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Parte/guida. Luofu... UP. XXVIII, 377

mayores tocantes a feu governo,&a feu Reynado, porque ef ta empreza demanda engenhos fuperiores; principalmente que já a tomàram à fua conta outros muy nobres Chronitas. Mas nem por ferem mais dometicas,& parecerem menos altivas

creverey, deyxarâm de nos dar goto lédoas,ou ouvindoas, porque (como diffe hum muy fublime hiftoriadoro)naturalmen

confis dos grandes Princepes, ainda que elas em y pareçam muy pequenas: principalmente porque a vida do Sereniffimo Cardeal Infante, & depois Rey de Portugal,foytam illutre, & tam exemplar, que merece que muytos empreguem feus talentos em a efcrever, pondoa por efpelho diante de todos osPrincepes ecclefiaticos, & Monarcas feculares., o

2 Porque fe houve entre os Sabios antigos alguns autores,que por fervirem às fuas ref. publicas, trocaram em hitorias os intentos com que outros le: vantàram etatuas aos varoens uais afamados,fingindo emfeus sfcritos Princepes dotados de

{coda a magnanimidade na con

traria, & na proípera fortuna, magnificos nas obras, libe

que teve a nofsa Religiam; deyxando por agora as coutas

algumas materias, que aqui ef.

mo Princepe no anno de mil

nas guerras, cono foy o celebrado Alcibiades o de Platam, & o famofo Cyro de Xenophõte, o cujas vidas efcrevéram ef tes dous Autores, nam como foram, mas como deviam fer, pera motrarem aos Princepes hum exemplar, pelo qual fe houvefem de governar. Muytomayor rezám temos nòs perac{crever etas coufas, porque em o Infante Cardeal, & Rey Dom Henrique motrou Deos, que podia mais a verdade, que o fingimento; mais a graça de Chrito,que a Philofophia dos Gregos; & por ifo delle podemos, com mayor fundamento, dizer o que Sancto Am-|,_d brofio o de Abraham, que # mais he o que elle fez em rea

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2. Maior am bitiofo elo

- lidades,do que foy Q que 2 Phi- quente mé

dacio fimplex veritatis fides.

lofophia inventou em feus fingimentos. | 3 Naceo ete SereniffiNacimêto quinhentos & doze no ultimo doCardeal de Ianeyro, hum dia antes da vepora da Purificaçam da Virgem purifima, Senhora noff, que elle depois teve por fingular favor, que a mãy de Deos lhe fez; difpondo as coufas de forte, que entam fahife, a luz fua vida nacendo , pouco antes d'aquelle dia , em que a Senhora motrou nacido o ref plandor da luz divina, no

| Templo de Ierufalem : & pe

raes nas mergés, & esforçados

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fè fer todo feu aquelle naciméto, & afsim acrecentou ao pri

pera os amontoar em ete Princepe; & porfer coufa eta tam| | rara,em hum clima tam beni.

fante em fua vida, afim na pureza da vida,como na devaçam | da Senhora, que motrou bem, que o cafo da neve em feu nacimento,mais foy profecia certa, que fuccefo cafual. -

5 Foy feu pay o felicifi

a Serenifima Rainha D.Maria, Princefa de grandes virtudes (filha dos Catholicos Reys de Catella Dom Fernando, & D. I{abel) com a qual tinha cele

brado fegundo matrimonio, & | nelle foy o fetimo filho dete grande Rey,& tambem foy o q melhor o reprefentou nas feyçoens do corpo, & nos cutumes da alma. Naceo nos paços da Alcaçova (palavra que os Mouros deyxèram em Epanha,com que fignificam o Caf | tello)& nelle morava elRey D.

|- os prudentes a novidade por | o certo pronotico do fingular | |dôte da alvifsima neve da pure|za com que o Senhor adornou |ete clariffimo Princepe.&tam|bem o tomaram outros em fi|nal da pôfe que a Virgem pu|rifsima tomava do cor |alma do Infante, cubrindo de | neve a cidade aonde naceo, da

Manoel,em quantonam fez os paços da Ribeyra. Foy bautizado por Dõ Iorge de Almeyda(filho de Dom Lopo de Almeyda , primeyro Conde de Abrantes,& de Dona Brites da | Sylva)que era Bifoo de Coimbra, & foy Prelado de grande | virtude,de muyta prudencia;&# notavel authoridade, o qual viveo Bipo de Coimbra, quafi 62 annos. Nos primeyros an-, nos aprendeo o Infante com muyto cuydado as letras hu

manas, & foy bom latino, & | foube as lingoas Gregas, & He

braycas na quaes teve porme{tre

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Scienezas que aprè deo.

