Imagens das páginas
PDF

- ... de Chrfio de I 553.

[ocr errors][ocr errors]

queria ler bom, mas nam que-
ria que o tivefem por mao,que

deítas contradiçoens uza hum

Peccador, qquer fer viciofo, &
quer parecer virtuofo; & cõfor-
meito,quer,&nam quer, co-
modo priguiçofo diffe o Epi-
rito o Sancto;em fim fevéyo o
Padre a Pinda,que dita da cor-
te de Congo quarenta legoas,
pera (e embarcar, aonde achou
alguns Portugueles,que ally ti-
nham fahido,obrigados de húa
grande tempetade, que lhes
deo, vindo da Índia; occupoufe
o Padre no ferviço detes po-

bres naufragantes,atè que che-
gou húa ordem do Rey de Cõ-

go,em que mandava,fob graves
penas,que todos os brancos (4
afim chamam os de Europa) fe

fähifem de feus Reynos, com

efta ordem fe embarcou o Pa-
dre com dous mininos orfãos

(porque o terceyro,&juntamé

te o Padre Fructuofo Noguey.

ra morrèram pouco depois de

entrarem em Congo.) Chegà-
ram brevemente à ilha de Sam
Thomè aquife deteve o Padre
alguns mefes,& (e occupou em

[ocr errors]

ao Padre, & por amor delle á

} Companhia, que fe refolvéram

de fundar naquela ilha hum

Collegio,eferevêdo logo fobre |ito a Portugal; pera onde fe] |

[ocr errors][merged small]

artio o Padre, & chegando a

------ ---

do etado da Chritandade da--Anno da | poisfe mudou pera o Collegio|14. de Evora, donde tinha fahido pera eta miísâm. . . . 1o Ete foy o fuceio da fegunda misâm de Congo, & nam foyeta a ultima q a Com panhia fez àquelle Reyno, mas nam foy tambem a ultima que teve ruim fucefo,fundado fem-| renam menos na incontan |cia,que aquelles barbaros tem na virtude,que na perfeverança que querem ter nos vicios,elles com tudo ainda hoje tcm o nome de Chriftãos, tem Sè, tem Conegos,tem Cabido, & de tudo tem pouco mais que o no. me (como eles fe queyxavam, 4 dizia o Padre Cornelio Gomes.) Foram porêm fempre muytos os trabalhos, que os da Companhia ally padeceram, por cultivar aquelas charnecas | bravias, & por ver,fe àlem do | | nome,lhe podiam perfuadir obras de Chriftãos; mas fempre foy mais o trabalho que a colheyra;& eles fe tem motrado muy ingratos a Portugal, a quê tinham grãdes obrigaçoés, por- | ue(álem de lhes enfinar a Fè): ellando o Reynoide Congo em poder dos lagas, por morte do feu Rey Dom Bernardo, os | libertou ### Dõ Sebatiam, | ... ácuta da Coroa de Portugal, [...

A gente de Congo he inconflite, &#/am in

gratos a Portugal.

, & fez aqueles Reys vafallos
mas eles como " |

quelle Reyno de Congo, & de- |cipanha

- defa

[graphic]
[ocr errors][merged small][merged small][ocr errors][merged small][merged small][ocr errors][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][ocr errors][ocr errors][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][merged small][ocr errors][merged small][merged small][merged small][ocr errors][graphic][graphic][graphic]
[merged small][merged small][ocr errors][ocr errors][merged small]

o qual Dö Duarte foy filho de
D. Alvaro da Cota(Embayxa-
dor por elRey Dom Manoel ao
Emperador Carlos

muyto aos nofos Padres, & os
tratou no már, & na terra cõ o

fua muyta chritandade, & co-
nhecida fidalguiafe podia efpe-
rar. Aos treze de Iulho do mef>
|mo anno, lãçãram ferro na Ba-
hia de todos os Sanótos, aonde
foram muy bê recebidos do P.
Manoel de Nobrega,& muyfe-

tam homé de muytos mereci-
mentos,q tinha fidoProviforna

[ocr errors]
[ocr errors]
[ocr errors]

ros de P.Luis da Gram(fegundo
la mais ao certo)foramosPadres

[ocr errors]

# Lourenço, Gregorio.Ser

Bavidentreifensirmãos. . .
Muyto poderamos aqui.

