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*"}" % dêtro em Lisboa tinha ja outra Vniverfidade,como adeParís,aonde elle etudára; muito gotou o fereniffimo Rey de ouvir tam boas novas, vendo quam valente fuccefo tinham as efcholas dete Collegio, & a grande fatisfaçam q havia em toda a corte de feus metres,os quaes muitas vezes hiam a diputar,&ter oraçoésdiãte defua real preséça, e daquife moveo a nosentregar o Collegio Real das Artes da Vniverfidade de Coimbra, coAo colo.mo adiante veremos de forte,á godes in nam sò foyete o primeiroColFam./e de legio que em Portugal teve claf }****/ fes,mas tambem foy o que deo Reynosdeo metres a Evora,& a Coimbra, e% coin-J & Por feu refpeito fenos deo o Collegio das Artes, & etudos menores em Coimbra. 4 Outra excellencia tam* * bem muy notavel téete Colle

-Anno de

Bra.

Livro quarto.

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torizaffe as fuas regras. Foy sêpre o monte Sinaitido do povo de Deos em fingular veneraçam, por aquelle fer o primeiro lugar, em que Deos manifetou aos homens as leys,, com que queria fervenerado; na me{ma devemos ter a efte fancto Collegio, pois foy o lugar, em que fahíram a publico leys tam fan&tas,& etatutos tamfagrados. 5. Tambem he gloria notavel dete Collegio fer elle o primeiro que em fy recolheo,& agafalhou os Padres que funda ram a cafa de S.Roque, porque daqui fihíram, com o feu primeiro Prepofito (que foy o in: comparavel varám Dom Gon

### gio,porque nelle mandou S. Igmeçaram, nacio que, neta Provincia,feco "...apro- meçafem a publicar as Conti*** | tuiçoens da Companhia (como #%.logo diremo) porque afim co# monete Collegio começou a

Companhia com o real empa

ro do fereniffimo Rey D. Ioam, afsi també quizoSãáto,4 as Cõtituiçoens da me{ma Compa

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nhia fahiflem a luz com appro

çalo da Sylveira)&daqui levá

ram parte empretados, & par

tes dados os moveis, & alfayas, com que aquelles bons Padres, como verdadeiros pobres de ef pirito, entam fe remediáram, donde fevè a obrigaçam, & reconhecimento, que a cata de S. Roque deve fempre ao Collegio de S. Antam. Daqui també fahíram os que foram fundar o Collegio de Coimbra, & nam sò agafalhou entam aos primeiros Padres, que vinham pera S.

Roque, fenam que ainda agora he ete Collegio o commum hopicio de todos os ditofos mif fionarios, que os mais dos annos manda eta Provincia pera a In

dia,pera a China, pera o lapám,

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DeS. Antã /ahiramos Padres, q fundáram a ca/a de S. Roque.

& pera as mais partes tranfma

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| imas, ette he o cavallo Troya

no cheyo de foldadefca do ceo, donde todos os annos fahem os conluitadores das almas. Nam houve no Oriente martyr glorio(o da nofa Companhia, falhido de Portugal, que nam experimentafe primeiro a muita charidade que fempre houve nete Collegio, pera com hopedes femelhantes; & em quanto nelle eta charidade durar, he certo que lhe nam ha Dcos de faltar; antes he bem que fe perfuadam os fuperiores do Collegio de S. Antam, que nam comrirám com as obrigaçoens de feu cargo, fe faltarem na charidade com os hofpedes, 6 Todas etas grandes excellencias finalmente fe coroáram com a illuftrifima laureola de martyrio do feu primeiro Reytor dete Collegio,oinfigne varam Ignacio de Azevedo,que nam sò na voz do povo he tido por martyr,mas por capitâm ef clarecido de Martyres gloriofos,pera que eta gloria namfaltafe a quem tantas outras fobejavam; & pera que tambem cõ eta, como em outras muitas