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vro de humilias, fobre os Evan-
gelhos, que felem por todo o -
anno,reduzindoos a pontos, em |
que fe pudefem meditars &
ainda que sò as compoz pera
(eu proprio ufo,depois as feze!"
tampar em vulgar o muy reli-
giofo Padre Fr. Luis de Gram-
ja:& tambem fahiram impref>{
las em latim, por indutrial dah

"fuá Vniverfidade de Evora, no !

anno de 1576&depois fetor-
nãrama imprimir em Frandes |
no annoide 1 537, por Rrey |

à intancia de Dom Francisco
Givaltes;& tambem o Bipo D: {
Ieronymo Ozoriolhas traduzio
em latim: &the fez imprimir |
asanho de 1557.«outras fras;
meditaçoens fobre o Pater no-
... ...>...... f. f3 ... :

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6o Enera que entendamos

figens,em efpecial em humili

quanto aproveytou ete Sere- |

niísimo Infante em todo gene

ro de letras divinas, & huma-
nas, porey aqui o que delle ef.
creveo aquelle grande oraculo
de fabidoria em feu tempo, Lé-

| te de Prima na Vniverfidade

de Coimbra,Martim de Alpil-
cueta Navarro,o qual no livro,

que intitulou Encheridion, & |vulgarmente chamamos Ma

nual de Confeflores, de tal ma-
neyra louva a fabiduria do In-
fante, que confiderada a muyta
fynceridade dete grande Dou-
tor, & a candura, & perfeyçam
de feureligiofo animo, nos o-
briga a que tenhamos por ver.

| dadeyros os louvores que lhe

elle dá,que ifo tem os homens
de verdade,que nellesjulgamos

por verdadeyros os termos,que

em outros teriamos por encari-
cimétos8.h/eram(diz ele no li-
vro alegado)/ummam eorum,que
in (emmentarj: de "fora ferpforam,
adfrutandum fundamenta, qualus

?lerentur dubia quedam, que anno | mil fimo quingentofimo quinguag/ /mo quartofolgere infera C./k^pone Ilairfimus ile(ardinalis,título Antonib de Sena pominicano, forum. Quatuor Coronator" , omniñ |

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[...] >

li 4 tfura,

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h Iacob. Tip. in fymbol. imperat.

Empreza

que tomou o Infante Cardeal

38o Chronica da Companhia de Ie/h,em Portugal .

ufura pera defcabrir os fundamentos, com que foliafe certas duvida,que 730 anno de mil quinhentos/ncoenta Çr quatro,em Lisboa me mandou faltar

aquele illu/h16mo cardial do nulo dos quatro Coroados, o inclyto Zom //enrique Infante de Portugal, acompanhado do ajuntamento de todas as virtudes heroicas, (9 de hum grande conhecimento das faiencias divinas, gr humanas,Grc. 7 E lacobchTipocio Chronita mór do Imperio, no tempo de Rodolpho II. em huma breve declaraçam que faz fobre as emprezas dos Emperadores,& Reys da Chritandude, declarando a que o nofo Cardeal,& Rey Dom Henrique tomou com a invetidura do Reyno(4 foy huma nao à vella com eta letra,7uberg uber,que vem e dizer,que fe o már he tempetuofo,tambem he proveytofo) começou a explicaçam com ef tas palavras, Regis eruditi/ymbolum eruditum,empreza erudita de hú $ey erudito. 8 E como era tam fabio

.|gotava da igoaria das letras; &

i Damiam de Goes 4. P. c. p.o4.

por ifo mandava vir diante de y,quando etava à mefa,humas vezes Theologos, outras Philofophos, Rhetoricos,& Humanidas,pera que em fua prefènça difputafem, & trataffem feus argumentos,como tambem fazia elRey Dõ"Manoelfeu pay, & o Sanctifsimo Padre Paulo | III. Renovãdo com ventagem a

|que motravam aquelles Sabios

curiofidade tam encarecida, cõ

antigos o quanto etimavam a Sabidoria, quando,levantada a mela,etendiam os feroens, praticando (obre os fegredos da natureza,movimentos dos céos, curios das etrellas,eclypfes dos Planetas,com que deram mate. ria, & fama áquellas tam cele. bradas noytes Atticas, & dias Saturnaes, Porèm melhor mereceo o Infante no mundo efte louvor,por faber prezar tanto a Sabidoria,que fizefe della prato ao entendimento, na melma hora, em que continuavam as igoarias, emparelhando na e{tima a futentaçam da vida com | o favor dos etudos; temperando os manjares com as letras, adubando o necefario pera o corpo, com o faborofo pera o entendimento. ...

9 E porque era letrado, ef

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timou tanto os letrados, quanto motram as cartas dedicatorias

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de quafi todos os Autores ## ",

quelle tempo, valendote do feu emparo contra os envejolos, é nam featrevendo a fahir a luz com livros proprios, fe fazem duros centores das obras alheyas. Aos autores que fe valiam do emparo do Infante, nam sò favorecia com boas palavras, como muytos fazem, mas tambem com largas mercés,que he lanço de poucos, pera que nelles creceffe o defejo de fahir

COIIi

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