uinto) & de fua molher D. Brites de Payva; & neta occafiam etimou |

repeyto,&humanidade,que de

|tejados do Bipo D.Pedro Ley

[ocr errors]

Braz Catelhano, & o Irmam:
Jofeph de Anchieta,á era o me-
norma idade, como o prqueno]]po - ••
|- |vilhas,que nam, tem conto: &

das etrellas defaparece tanto,4
no Orizonte Oriétal começa a

Anno da C panhia

otentar feus rayos de -ouro o 14

Principe dos Planetas; afim à
vita do P.Iefeph de Anchieta,
q foy hú novo Sol do múdo no-

vo do Brazil,ficam defaparecê

do os melhores luzimentos de
tam ditofos mifionarios.Etehe
aquelle tam celebrado Ioteph
de Anchieta, tam afamado no
mńdo,tam repeytado de todos,

fânctona vida,prudente no go-]

verno,prodígiofo nas obras, ze-
lador das almas, & verdadeyro
Apotolo do Brazil. Ela héa-
quella bellifima flor,aquella ro-

fa virginal, 4 deo tal cheyro de

|fuâvidade,entre àquelles matos
lincultos, & areaes defcalvados

de obrastam milagrofas,çõque

[ocr errors]

ndo Taumaturgo. A hitoria dete Admiravelvarám anda cópota por muytos authores, imprefa por muytas vias,&traduzida em muytas lingoas, que todas fim poucas pera contar fuas mara

[ocr errors]

Anchieta. |

A hi/toria do P. Anchieta anda traduzida em muytas lingoas.

| v |#Myiopodo |perferem fantas, o quafi, que "|dizer do muyto qetes nofos|as namgueria aqui referir, por o "mifiónarios trabalháramíneta || me parecer que nam cabiatam ... . . ofpiritual empre a da cóversam|grãde Sol em tampequenoglo- } |dos Brazis,porem afim como a|bo, nem tam efpaço(o mundo "os. : "luz mais brilhãte das mais luzi-l{emtam limitado mappa. Com

... — - - - - tudo,

[ocr errors]
[ocr errors]
[ocr errors]

Patria do

PadreAnchieta.

Parte fegunda. T 7 Cap. VI.

tudo, porque vou fempre neta chronica tecendo brevemente as vidas dos varoens mais infignés, que entraram neta noíla Provincio, no tempo em q viveo nofo P.S.Ignacio, & efte he hú dos mais admiraveis, nam quo" ro deyxar de fazer delle huma lembrança breve,pois lhe devemos muytas muy compridas 4 Nafceo Iofeph de Ano chieta no anno de 1 533 em Tanarife, que he húa das ilhas Canarias, a que os latinos chamáram asFortunatas,que sò por darem tal fruyto mereciam o felicifsimo nome de bé afortunadas:os pays eram nobres, & ricos,poto que a mayor nobreza,&a melhor riqueza lhes procedeo detefeu ditofo filho: & porque Deos o criava pera fi, & o queria tirar de húa ilha pera o trazer por muytos màres,& pera o levar por muytas terras, infpirou a feus pays,que o mandafiem etudar à nofía Vniverfidade de Coimbra,aonde febé aproveytou nas letras, melhor crefceo na virtude; hum dia na Igreja principal, potrado de joelhos diante de hum altar da Rainha do cèo,lhe fez voto de virginal,& angelica pureza,que

| sépre toda fua vida pútualifimo

goardou;&nam podia deyxar de fer Anjo,quem tinha (obre fy os cuydados da Rainha dos Anjos.

279

ciofa margarita; no anno de Anno da

1551 pedio a Cópanhia (q ha|via Poucos annos que tinha entrado em Coimbra)& nella foy recebido,fendo elle dequafi 17. annos.Começou o caminho da perfeyçam cõ tal fervor, & era nelle tam grãde a devaçam ao Sãátifimo Sacraméto,4 na melmamenhã ajudava fucéfivaméte ao menos a oyto mifas,todas de joelhos,perfuadindofe como noviço fervorofo, q nam podia ter dano o corpo, no exercicio em á recebia goto a alma. Cõ eta cõtinuaçam.jñta cõ as mais penitêcias veyoa enfermargra. vemento.& a rêder pelas cotas,

