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Em outras muytas

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ridade.

I

muytos,& animando a todos.
12 Deyxo tambem de re-

CAPITVLO XXXXVI.
ferir muytos, & muy gloriosos

bautismos de Mouros nobres, cousasex. & de Gentios, que por vezes se ercitam os celebram na Igreja de S, Ro

Do exercicio da sanda douS. Roque que.E tambem pudéra contar

trina que sempre bouve nesta lua cha. da muyta confiança com q ally casa de Sam Roque:dàse hüa

nos trataram sempre os â gover - 1 breve noticia dos Padres
nam o tribunal do lancto Offi-

que
cio;& ainda pudera dizer mais desdo principio continuàran
do incöparavel trabalho com a

com esta tam provey-
os Padres daquella sancta casa,
& os mais 4 temos em Lisboa,

tefa occupa-
se occupam co os á por aquella

çam.
mesa ficam relaxados ao braço
secular, que na verdade he tra-
balho grandissimo, como bé le

Am poflo deyxar
deyxa ver, & como melhor o

de me deter em experimentamos; posto goda

fallar no exercimos por may bem empregado,

cio da sãčtà donporque com ellé, exercitamos

trina, que ha na casa de Sam nosso ministerio, & servimos à Roque, por ser occupaçam muy quelle sancto Tribunal.

propria da Companhia, muy 13 Deyxo todas estas cou usada dos noflos,& de que femsas,& outras muytas a estas fe pre se tem conseguido grande melhantes, porque

se as quizel-bem na republica, pelo muyto
se contar todas, cansarmehia a fruyto que se colhe ao diante,
mim & molestaria aos létes;ba: quando com cuydado se culti-
fte em fim dizer

fim dizer por remate, ý vam as flores da primeyra ida-
os Padres dě S.Roque co muy-de;porque como diz o Espiri- Ier.in Thr.
ta rezàm mereceram o applau to Sancto, pelo seu a Propheta, Bonum ei
so com que foram recebidos he grande bem começar lo- viro,cu por
nesta Corte, & a frequencia go na primavera dos annos ab adolet-
com que sam buscados

a levar o jugo do serviço de entia fua.
naquella casa.

Deos; nem desdiz este officio
de ensinar 'mininos, & doutri-
nar crianças, com as pessoas
mais graves em dignidade,
mem com as cans mais auto-

rizadas

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cij 12.

rizadas nos annos;que nam ha cô elta obrigaçaın de enligar a

Quanto a via no mundo pesloa mais gra fancta doutrina , pera q enten- Copanhia ve, nem Princepe mais autori- i dam, q ainda ý làm superiores estima euzado, que o incomparavel Pa dos outros por dignidade, devě finar a

doutrina. VideRibad, dre Sam Gregoriob Magno, & ||sogeytarse a ensinar , & doutrimenseMas- com tudo se conta delle, que nar mininos por humildade; por fy mesmo doutrinava os

persuadindose,ġ primeyro quer mininos: & quando estava doé. delles a Companhia, que ensinē te. se fazia levar em huma cami a doutrina, do que governé cs nha ao lugar aonde os mininos subditos. Os primeyros da Covinham tomar a liçam, asistin-||panhia,g nesta Provincia com docuydadoso ao ensino dos que feliz exordio,&ditoso applauso, amava como pay: & ně o grāde exercitàram tam fancto minilmar de occupaçoēs,em g anda-terio, foram os Padres S. Frãcil va quasi afogado, sendo Summo co de Xavier, & oMestre Sima Pontifice da Igreja de Deos,lhe | Rodrigues; os quaes dentro do podia tirar o cuydado de assistir Paço a enfinavam aos minino: à doutrina dos innocétes. E das fidalgos,& fòra do Paço a toda epistolas de Sam. Ieroraymo, nos a sorte de gére; & cõ principios cõsta o grande cuydado; a nota tam ditosos nam podiam deyvel miudeza, co q este gravissi xar de ser valentes os luccellos, mo Padre se punha a doutrinar & os progreslos vērurofos. E

huma criancinha Christă,cono sto gesta obrigaçam pera todos 1. epist. ad se pode veľ, nas epistolas a os da Companhia he commua, Gaudencio, & a Læra.c

pera os moradores desta casa he educat.epi Este mesmo exercicio muyto particular , porø tanto ģ de ducat.fi- he tam proprio à nosla Compa- houve em S, Roque pulpito, lo

nhia,que em nascendo no mun go houve doutrina,a qual se ce-
do,logo com ella fahio a luz el lebrava todas as tardes dos Do-
ta tam bé empregada occupa- mingos,& dias fanctos,cā nota-
çam, presandole tanto della ös veis concursos de innumeravel
seus filhos mais autorizados , & gente, que,à volta dos mininos,

na formula dos quatro votos fo- vinham affiltir a tam fancto Const. p. so lemnes d se inclúe aobrigaçam ministerio:

