O Sr. Ganimedes: edição revista e anotada

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INDEX ebooks, 15/09/2014 - 181 páginas

Lígia casa-se por interesse com um rico comerciante que fez fortuna no Brasil, bastante mais velho que ela. Respeita-o, mas não o ama. Quando fica viúva, aos 32 anos de idade, regressa a Portugal e perde-se de amores por Leonel, que conhecera de criança, quando era tímido e efeminado, mas que agora crescera para se tornar num esbelto e elegante jovem que fazia suspirar as donzelas. Acontece que Leonel estava apaixonado por Liberato, um homenzarrão rude e façanhudo, de farto bigode, que o gostava de ver vestido de dama fina.

Publicado em 1906, este é um dos primeiros romances em português, e também um dos primeiros da Europa, que aborda abertamente a homossexualidade masculina, tomando-a para tema central do enredo.

"O desflorador da honestidade do Leonel fora um contínuo do Liceu, antigo sargento de cavalaria bruto e espadachim, que os rapazes temiam e respeitavam, e era chamado em particular quando se queria conservar a ordem no estabelecimento.
Sodomita medonho, a beleza grácil do Leonel tentou-lhe o vício, e em troca de o defender contra as partidas dos camaradas, abusou dele, iniciando-o nas mais desonestas práticas.
Pervertido, e conhecido o caso, o Leonel prestou-se às exigências lascivas dos colegas, e quando ainda não completara dezoito anos, já tinha pertencido ao major Terramonde, ao padre Amâncio, explicador de matemática, ao mestre-de-obras Aparício Batalha, e ao capitalista Couto, de cujas mãos avaras passou para as do conde da Lagoa Escura, homem riquíssimo, distinto, ilustrado, do mais fino gosto estético e artístico.
(...)
E na casinha da rua do Trombeta passava horas esquecidas vestido de senhora, como esse célebre abade de Choisy, a quem o cardeal Mazzarino chamava ironicamente a mais linda mulher masculina da corte de França!"
(excerto)

 

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Acerca do autor (2014)

Joaquim Alfredo Gallis (Lisboa, 1859 - Lisboa, 1910), foi jornalista e romancista, tendo utilizado diversos pseudónimos, entre os quais Condessa de Til, Duquesa Laureana, Rabelais, Kin-Fóo, Ulisses, Barão Alfa, Anthony ou Katisako Aragwisa.
Como romancista conquistou grande popularidade, tendo escrito cerca de três dezenas de romances, alguns dos quais têm títulos sugestivos da sensualidade que os impregna, nomeadamente Mulheres Perdidas, Sáficas, Mulheres Honestas (da série Tuberculose Social, 1901-04), A Amante de Jesus (1893), O Marido Virgem (1900), As Mártires da Virgindade (c. 1900), Devassidão de Pompeia (1909) e O Abortador (1909). É autor dos dois volumes intitulados Um Reinado Trágico (1908-09), apensos à História de Portugal, de Pinheiro Chagas, referentes ao reinado do rei Carlos I de Portugal.

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