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Chrito; afsim o Collegio de S. | Antam, com igual rezám, fe glo ria de ter no mefmo tempo por feu primeiro Reytor outro ram infigne varàm, & provincial de Martyres,dos quaes logo brevemente falarey, deixando a relaçam mais larga pera diante, em que haverá melhor occafiam. 7 Età hoje efte real Col. legio muy atrazado no tempo. ral com dividas, caufadas pela innocencia de alguns Padres, que com perdas proprias, tomárã (obre fy obrigaçoés alheyas, experimentando nôs muy roins pagas de quem lhe etava em grandes obrigaçoens, cujo fuccefo a feu tempo fe contará mais por menor, pera que ao mundo todo conte de nofia verdade, & de nofajutiça, & pera que fe veja a innocencia

de outros; & fe acautelem os Religiofos,em fe fiarem de promefas degente poderofa, perfuadindofe os da Companhia, que fua obrigaçam nam he bufcar dinheiro pera empretar, mas bufcar almas pera falvar: agora nam he ainda tempo pera bulir nete fogo, que etádebaixo da cinza enganadora. Eítà cõ tudo por outra parte oCol legio autorizado,&acrecentado

primeiro Prepofito aquelle inetimavel varàm, & Padre muy

nas Cadeiras, porque (àlem da liçam do Moral, Mathematicas, Philofophia, & nove claffes de

efclarecido, o P.Gonçalo daSylveira, que deu a vida pela fé de

deiras

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de de huns,& a pouca gratidam |

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Latinidade) tem hoje duas Ca

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O que prefidia aos nofos em

"Parte fegunda. Livro quarto. Cap.VI.

deiras de Theologia efpecula-
tiva; & e{peramos em Deos,
que cedo fe acabarà, o feu fa-
mofo templo, fundado pela
illutrifima fenhora Condefa
de Linhares Dona Phelippa de
Sà, que poderà competir com
as bazilicas mais celebradas em

Collegio fe acabar, conforme
agora vay continuando, ferà
hum dos mais grandiofos edifi-
cios de Europa....... . . . ":

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CAPITv Lo VI. "
Das virtudes do Padre Igná-
tio de Azevedo,primeiroRey-
turda Colégio de Sanilo Ah-
tam, & de como foy a Ro-
| maporProcurador
da India,& do
* Brafil. !

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Hepanha toda; & fe a obra do |

#gloria , entre as
# grandes preroga-

** tivas,que temos a-
pontado dete real Collegio de
S. Antam, a que tocamos no ca-

o Padre Ignacio de Azevedo,
porque atè o anno em que hi-

pitulo pafado do primeyroll
Reytor que teve, depois de fer|

• forma, o qual foy |
Collegio em forma, o qualfoy | & muy dado aos exercicios ef

-mos neta Chronica de 1552.

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Lisboa nete moteiro de San

}&to Antam, nam tinha máis que
| o nome de Superior. Foy o Pa-
|dre Ignacio de Azevedo em tu-
i|do o primeyro Reytor daquel-
|le Collegio, primeyro na ora-

çã,e na mortificaçam;primeyro
no illutre fangue, que herdou
de feus avós, & muito mais illu-

|tre pelo fingue,que derramou

pela fêCatholica.Nao primeira
parte deta Chronica fizemos
mençâm de quem era, de f a
nobreza, defua entrada na Cô-
panhia,& de feus louvaveis pré-
cedimentos nos primeiros an-

| nos da Religiâm. Mas por-
] que agora nos convida o lugar,
| pois o temos nefte mefmo anno
de 1552(em que himos fallãdo
netaChronica)Reytor deS An-
tàm,nam quero pafar femfazer
delle,aindaque brevemête,mais

algüa cõmemoraçam,pelo mui-
to q lhe deve efte Collegio, &
toda a Provincia de Portugal,
deixando as mais largas noticias
de fuas coufas,pera quê efcrever
os fucefos do anno de 157o no
qual aos 15.de Iulho cõ 4o.cõ-

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panheiros deo a vida pela pro

