Caramurú: poema epico do descobrimento da Bahia

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M. da C. Honorato, 1878 - 301 páginas
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Passagens conhecidas

Página 174 - Tão dura ingratidão menos sentira, E esse fado cruel doce me fora, Se a meu despeito triunfar não vira Essa indigna, essa infame, essa traidora...
Página 175 - E indo a dizer o mais, cai num desmaio. Perde o lume dos olhos, pasma e treme, Pálida a cor, o aspecto moribundo; Com mão já sem vigor, soltando o leme, Entre as salsas escumas desce ao fundo. Mas na onda do mar, que, irado, freme, Tornando a aparecer desde o profundo, — Ah! Diogo cruel!
Página 110 - Cupaiba, que empunha a feral maça, Guia o bruto esquadrão da crua gente ; Cupaiba, que os miseros que abraça Devora vivos na batalha ardente ; A' roda do pescoço um fio enlaça, Onde, de quantos come, enfia um dente, Cordão, que em tantas voltas traz cingido, Que é já, mais que cordão, longo vestido.
Página 174 - Bárbaro, se esta fé teu peito irrita, (Disse, vendo-o fugir) ah ! não te escondas ; Dispara sobre mim teu cruel raio . . . E indo a dizer o mais, cai n'um desmaio.
Página 175 - Diogo cruel!" disse com mágoa, E sem mais vista ser, sorveu-se n'água. XLIII Choraram da Bahia as ninfas belas, Que, nadando, a Moema acompanhavam; E vendo que sem dor navegam delas, À branca praia com furor tornavam: Nem pode o claro herói sem pena ve-las, Com tantas provas que de amor lhe davam; Nem mais lhe lembra o nome de Moema, Sem que ou amante a chore, ou grato gema.
Página 173 - Bárbaro (a bela diz) tigre, e não homem... Porém o tigre por cruel que brame, Acha forças amor, que enfim o domem; Só a ti não domou, por mais que eu te ame: Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem, Como não consumis aquele infame?
Página 158 - ... ella a confusão e obrigando-a á rendição perante o victorioso senhor da terra: As Nações do Sertão já convencidas, Põe a teus pés os arcos, e as espadas: Suspende o raio teu; protege as vidas Desde hoje ao teu imperio sujeitadas: E se tens, como creio, submettidas As procellas, as chuvas, e as trovoadas, Não espantes com fogo a humilde gente; Mas faze-nos gozar da paz clemente Faze com o favor que haja de amar-te, Como a tens com terror feito obediente; Que se troveja o Ceo na esfera...
Página 82 - É gozar-se entre tanta amenidade De todo o bom desejo a inteira posse; Nem ter de cousa vã necessidade: Oh quem de tanto bem possessor fosse! Grato país! amável liberdade! Onde por graça de Tupá infinita Ninguém padece, teme ou necessita.
Página 106 - E em langor tão suave adormecida, Como quem livre de temor ou pena Repousa, dando pausa à doce vida: Ali passar a ardente sesta ordena O bravo Jararaca a quem convida A frescura do sítio, e sombra amada, E dentro d'água a imagem da latada.
Página 75 - Que a antiga tradição nunca interrupta Em cantigas, que o povo repetia, Desde a idade infantil todos comprendem E que dos pais e mais cantando o aprendem.

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