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tífimo fidalgo tam grande fatif

façam detes nofos miffiona-
rios,que nas cartas que efcrevia
aos fidalgos feus parentes, dizia
que nunca fora Chritam fenam
depois que conhecêra, & trata-
ra aquelles Padres: motrando
ele neta fua piedofa exagera-
çam a chritandade que em fy
tinha, & a opiniam que de nòs
concebia.

9 Nam parava o zelo do

pria cafà,tambem entrou pelas

alheyas,porque tendo avifo por
via dos nofos dous Padres que

fazenda,elle em pefoa hia com

|os nofos,& quandonam bata:
|vam as praticas dosPadres,com
brandura,acrecentava as amea-

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|fervido deterrar daquela ter-
rá ete vicio,ficando todos muy
melhorados, & agradecidos |
aos Padres, & ao feu Alcayde |

môr, porque dally por dian-
te fem jugarem, ganhavam as
confciencias, peupavam o tem-

|po, & nam perdiam o dinhey

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tia nas amifades que faziam, &

|nas efñolas que haviam pera |

Alcayde mòr dentro defua pro-
| o Sancto em humandor, revef

|tido como Diacono; & no fim
| della pregou o Padre Pero de
na villa havia muytas mefas de |
|jogo,aonde muytos perdiam as |
| confciencias, & confumiam a |
|& afim que erravam nam me-

| nos nas ordens, que lhe davam,
| que nas defordens com que o

|celebravam:comito (e acabou

cudio Dom Ioäm Mafcarenhas,
em os ajudar nos mais minite-
rios,que nas mifoens cutuma-
mos exercitar; porque lhes affi.

deterráram da terra, em epe--Anno da Cipanhia

cial em huma muy fuperticio-
fa ceremonia com que celebra-
vam a Sancto Etevam, porque
vetiam a hum moço com Mi-
tra,& baculo de Bipo, o qual
reprefentava o Sanéto, & óle.
vavam pelas ruas, com jôgos
defcompotos,que mais ferviam
de ocafionar brigas, que de hõ
rar o Sanóto. Ordenàram os
Padres naquella occafiam hu-
ma procifam, na qual levàram

Sancta Cruz, motrando ao po-
vo que o Sanótonam fora Bif
po,mashum dos feteDiacônos,

eta fupertiçam." o
1o Em lugar dete abufo,
ficou affentado, que afeta do
Sancto fe celebrafe dahi em
diantename{ma forma cõ fua
procifam,que fahiffe da Igreja

matriz,& foffeaté á de S. Ete- |
vam; &que as efmolas que fe

|ajuntavam fe repartifem a po-
|bres,por honra do me{mo San-
|cto . Netas quiz o Alcayde |

môr ter tanta parte, qué nam
sò concorria cõ húa muy grof.
fa, mas defobrigou aos mordo-
mos por efcritura publica,dotri-

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os pobres, & nos abufos que

delles

buto á no tal dia eram obriga-
dos pagarlhe, & aplicou o valor

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no leguinte o me{mo Alcayde mór,& comelle o Iuiz de fóra, & hum terceyro dos mais honrados da terra, que entre fyrepartiram os bayrros della, pera fè informarem dos neceffitados, & dos odios,juramentos, catas de jogo,& outros peccados, & ajuntandofe aos Domingos tratafem do remedio delles, recorrendo a el Rey,& a o Prelado,fendo neceffario. Acabada a miísám,fe recolhèram os Padres, & deyxàram a terra toda muy melhorada; vindo muy obrigados a Dom Ioam Mafcarenhas, & ficando elle com grandes fauda- , : : : des dos Pa... dres.

te Aceytâram fervirem no an

C A PITV L O XVI.