| ficando com achaque de velho | ainda em idade de moço; poré

renderã{e os hõbroSporá CT4fT) de carne,mas naõ fe rédeo ocoraçam,porá pera o trabalho era de ferro.ficou o corpo quebrano

|tado, mas o epirito continuou

mais alentado. Perfeverou com tudo a dočça por e{paço de tres annos,cõ talviolêcia, q refolvê

fe dava bê em Portugal,& qperafe achar melhor, era neceffa

á deta forte hia a providencia divina depondo o bé efiritual

de corporal de Anchieta; atè á finalmête deo à vella pera aqlle

5 Pera melhor confervar leta igoalmete perigof. &pre

[merged small][merged small][ocr errors][merged small][merged small]
[ocr errors]
[merged small][ocr errors][merged small]

ram os medicos,qeta pláta naõ | rio mudala pera outro terrenho, do Brazil, à cõta da enfermida-:

novo mundo no anno em q hi

Chega ao
Brazil.

guam fa

cilmente

fomou a

lingoa da terra.

que o acontelhavam,quandole|vado por infpiraçoês de Deos, á o chamava,nam tanto pera hir bufcar remedio pera o corpo enfermo, como pera levar faude às almas perdidas.

hia,começou ete novoSol, a ef>
palhar as luzes de feus fermofos
rayosoccupoufe logo em ler la-
tim aos nofos, & aos de fôra,
fendo o primeyro que naquel-

de,ditofa por ter tal metre, q

mais primas. No me{mo tem

era o melhor interprete do Pa-
dre Provincial Manoel de No-
brega, & verteo name{ma lin-
goa o Catecifmo, & logo com-

enfinam aos nofos, reduzindo

policia da Arte dos latinos.

|meyra parte,faziam aos Portu

6 Delembarcado na Ba- •

flas partes enfinou eta faculda-||ftou ete pera abrandar a dure |
- za daquelles penháfcos, que cõ|
nella foytam efmerado, que |
| pudèra dar lutre às melhores||d -
#Primeyras das Vniverfidades ||lhor etabelicimento dos con
| certos, o quizeram os barbaros
po em que Anchieta enfinava ||réter lá os Padres, & foy necef.
| alingoa latina, lhe enfinavam a |
|lingoa Brazilica; era metre
} eloquentifimo, & faziafe difei-
|pulo de feus me{mos difeipulos, |
aprendia,&juntamente enfina-||
|va (que a charidade atenta ao |
bem do proximo, & nam ref
|peyta a autoridade propria) de
| tal forté fe applicou,que dentro
| em feis mefesfahio tam detro
|na lingoagem Brazilica, que

|entre os Tamoyos;veyonito o
|P. Provincial Manoel de No-

} ele de muy boa vontade efte

poz a Arte Bazilica, por onde |

a barbaria natural dos Indios, à|
• • \, :
|| acudirem as enchentes dos

moyos,de que falamos na pri

guetes;pera a quietar etes bar-
baros indomaveis, foy necefa;
rio mandarlhe huma embayxa-
da pelo nofo Padre Provincial

Manoel de Nobrega (de quem |

largamente falamos no tercey:
ro livro da primeyra o parte) o
qual levou configo feu fiel in-
terprete;& infeparavel compa-
nheyro Iofeph de Anchieta;ba-

tal Anjo da paz,nam podia mais
durar a guerra; porèmperame-

fario ficar Anchieta em refens

brega,pelo muyto que fiava do
Irmam lofeph, & pelo muyto q
fe delejava eta paz; affeytando

voluntariocativeyro, pela boa

|occafiam q fe lhe abria de dar |

averdadeyra liberdade áquelles | |ignorantes gentics Grandes fo|ram os trabalhos, & muyto ma|yores os perigos, á aqui pade

ceo o nofo Iofeph cativo, co|mo o outro Iofeph, mas també |

como o outro vífitado;& confo-
lado de Deos, que cutume he
feu, como cantou o "Propheta,

[merged small][ocr errors][ocr errors]
[ocr errors][merged small]

7 Era nete tempo muy |

alivios, fegundo a multidam

[ocr errors]

cruel aguerra, q os Indios Tá.

das dores: a mayor confolaçam

[merged small][ocr errors]
[ocr errors][ocr errors]
[ocr errors][ocr errors]
[ocr errors]

confolatio

[graphic]
« AnteriorContinuar »