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lhe veyo efcrupulo, que lhe

Azevedo , foy notavelmente benigno, & compaffivo pera com todos, afim fubditos de cafa , como pobres de fôra: de tudo pudera contar grandes exemplos: fendo Reytor

do Collegio de Braga, como

fofiem poucas, neceffariamente hávia de ter algumas faltas no provimento da cafa, & dos fubditos; chegoufe ao Reytor

|lhe que lhe era neceffario

hum Irmám , reprefentando

|hum jubam , por fer tempo

de inverno, & o frio grande : diffelhe o Padre , que elle o proveria logo; & fahindofe o Irmâm , defpio elle logo o feu jubàm , & o mandou entregar ao Irmâm, fem ninguem faber quâm de facomodado ele ficava : porèm o frio era grande, & af fim como apertava dantes com o fubdito , trepafava tambem o fuperior , de forte que

poderia fazer muito mal à faude ; & defejando por huma parte experimentar faltas, ainda no neceffario, & por outra procurando nam fe expor a ter alguma enfermidade, tratou de remediar o frio, & de nam faltar à pobreza; vayfe á etrebaria , aonde tinham naquelle tempo hum jumentinho , & tomandolhe hum pedaço da cuberta , lhe fez hum buraco no meyo , por onde meteo a cabeça , & a veítio, & trovxe debaixo da roupeta; & afim mal remediado andou por muito tempo, com eta nova traça de jubam; que o varâm fanáto sò trata de bufcar (como Sam Paulo o amoeta) com que fe cubrir, & nam com que fe enfeitar. Muito mais tempo andaria o bom Reytor com tal pefa, fe affim como a encubria con grande filencio, a nam manife

ftafe o ruim cheiro, por onde

ad

b

1.Thim. c.6 n.8. Habentes alimeta, &quibustegamur, his: contenti 11- { ITAUlS,

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do |

bi |

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Parte figunda. Livro quarto. Cap. PT 27 •

zer melhorar de vetido, etranhandolhe o que trazia, lhe refbondeo o Padre Ignacio de Azevedo, que o deixaffe continuar, porque nenhum vetdo lhe convinha mais que aquelle: tal era o deprezo proprio dete grãde fervo de Deos, defejando , à imitaçam do Rey e Propheta, fazer(e por

humildade tam abatido, como

por natureza era aquelle cujo fora o feu jubam. Nete particular de fua grande humildade fazia excefos dignos de admiraçam: fendo fuperior, & tendo cargo d'eta Provincia , quando hia vifitar os Collegios, ca

minhava a pè, ou fobre hum | jumento, & em chegando a

alguma nota cafa, ele o levava à etrebaria, & o penfava, & lhe dava o necefario; havendo aquelle exem

plo por muy principal acto |

de fua vifita, perfuadindofe que melhor governa , quem melhor fe humilha ; & era tal o bom modo, com que acodia a etes vis miniterios, que nam diminuia , antes acrefcentava fua muita autoridade, que ete he o preço ineftimavel da virtude , que aly acrefcenta o valor mais fu

bido, no que o mundo tem por

mais aviltado,

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6 O cuydado da filvaçam das almas nefte fervo de Deos

nhum tempo fe efeufava de prègar , de confeffar, & de acodir ao bem dos proximos, como vimos na primeira parte, pelo que lhe fuccedeo em Braga, quando por caufã de fua continuaçam no con fifionario , fe moveo aquelIe infigne varám Frey Bertholameo dos Martyres, Ar cebipo de Braga , & Primas das Hepanhas, a nos fun dar o Collegio na fua cidade de Braga. Sendo aly Reytor, & pedindolhe a villa de Barcellos algum Padre pera lhe prégar, & confeffar na Quarefma ; nam havendo jà Óutro Sacerdote que lhe dar, ele me{mo lhe acodio, deixando o cuydado do Collegio a outrem; etimando maes o officio de Confeffor, que o cargô de Reytor. Notavel foy o fruito que recolheo neta nobre, & antigua villa, na qual prégava aos Domingos, às quartas; & às fetas feiras, todos os mais dias fe hia com feu companheiro a pé, pelos lugares vifinhos, prègando muitas vezes no dia , & guardando fempre feu bom cutume , de fahir do pulpito pera o ConfiÍsionario, & nelle continuar até as

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foy ferventifsimo ; em ne

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