Continham as mifoens do Col. legio de Evora: 63 dáfêalgoma noticia dos Reytores difte Collegio, que focederam ao Padre MelchiorCarneyro,até o anno

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Vtras muytas,& muy gloriofas > mifloés fizeram - ## os nofos Padres do Collegio de Evora por todo o Arcebipado, & por toda a Província de Alentejo, entre as quaes foy gloriofifima a que

fez o bendito Padre Dom An

drè de Oviedo Bipo, & depois Paulotch, de Ethiopia; po|rém fopoto que eta mifsam fo: cedeo no anno feguinte de 1555. depois de fua fagraçam, a deyxopera aquelle anno, & pera o livro feguinte, em que OutT3 VCZ tOr[] are InOS 2. TCnovar o goto, em fallar nas coufas do Collegio de Evo1'3',

, 2 Tambem nete anno de 15:54, foy de muyta gloria de Deos a mifsàm que fez à Cidade de Elvas o Padre Manoel Fernandes; nam o de Tangere (de quem falamos na primeyra parte o que tãbem neta Cidade

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327

e Anno da (panhia

I 5.

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Mi/Sám a Elvas pelo P. Ma. noel Fer.

77/177465.

8o 1. p.1.3. à c. 4•

|

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Chrifto de
I 5 54.

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cordias, que fe aquietàram; Amo da

fez muyto ferviço a Deos, co-
muytas as retituiçoens que

mo difemos) fenam outro P.
Manoel Fernãdes, q foy noviço
em Lisboa do Padre Antonio
Correa,de quê falamos no capi-
tulo 39.do quartoo livro,o qual
focedeo ao outro Padre Manoel
Fernandes no pulpito, & nas

|mais occupaçoens, foy ete Pa-
|dre a Elvas, mandado em mif-
|<àm pelo Cardeal, porque eta
} Cidade, ainda naquelle tempo
pertencia ao Arcebipado de |
| Evora, & nam teve Sè Cathe-

dral,nem foy Bifpado diftincto,

fenam no anno de 157o. em q

tiam, por Bullas do Papa Pio
Quinto, foy levantada aquela

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à petiçam del Rey Dom Seba-
- |mo adiante largamente vere-
|| II1OS, . • •
Igreja a femelhante dignidade |
|Hia por companheyro da mif:
|sâm o Padre Pero de Sancta
| Cruz. , , ,

os dous Padres neta mifsam,

|que fe recolheo : concorriam
os povos com grande vontade
|a ouvir os Sermoés nas Igrejas,

tavel reformaçam, que muytos,

fe fizeram : tomáram muytos
os exercicios epirituaes deSan-
&to Ignacio; & em refoluçam
procedèram os Padres neta

cefos, que nas outras cutu,
mamos a referir, enfayandof
aqui neta o Padre Manoel
Fernandes, pera a principal,

de padeceo grandiffimos tra-
balhos,cultivando aquella tra-
balhofa vinha do Senhor, co-

4 Deyxo eta, & outras mifqens que os nofos fizeram por todo o Arcebipado de Evora, & pela Provincia de Alentejo, por ferem os cafos quafi OS mefmos, que nas OUl

Cipanhia

miÍsám com todas as mais ce-
remonias fanctas, &bons fu |

| que fez no anno de 1555. a |
India,& dahià Ethiopia, aon-

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tras mifoens tenhó referido; & recolhamonos ao Collegio de Evora, do qual tambem fe partio pera Lisboa, pera dahi fe embarcar pera a mif> sàm da India o feu primeyro Reytor o Padre Melchior Carneyro", conforme contamos na primeyra b parte detachronica; & he neceffario apontarmoslhe focefor;" & confef. fo que me nam cutou pequeno trabalho, tirar a lim

po quaes foram os Reytores

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depois do Padre Melchior
. ..." Car-_

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|

Anno de Chr/lo de 1 554.

Dos Reytores que focederam ao P. Melchior Carneyro.