OP.Gonque fazem os mais autorizados

Ź O primeyro P. g em 5. salo Vaz da Copanhia, de ensinar a dou-Roqué, por obrigaçam de ofti

de Mello

foyo pricrina aos mininos: & da mesmalcio, se empregou co zelo Apol

meyro que maneyra todos os q a primeyratolico nelte proveytolo exerci. Jen s. ko

vez sameleytos em Provinciaes,||cio, foy o P.Göçalo Vaz de Mel que en!iPar.4.c.10 . Prepositos,e ou Reytores, ficam | 10,foy Provincial,& Preposito noi a dou

delta

po

C Hieron. to.

Gaudent.de
Pacarula

2

ft.ad Lætam

liæ.

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C.3.9. 3.

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$.10.

trind.

S 3

delta cala, o qual entam ( álem & parecéram aos nossos Padres
de lua onyta nobreza) era dos consultores da Provincia tam
mais nomeados prégadores que ajustadas com a rezâm, que re-
tinha Portugal, & dos mais co solvèram, que nam fosse o Pa-
nhecidos em virtude, que havia

havia dre,& que le replicaffe ao Pa-
na Companhia,como por vezes dre Geral; estavam já embarca-
tenho contado, porque sempre | dos alguns nossos, que hiam pe-
este sancto exercicio,como tam ra o Brazil;diffimulou o Padre
autorizado, andou em pesloas loàm de Madureyra,& quando
deste jaès , como foram també | soube que estavam

pera

dar á o Padre Ignacio Martins (de vêla, le foy meter na urca en quem logo falaremos mais lar

que hiam, escrevendo huma gamente)o Padre loám de Ma carta aos Padres cõlultores, pe dureyra,varám de grande auto dindolhes perdam de nan aridade,& letras, o qual focedeo | ceytar sua boa vontade, que ci ao Padre Mestre Ignacio, & to nham de 'o deyxar em Portumou posse desta sancta occupa-| gal, porém que a charidade de çam no Domingo seguinte, em Christo o apertava de maneyra, que acabou de ser Preposico de

que nam podia deyxar de fé of. P.Joám de Sam Roque ; foy elte Padre hű ferecer logo ao mar, & ao marMadurey. dos mais prezados, & dos mais tyrio:parecese esta carta com a Apud Hier. ra foy ho exéplares religiosos desta Pro que escreveo Sancto $ Ignacio proribus Ec mem de

vincia,procedendo sempre co Martyr,contrà os que
muytdau :
toridade.

mo filho d'aquelle cam nobre, riam impedir o martyrio.
& tam honrado cidadam do Ś Com esta resoluçam sa-
Porto, Hērique Nunes de Gou-hio do porto de Lisboa , & pri
vea, de quem falamos na pri- meyro que tomasle o do Brazil,
meyra parte desta Chronica; & foy tomado dos Piratas , & em
tambem do mesmo Padre dey breves dias morreo,& emproou

alguma bastante noticia, no li no porto,& na Bahia da gloria; 1.p.l.2.c. 12

vro legūdo da primeyra fparte, da maneyra que brevemente
& quem continuar esta historia contamos na primeyra - parte; 1.P.l.2.c.11
as poderá dàr muy grandes. este Padre Joàm de Madurey-
4 Quando lhe veyo or-

ra,foy o que socedeo na fancta
dem pera hir por Visitador ao occupaçam das doutrinas ao P.
Brazil,como erà tam estimado Mestre Ignacio Martins, que
de todos em Lisboa , & em el-

sò tal fogeyto podia encher tal pecial dos nossos,& dos princi- || lugar:precedeo com tanta fapaes fidalgos; fizeram estes tan tisfaçam, que commummente tas instancias por elle nam hir,

lhe chamavam em Lisboa o

The que

clefiafticis.

f

num.s.

h

num.s.

Sancto,

no me.

Sancto, & assim foy sua morte , cisco Cardoso diante do San-
sentidissima, a qual socedeo no &tiffimo Sacramento, & ally ef-
anno de 160i.

tava em oraçam acé à meya
P. Frárif:

