia que nam en-

ante paraditinha donde à vontade cirar, & trasfem os homens a lograr as fum voluplevar ouro,pera dàr em Ierusa riquezas do Paraiso terreal. Elbim ,& napera repartir por toda

geralmente fallando o terre- meum glaludèa. E se os anțigos tivessem nho destas regioens, he seco, os todiendam

alguma noticia desta grand: àres doentios, as calmas arden- viam,&c. na:ural.hist. fertilidade de ouro, que ti Timas, & emfim pera o dizer Coque Monopotapa , nam diria Pli em huma palavra, he a Cafratia terraru tot nio, ' que o noslo Portugal , & toda digna morada de tais ha

as terras de Asturia eram as biradores, como sam estes ne

d

cap.10.

loam deBar
rós Dec. 1

g

Collocauit

lem,

&

Plin. lib. 2.

ha en

Facuis ea fertilitas.

gros

gros Cafres.

Das muyo

goar

Corte,& cidade principal TöŚ Tem com tudo o Rcy i galo qual dista da linha Equitas gentes,

de Monopotapa grande poder, noccial vinte & tres graos; & que teefte & com muyta facilidade ajun-jem tudo o mais he semelhante Rey. ta logo cem mil homens , pera a todos os outros Reynos,& ter

a guerra, porque coino eites ras da Cáfraria. O filho deste
feus soldados escusam vestidos, Rey, veyo a Moçan bique, &
& nam vestem armas,fam muy ouvindo ally fallardas cousas de
to faceis de ajuntar, & pera pe nossa sancta Fè,foy Deos servi-
leyjarem àligeyra, lhes basta hu

do de o tocar de maneyra, que
arco,& frechas, com qualquer com grande instancia pedio
modo de espada. Pera goarda

Bautilino. Era naquelle tem- Bautizasė de sua pesloa custuma de ordi po capitam de Sofala Sebastiam o filho do nario ter trinta mil Cafres; & de Sâ de Meneses, irmám do Rey deTomenos bastavam , se estes Keys Conde de Penaguiain , & filho gà. foflem mais amados de seus po. de loam Rodrigues de Sá de vos(que nam ha melhor Meneses, & de Dona Camillo da,que a do amor;) antes como de Noronha, no qual fidalgo disse o outro antigo ao seu resplandeciam em grao muy

Emperador Trajano: Debalde subido a nobreza do sangue ilad Traianu. Se quer cercar de armas , quem nam lustre,o esforço do braço PorFruftra se andar cercado de charidade. Porém tuguès, & a piedade do zelo cuncinxe - todos elles, assim o Rey, como Christam ; conforme a estas sit, qui fep- os vallallos, assim os archeyros, boas partes acu dio logo com

como o Emperador, lam gente grande diligencia a clte Bautis-
barbarà, & brutal, sem conheci mo, fazendoo celebrar com as
mento de Deos, nem religiam melhores festas, & mayores de-
alguma; &,pera ainda as diffi monstraçoens, que lhe foy pos-
culdades de os domesticar serē fivel.
mayores, tem alguma noticia 7 Tam satis feito ficou este
dos erros Mahometanos, com Princepe, que voltando pera suas
que ficam com muyto roim terras, deo aos seus naturaes
mistura , ajuntando a barbaria grandes novas das honras que
de Gentios, com a malicia de os Portugueses The fizeram , &
Mouros.

tantos bens contou dos myste-
6 Deltes Reynos, o que

rios de nota sancta Fè, que perReyno está mais vizinho a nossa cida suadio ao pay mandasle pedir Tonga seu Titio junto de , & fortaleza de Moçambi a Moçambique quem o pudele a Moçamo que; he o Reyno de Tonga (& bautizar . Avizou disto o zebique. este mesmo nome tem a lui lolo Capitar ao . Visorrey da

India,

8 Plin.in Pan.

terrore cir

tus charitate non eft.

de

N 4

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India, que já entam era D. Con a resoluçam tam apertada com ftantino de Bragança , filho do que dizia, que senam saheria sē Duque Dom laymes ( o qual | levar o despacho da petiçam, focedeo a Francisco Barreto de lhe

pareceo ao Provincial, que Lima ) & tinha com elle o Pa em negar a tal licença ao Padre dre Gonçalo grande entrada, resistia ao espirito divino; & afnas cousas da conversam dos sim lha deo liberal; a qual hagentios, por causa da grande vida se partio logo pera a sua piedade,de que sempre foy do Cafraria , porque nam queria tado este excellentissimo Vi dilatar o bom logro do favor, forrey,o qual encomendou lo que por meyo de tantas lagrigoelta empresa ao Padre An mas alcançára. tonio de Quadros Provincial da India, que tinha succedido ao Padre Gonçalo da Sylveyra: CAPITVLO XXXV. aceyrou a offerta o Provincial, como de cousa tam propria da Companhia . Communicou o Das sezoens que podia haver, negocio com Deos, & com opera se conceder esta missam Padre D. Ioam Nunes Barreto ao Padre Gonçalo da Sylveya Patriarcha de Ethiopia, que en

ra: contafe brevemente sua jortam estava em Goa, como verèmos a diante.

nada, &. o muyto que fez, & 8 Andando o Provincial padeceo,assim nos caminhos, nesta deliberaçam , por ser de tanta importancia,eys que lhe

como dentro na Cabare à porta, & entra pelo apo

fraria. Pède o p. lento o Padre Gonçalo, & lanGöçalo, & çadlo de joelhos a seus pes,

lhe

Vem considerar alcança a pede com muytas lagrimas de

com olhos humamissain da Cafraria. devaçam,& com notaveis jubi

nos a licença que los de fervorosos desejos, da sal

em Portugal deo vaçam das almas, que o mandenoslo Sancto Padre Ignacio ao à missàm dos Cafres. Ein nin- Padre Gonçalo pera å India, & guem menos cuydava naquelle | a que na India The concedeo o tempo o Padre Previncial, que Padre Provincial Antonio de no Padre Gonçalo, pera o ha- l) Quadros pera hir á Cafraria, ver de mandar a tam trabalho- ll julgará huma, & outra refolusa, & perigosa missà in ; porém || çam por menos acertada , pois ven io a instancia do Padre , & largàram pera a India o que

fo

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bre

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