Miguel de Barros/e gãao Reyror de E

FREEN LETTXT 35"

Carneyro, & mayor foy o trabalho por achar muytos, que

por ferem poucos,porque o Pa

dre Melchior Carneyro, conforme minhas contas,começou feu Reytorado no anno de 1551. & continuou atè o de 1555.exclufivá, porque fe partio pera Lisboa ainda no anno de 1554. a prepararfe pera a mifsám; & no de 1556, foy Reytor de Evora o Padre Leâm Henriques, como largamente veremos;& com haver sòmente dous pera tres annos vagos entre o Padre Melchior Carrey. ro,& o Padre Leám Henriques, acho com tudo que nete pouco tempo,houve em Evora quatro Reytores,que foram o Padre Miguel de Barros, o Padre Affonfo Barreto, o Padre Mar

Gomes:& he tam pouca a notideyxaram detas coufas, q nam

houve,pera durarem tam poucoetes Reytores no governo daquelle Collegio; porêm pera que de todo fenam perca a lébrança de Religiofos de tanta

edificaçam,aos quaes tanto devemos, porey aqui brevemente o que delles pude tirar a lim

O. • p 5 Ao P. Melchior Carneyro focedeo no Reytorado de Evora o Padre Miguel de

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Barros,que foy hum dos com

cos Iorge, & o Padre Cornelio |

cia que os nofos antigos nos |

fabemos ao certo as caufas que |

ra o parte. Era ete Padre natu

bra em Abril de 1549. Erajà Theologo quando entrou na Companhia, & veyo a cõtinuar em Evora a Theolegia com os outros companheyros; & he boa prova de fua muyta prudêcia,& grande virtude fer elle o efcolhido entre todos pera fuperior, & cabeça de feus condifcipulos, & de fubditos de tãtos talentos, como eram os que nete Collegio já floreciam,dos quaes muytos eram de mai annos de Religiam. Nam acho memorias do tempo,que conti

|nuou no governo do Collegio,

nem me contadas caufas, que houve pera durar tam pouco neta occupaçam: sò conta q em Mayo de 1 555.jà governava o Padre Marcos Iorge, porque temos huma carta pera o P.Gonçalo da Sylveyra,Prepofito da cafa de Sam Roque, em que fe lhe efêreve o focedido naquele mes, no Collegio de Evora, & fe diz nella fere{crita por commifíam do dito Padré Marcos Iorge.Ete Padre Miguel de Barros teve entre nòs a ultima, & mais grave profif. fám folemne, que chamamos de quatro votos; foy homem de muyta virtude, & de gran

panheyros q trouxera de Coim-124" da bra(como difemos na primey- Copanhia

ral da cidade do Porto; tinha ], pl. ; c. entrado no Collegio de Coim- •

lde zelo das almas, & mor

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taochronica)natural da cidade do Porto,filho de Gapar Barreto,nobiliffimo cidadâm, irmam do Patriarcha Dom Ioäm Nu

| : p.l. 1. cap. ultimo.

nes Barreto(de quem falaremos adiante) & do Padre Melchior Nunes Barreto,fucefor na emprefa da conversàm do Iapam

do Padre Sam Francifco de

Xavier (

mençam na primeyra parte de

maráofinho fancto, afim chamado na ribeyra de Lisboa, de quem contamos, que feveítio em trajos de moço de ganhar pera com ete fancto disfarce ganhar almas, & enfinar ignorantes:ete finalmente he o que fe fez moço de hum Sacerdote fenfual, fazendofe fervo do que era cativo do peccado, pera o trazer a liberdade da graça.De Evora veyo o Padre Afonfo Barreto a Coimbra, & d'ally a Lisboa, aonde foy o fegundo Reytor do Collegio de Sancto

| Antâm, focedendo no fim do

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do qual faley na pri- -" d meyra o parte.)Ete he aquelle ... I 5.

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éto Antám deve a eta nobilif.

dous Reytores; & tambem o |

Barros, fegüdo Reytor daquel-|

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