6 Seguiofe outro Padre noyte:depois disto tomava lúa
co Cardo- em fazer as doutrinas, que foy disciplina.É por isso era tanto
lo fez as o Padre Frācisco Cardoso, cuja o fruyto que recolhia nas dou-
doutrinas, fama ainda hoje vive em Lil trinás; porque era muytá à pe-
com grade boa, porque na verdade foy hű nitēcia com que tratavá o cor-

dos varoens Apostolicos da po; & por isso o seguiam tanto
Companhia:era natural da villa os homens, porque elle conver-
de Fornos do Bispado de Vi sava tanto com Deos. Morreo
zeo, foy homem de grandes'ta nesta casa de Sam Roque, no
lentos;ensinoù Philofophia , & anno de 1604. sendo de idade
leo Theologia , & prègoü com de 60.annos , & viverà muycos
grandissimo applauso: era o pay mais conforme lua valente co-
dos pobres,era o remedio dos

preyçam, se à nam debilitára
affligidos, & assim foy chorado com tantas mortificaçoens, &
quando morréo, como se a cada com os demasiados trabalhos,
huin lhe morrelle todo seu bē; que tomava sobre sy,por acudir
fazia as doutrinas com tamgrā aos pobres,& aos affligidos; dā-
de zelo, & com tanca applica do por bem empregados os an-
çam,& talento,que parece que nos de vida que perdeo, pelo
em Lisboa, & por seus arredo- | fruyto das almas que ganhou.
res,o mūdo todo hia apos elle; Sua morte foy muy sencida em Foy, muy.
contava exemplos de múyta toda a Cidade de Lisboa, foy

to sentida

sua morte. edificaçam,com que fazia grā grandissimo o concurso da gêde abalo nos ouvintes, qué logo te à Igreja de Sam Roque, atè ao outro dia o vinham deman

os pobres, & os mininos da dar na Igreja,& nas crastas de doutrina acudiram com insig. Sam Roque , aonde os hia ef nias de tristeza; celebrandolhe perar, perá os ouvir de con com lagrimas as exequias,& cố fillam.

hum pranto tam desfeyto, que 1 Tratavale com grandif

por muýto tempo senam falou de grande cima alpereza , & nam admitia em outra cousa: os pobres parpenitêcia

. mimo nenhum, nem preserva ticularmente cheravam à per

tivos pera a saude, como alguns da de tam proveytoso varàm;
fazem,com capa de nam adoe que acudia com a doutrina aos
cer. Todas as noytes depois de ignorantes; & socorria com o
cangerem a se recolher a com remedio aos necessicados:
munidade, se hia o Padre Fran-

S4 Ĉ A

Foy home

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porque em todos foy o mais be CAPITULO XLVII. quisto, & o mais amado lupe

rior,que naquelles, tempos haDe outros Padres de grande i via. E com fer muyto brando, virtude, 8 autoridade, que em rigor,quãdo era necessario, mas

tambem castigava com muyto Sam Roque tiveram o of com tal modo, & com tam boa ficio de fazer as dou graça, que os mesmos pennité

ciados lhe ficavam obrigados; trinas.

que esta he a melhor arte de

correyçam castigar a culpa , &
O Padre Frācisco nam escandalizar a pessoa. Al-
P. Nuno

Cardoso socedeo, | sim governou o Collegio de S.
Mascare-
nhas foce.

no fancto exerci

Antâm,o de Coimbra,& a casa deo na mes

cio das doutrinas, de Sam Roque, aonde foy Prema occu- o Padre Nuno Mascarenhas, posito. O primeyro governo paçam. natural de Montemór o Novo, teve foy o Collegio do Algar

filho de Dom Vazco Mascare-ve,cuja fundaçam lhe devemos,

nhas,como jà diflemos, falando porque por seu respeyto se mo-
Cap.47.à n. de feu irmamo P. Pero Masca veo o illustrissimo, & Reveren-

renhas. Tambem este gravissi- dissimo Dom Fernam Martins
mo Padre autorizou muyco el Mascarenhas leu irmam, Bispo
ta lancta occupaçam, porque que entam era do Algarve,a nos
como era tam illustre em fan fundar aquelle Collegio.
gue , & primo com irmam de

E em fim veyo a morrer
Dona Margarida Corte real, em Roma, no, anno de 1637.
nolher do Visorrey Dõ Chrif sendo Assistente de Portugal,&

covam de Moura , que entam tendo de idade 76.annos. Em
par governava este Reyno,era muy seu tempo tivemos a boa sorte
tes do Pd conhecido,& muy estimado: & da canonizaçam dos noflos
carenhas. por ser de fingular natureza, dous Sanctos Ignacio de Loyo-

benigno, & muy affavel, trazia la, & Francisco de Xavier
apos sy a Cidade toda , gostan- qual se deve grande parte deste
do muyto de lhe ouvir as dou bom successo ao Padre Nuno
trinas, que fazia com grande Mascarenhas, porque com sua
cuydado, & continuaria mais boa agencia, & grande entrada,
nesta tam louvavel occupa que

tinha

com o Summo Ponçam,lenam folle divertido co y tifice , & com os mais Princeos governos, em qo merèram, pes Ecclesiasticos(porque de todos quas deo muy boa conta, dos era muyamado, & muy

eftimado)

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Boas

na

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