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Anno de, tia igoalmére por todos os reli muyto dos fingulares exemplos Anno da Chrifto de giolos, que bé he, que todos os de modestia,& humildade, ga- Capanha 1556.

que vivem de bayxo das mel nhando naquelles bayxos mi- 17.
mas regras participem dos mef- nisterios altissimos premios, &
mos merecimentos , ainda que grandes ventagens de gloria so-
leja à conta de levarem os mel-berana.
mos trabalhos.Pera o commum 4 Com tudo pera escufar

Tratam de provimento do Collegio de esta incommodidade,de hir,

Ve mudar bayxo vinham os nossos em vir cada dia , de hum Collegio pera ocol. corpo pela cidade, levando hum

ao outro ( que logo naquelle legio de. jumento carregado com o ne principio pareceo grande ) por bayxo. ceffario â vista do povo todo, || causa da perda do tempo, & com grande alegria sua, como menos ganho de récolhimenbons discipulos, que tinham fi to,& dobrados gastos , pera suldo do Padre Simàm Rodrigues tentar dous Collegios separaexercitando em sy estes officios dos; tratava o Padre Provinde despreso proprio , pisando | cial Miguel de Torres de redu. as honras, & vaidades do mun: zir estes dous Collegios a hum do, segundo o exemplo, que ne sò: & como elle em tudo era ste particular nos tinha dado tam parecido a seu antecessor

aquelle excellente varàm o Pa. o Padre Diogo de Miràm, am2.p.1.4. c. dre Dom Gonçalo da Sylveyra, bos Hesponhoes , & ambos hocomo na sua vida contamos.

mens de grande humildade , &
3. Durou este lancto exer como, tambem o Padre Miguel
cicio por alguns annos, acodin- de Torres nam approvalle muy-
do a ellenam sonente os disci to as grandesas com que o
pulos, mas tambem os mestres, Padre Mestre Simiâm tinha co-
os mesmos superiores ; & os meçada a obra do Collegio de
mais graves do Collegio; &tal Coimbra , paréceolbe esta boa
vez lhes acontecia, por nam en occafiam, pera deyxar a largué-
tenderem bem daquelle govér ||sa do sitio , & da arquitectura,
no,desconsercarfelhe a carga,

&& estreytarse mais, acommo-
cahir no meyo da rua a canal dandose com o Collegio de-
tra de maçãs,ou de nozes , fem bayxo.
se saberem dar a conselho, â vi 5 Foram estas: rezoés tam
fta dos muytos, que acodiam a forçosas, & tam aprellada esta
fazer fefta, com semelhantes resolucam,que o Padre Provin-
fuceflos, que se por huma parte cial Miguel de Torres, em ef-
festejavam velosallim embara- feyro fez desistencia nas mãos
çados, por outra le edificavam do serenissimo Rey Dom loà n

do

с

29.

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Christo de codo o edificio que nelle estava do sitio do Collegio de fi.na,có 1 l quinhentos sincoenta & linco; Anno da

foy mandado a este Reyno por

Cipanha 1556. feyto; mandando logo parar co ordem de nosso fancto Padre 17.

as obras': & tracou com todo o Ignacio, com titulo de Visita-
calor da mudança pera o Col dor desta Provincia; & trouxe

P.Luis Go legio de bayxo: & como o fitio, configo doze religiosos de nos- Jirador em

çalves Vi. que elle queria deyxar era tam sa Companhia, que vinham Portugal. bom,logo teve oppoficores, & pera viver em Portugal, que o entre outros , que o pediram a fancto Patriarcha mandava sua Alceza,o concedeo aos muy com particular tençam , & dereverendos Padres da Ordem | sejo de ver a Companhia no de Christo , a quem ordinaria mundo, unida toda no mesmo mente chamamos de Tomar, espirito,pera que nos conhecelque encam estavám jà reforma- semos todos por naturaes, seni

dos pelo seu gravissimo Vilica haver entre nós peregrino , ou O noso Col

dor, & reformador Tr. Antonio estrangeyro, pois todos reco legio je deo Moniz;& porque parte daquel- ||nheciamos o mesmo pay. No: aos Padres le sitio tinha sido destes Padres, tavel foy o espirito com que o de Tomar. & elles nolo tinham largado, Padre Luis Gonçalves', & feus

elles agora tinham mais justiça companheyros passdram este
perà elRey Iho dar;quando nos caminho; caminhavam a pè, pe-
o deyxavamos. E lem duvida dindo esmola, dormindo nos
se executariain logo estas nia hospitaes , fazendo doutrinas
danças,affim a nossa pera o Col- 1 pelas praças , prégando nas
legio de bayxo, como a dos Pa- | igrejas,& nam perdendo lanço
dres de Thomar pera o noslo fi- nenhum, em que podeflem ga-
tio, por assim o largar o noflo nhar almas pera o cèo.
Provincial, que era Hespanhol, 7. Caminhando desta ma-
fe Deos nos 'nam trouxera de neyta com seus companheyros
Roma hum Portugues, que foy o Padre Vificador Luis Gon-
o Padre Luis Gonçalves da Ca- çalves da Camara, chegou a
mara,cujos altos espiritos , nam Portugal, & foy logo beyjar a
fe' limitavam ao Collegio de inâm a lua Alieza , dandolle
bayxo, & em effeyto resistio a huma carca de Sancto Ignacio,
esta mudança, do modo que lo que ainda hoje conferva por
go contarey.

