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Era vulg. gulamentos fábios huns que vingaffein, outros que fize ffem fufpender o

crime.

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O bom fucceffo defta negociaçao o animou para entrar mais refoluto na refórma dos negocios de Eftado. A arrecadaçao da Fazenda era a que mais a neceffitava á vifta dos roubos, que fem confciencia fe faziao ao Rei, ou The faziaō os feus Depofitarios em tempo, que todos pareciaõ diligentes, e nao fe achava algum fiel. Elle cuidou em encher os armazens vafios, em reparar os navios varados, em arrecadar

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melhor os generos, as especiarias
que chegavaō ao Reino podres: vins
do aos eftaleiros e contando no tras
balho das náos fó 700 homens, gritou
que no tempo de Nuno da Cunha ha-
viaō 800 e que elle queria muitos
de mais e nem hum fó de menos.
No augmento da Chriftandade naõ foi
D. Estevao menos zelofo : elle fundou
em Goa o Collegio da Santa Fé pa
ra a educação das Mocidades, debaixo
da direcção, e doutrina do Venerável
Padre Miguel Vaz, Vigario Geral da

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India, que com zelo fervorofo plan- Era vulg του a vinha do Deos de Sabaoth em muitas Regiões da Afia.

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Todas as coufas da India no tempo de D. Estevao pareciao como no feu primeiro eftado da fórte que o 5 dizia hum dos Reis de Cochim, affirmando que a noffa Nação levára a ella tres coufas excellentes a faber verdade, efpadas largas, e Portugue1 zes de ouro fem liga. Tudo appareceo renovado no tempo defte Governador, que do fundo do feu cabedal tirou groffas fommas, para que , para que nao appareceffe com fezes o ouro dos Por tuguezes com verdade, que bem manejavao a espada. Depois de defpachar muitos Officiaes benemeritos, porque nas Memorias do Vifo-Rei D. Garcia achou huma inftrucção para o feu Succeffor, em que lhe propunha quanto era conveniente ao Estado mandar queimar no porto de Suez a Fróta dos Rumes. D. Estevao da Gama entendeo, que esta expediçao era digna da fua propria peffoa e fe refolveo a executalla, preparando logo a Armada, de que fallaremos a feu tempo.

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Era vulg.

CAPITULO VI.

Tratao fe outros fucceffos da India no
anno de 1540, e a viagem do Go-
vernador D. Estevao da Gama ao
Efireito do Mar Roxo.

NA companhia de D. Estevaõ da

Gama fervia na India o mais moço de
feus irmãos D. Chriftovao, que por fer
revestido de talentos muito fuperio-
res á verdura da idade, elle o pôz na
téfta da primeira expediçaõ do feu go-
verno. Foi D. Chriftovao mandado a
Cochim defpachar os navios de carga,
que haviaō ir para o Reino, e prepa-
rar parte da Armada, que estava na-
quelle porto, e havia fervir na viagem
do Eftreito. Com as fuas virtudes, ef-
pecialmente com a da liberalidade,
fe fez recommendavel D. Christovao a
todas as gentes; com a fua pruden-
cia cumprio exactamente as commif
sões, de que fora encarregado: com o
feu valor caftigou os atrevimentos do
Arel de Porcá, e de hum Caimal seu

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Outro bom principio do governo de D. Estevao forao as vantagens, que Ruy Lourenço de Tavora alcançou das forças de Bramaluco. Efte tinha fido 1 fenhor das terras de Baçaim, que lhe tirára Sultaō Badur para as doar aos Portuguezes na occafiao da alliança. contra os Mogores. Agora com a no& ticia da morte do Vifo-Rei Bramaluco quiz reentrar na poffe do feu patrimonio, e invadio as terras com hum corpo de 300 cavallos, e de soooo infantes. Ruy Lourenço fahio contra elle a campo com 50 cavallos, .e 600 infantes, que dividio em quatro corpos ás ordens de Fernao da Silva, Alcaide-Mór de Alpalhao, de D. Luiz de Ataide, de Francifco de Sá o dos Oculos, e de Antonio de Sotomaior,

Co

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vifinho, que obrando de concerto, Era vulg
comettiaб infolencias contra os Por-
tuguezes no exercicio de pyratas. O
Caimal perdeo a vida, e o Arel foi
reduzido a tal extremidade, que teve
de fe fobmetter a quantas condições
humiliantes lhe prefcreveo D. Chrifto-
таб.

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Era vulg. cobrindo elle o corpo de cavallaría. Ruy Lourenço querendo faltar nos Barbaros de improvifo, a elle fucce deo o mesmo, que penfava. Atacadó de repente com forças fuperiores, os Portuguezes eftiverao perdidos; mas remediando o valor a defordem, os bravos Officiaes remettendo aos infmigos por todos os lados os derrotárao, os pozéraỡ em fugida, largárao as terras, e fe embrenhárao pelas margens do río de Antora.

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Pouco depois foube o Tavora, que do eftaleiro de Agaçaim fe havia lançado ao mar a célebre náq Zambuco, que fez várias viagens à Portugal. Defejou o Tavora tomar efta não aindà desmasleada; e marchando elle por terra a Agaçaim, ordenou a D. Luiz de Ataide , que com 205 homens em déz navios entraffe pelo rio para dar cabos á náo, e trazella a reboque. O Bramaluco tinha a povoaçao fortificada, e nas margens do rio muitas trincheiras guarnecidas. Todas desbaratou D. Luiz, e marchava a invadir a Vil la, quando o Tavora por outra partë

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