grande reliquia em sua mamo
6. No quarto livro ddille Padre Ignacio Mascarenhas da
2.p.4.cap.
2.p.1.4.cap. mos da hida, que fez a Roma o Companhia de IESVS, fobri-
P. Luis Gonçalves da Camara

; ||| nho do dito Padre Luis Gəno qual no fim do anno de mil çalves, porque fy filho de Do

Fernam

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Non 2

Christo de

que havia no

Anno de

Fernam Martins Mascarenhas, causa da resoluçam, que estava Anno da

que foġ filho de Dô loam Mal- tomada, pelo Padre Provincial Copanha 1556.. carenhas, & de Dona. Aldonça Miguel de Torres, pera deyxar 17.

deVilhena,filha de Simâm Gõ aquella casa pelo Collegio de
çalves da Camara, Conde dal bayxo. Muyco sentio o Padre

Calheta , & Irmâm do Padre Visitador este apressado conse-
Carta des.

Luis Gonçalves) pela qual car lho, que por ser em materia de
Ignacio.

ta tem Deos feyto muytos mi tanta consideraçam, demādáva
lagres,& por estar em partes jâ, mais vagarės; & pera acudir aos
gastada a nam ponho toda aqui. I grandes inconvenientes, que
Foy esta carta feyta em vinte & desta nudāça se podiam leguir,
dous de Outubro de mil qui- || logo com'o mayor affecto de
nhentos fincoenta,& linco; nel seu coraçam, & grande copia
la entre outras cousas, que o sã de rezoens, propoz ao Padre
&to Patriarcha escreve,em abo Provincial, & aos mais Padres Incómodi

.

dades naçam do Padre Luis Gonçal da consulta a conhecida ventaves, diz, que sua estada em Rorgem,que o Collegio de sima fa Collegio de ma foy muy proveytosa pera o zia ao debayxo, na capacidade bayxo. divino serviço,& ajuda dos pro-do lugar, largueza do edificio, ximos,& conclue co estas pala- | | bondade dos àres,alegria da vi. vras, Temnos deyxado o Padre Luis fta,visinhança das escholas maGonçalves muyta edificaçam , & con yores , fòra das humidades do tentamento de seu bom espirito,zelo, sitio debayxo,& dos sobresaltos habilidade, pera cousas do Serviço di continuos das chegas , & inunvino,&c. Depois do Padre Luis daçoens do rio Mondego, que Gonçalves comprir com esta cada vez mais loberbo vay gatam precisa obrigaçam, visitan stando aquella parte da cidade, do a lua Alteza em Lisboa,foy entrando furioso pelas ruas ,

& logo demandar o Collegio de pelas casas, arrombando venceCoimbra,aonde a alma,& o af dor edificios grandiosos,& confecto o levavam.

quiltando vičtorioso aos mef8 Nam se pode explicar almos mosteyros,que estavam por grande cósolaçam, que teve en- aquelles bayrros da cidade, os

trando naquelle sancto Colle- quaes ,sendo izentos de outras Entra nel gio(officina de devaçam , &ef-|| jurisdiçoés,vem a pagar tributo, Collegio de

chola de piedade) no qual se ti & ficam cam sogeytos à tyran-
nha criado,&bebido o primey-li nia deste arrebatado rio, que
ro leyte da devaçam. Achou o de muytos destes mosteyros

,
muy acrescentado na gente, nam deyxou mais que alguns
mas muy parado nas obras, por finaes do lugar, em que esti-

Coimbra.

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veram

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9

نوزاد

dade que

tornara-
Iraz com

I

tra vez

Anno del

Anno veram, por unicos despojos de Christo de suas victorias, ou pera monu

CAPITVLO XXXXV. Cēpanha 1556. mentos, & lembranças dos def

17. acautelados; & a outros, que

Da pratica que o Padre Luis
ainda por aquella parte da cida-
de estam em pé, cada anno a-

Gonçalves feza el Rey , sobre
meaça ruinas lemelhantes.

nam largarmos o Collegio de
Bem cahiram logo os IESUS, & como sua Alteza
Padres no erro, que tinham co-
Difficul-
merido,& o mesmo Padre Pro-

compoz este negoceo,&

fihayia de vincial Miguel de Torres se camos no mesmo

mostrava muyto arrependido, Collegio.

porém achavam,que ja estes ar-
efia refo..
luçam.

rependimentos vinham tarde,
nem podiam já ter algum reme-

Hegado a Lisboa
dio, pela renunciaçam, que ti-

o Padre Luis Go nham feyto nas mãos del Rey,

çalves , depois de Tratam & por intrevir ją nisto sua pala

comunicar o ne

Padres vra real, com que tinha feyta | goceo com os Padres consulto | pedir o doaçam deste Collegio, & do res da Provincia,relolvèram to- Collegio ficio delle a outros religiosos. | dos que ounico remedio deste Coimbra Porém o Padre Luis Gonçal- | negoceo consistia ein pedirem ves, que tinha hum coraçam a lua Alteza,quizesse tornarnos mayor, que as obras; & a fazer nova merce, de nos dar sitio do Collegio,nam desmayou o Collegio,& ficio de fima,qtitam depressa, antes tratou logo || nhamos largado em suas mãos, de buscar remedio a este nego- & de que já estava feyta mercè ceo ; primeyramente felo en aos muy Reverendos Padres de commendar muyco a Deos , & || Thomar:porque esta sem duvise resolveo a voltar a Lisboa, da era a mayor

' difficuldade, por pera representar a sua Alteza a

causa da palavra real, que ja el-
mercè, que de novo delle cava empenhada da parte do
esperava o Collegio Rey, com aquelles religiosos,
de Coimbra.

& como isto era materia de
tanta importancià, tratou o Pa-

dre de buscar húa boa hora, em
Ae

que podeffe falar a sua Alteza,
& proporlhe codas as rezoens,
que havia, pera esperarmos esta
nova nercé. Até

que

finalnice

achan

que o

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Non 3

1956.

2

Pratica do
P.Luis G -

nam tem

Anno de achanito boa ocaliam de audiê.

nós quem julgou, que nos nam comi- Anrio da Chrifto de cia,prostrado aos pés de sua Al-, nha a grandeza que, efte Collegio de- Cipankta

teza,com quem o Padre tinha manda, por ventura por nam advertir 17.
grande confiança,& muyta én que a fumptuosidade da obra,mais de
trada, por ter sido seu cõfeffor, ve refpéyrar ao autor, que a manda
havida licença, dizem que lhe fazer, que dos sogeytospera quem co
falou desta maneyra.

faz:quanto mais que este grande edi-
As obrigaçoens senhor, que ficio mais he pera casa de Deos, que

tem a V. Alteza, Sam 'pera morada de homens que era o que çalves a infinitas ,porque como do ser ao nam Salamám dizia, lançando os olhos à elRey. sér haja distancia infinita, & como el grandesa do templo

: * Opus grande .. Parat.cz
ta minima Companhia deva a U. A. eft,non enim homini, fed Deo 29.8.1.
Ser (pois nam nascèra, Se V.A, a nam præparatur habitatio , queremos
emparàra)bem se segue que as obriga-lefte Collegio pera nelle habitár Deos,
çoens sam infinitas, que as dividas. I poms nelle ham de morar os servos de

limite. Por elles reaes favo- | Deos, que ainda que sejam muýtos,
res nasceo em Roma,eßes redes braços nam igoalam meus desejos, & por iso
A receberam em Portugal.com efse real me nam descontenta a casa por ter
emparo se vio de repente no mundo no principios grandiafos : avaftidam do
meada, & quafi primeyro authorizas Oriente he ainda mayor, & todo elle,
da, que nascida.com tam augufto pro- | | Senhorjestà a cota deste Collegio,por ißo
tečtor espera continuar sempre segura, desejo muyro grande,pera que sempre
Ce de mam tam liberal , & de pas ) Sayam dello muytos missionarios pera
tam cuydadoso,espera sempre alcançar a gentilidade.
reperidas graças, & dobrados favo-

4 V. Alteza nos deo huma
res.

A primeyra obra em que V. A. vez este Collegio,comprounos o firio pera mostrou sua liberal magnificencia foyo a obra,deonos rendas pera os eftüdanedificio do Collegio de Coimbra, que en tes; e neste particular nami temos refuas grandesas , a primeyra, mais que pedir nem V. A. por agora principal he ser traça volja, & idea de mais, que nos conceder. Porém as.comcamillustre entendimento: efte he olfas se ordenàram de tal forte , que teprimeyro ritulo,por onde tanto estima-mos nova occafiam pera nos fazerdes, mos este Collegio;efte he o principal em- senhor , outra fegunda mercé ; ainda penho, por onde o nam deviamos de lar.

mayor que a primeira: efte Collegio gar.

nam he nosso,

pois pelo largarmos nós,
Ź Comrudo os tempos, que sem-|| V. A. deo a oùtrem, & assim se
pre trazem mudanças, aqui as causa-li v. A. nolo tornar a reftitur , de nova
ram de maneyra, que o que mais nos o'tornamos a receber , & ficará repe-
devia conquistar as vontades, iso nos rida a graça, & iterada a mercé.
fez perder. A advertencia. Ouve entre s E nam nos ficaria dado es.

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