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PROLOGO

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Tanto se tem escripto sobre o nosso immortal Cantor, que superfluo fôra occupar-nos de um assumpto já tantas vezes superiormente desenvolvido pelas mais insignes e autorizadas pennas. Limitar-nos-hemos, pois, a uma succinta enumeração dos melhoramentos por que se recommenda esta nossa edição, e pelos quaes, esperamos, se fara ella digna do apreço das pessoas competentes, e dos suffragios do Publico.

Escolhêmos por typo a muito rara e estimada edição de Dom José Maria de Souza Botelho, Morgado de Matteus, por ser ésta no conceito geral a mais correcta e exacta. O exemplar de que nos servimos foi o da Bibliotheca Imperial de Paris.

A pezar, porén, do nosso respeito por uma obra tão conscienciosa, não lhe adoptámos cegamente

todas as lições; e, valendo-nos de esclarecidos criterios, fizemos quanto em nós estava, para qué sahisse a presente edição, se não perfeita, ao menos isenta de algumas pequenas imperfeições do modelo.

A orthographia e a ponctuação forão em geral religiosamente conservadas, salvo em alguns poucos lugares, em que, na edição typo era evidente o erro; ou em outros, onde vein escripto systematicamente Latia, Clytie, Curtio, Martio, etc., em vez de Lacia, Clycie, Curcio, Marcio; orthographia que não repugna á etymologia, e representa exactamente a verdadeira pronuncia d'estas palavras.

Por nos ter parecido, ás vezes, demasiado sobria a pontuação do nosso modelo, com quanto, em geral, seja ella muito logica, sufficiente e acertada, não hésitámos em fazer-lhe algumas poucas mas leves alterações, a beneficio da clareza e boa intelligencia do texto.

O Poema foi lido, e cuidadosamente corrigido seis vezes; se ainda apparecerem alguns erros typographicos, é porque a perfeição não é um attributo das cousas humanas.

Uma das não pequenas vantagens d'esta edição, é o irem n'ella corrigidos os erros, que se achão em muitas outras que até aqui se tem publicado, e onde systematicamente, ou por descuido, se repetem os mesmos defeitos. Tambem vai limpa das

alterações sacrilegas com que manchárão o Poema, alguns editores, e litteratos incompetentes; os quaes, uns e outros, pouco versados na leitura dos nossos Classicos, e reputando errado o que nunca o foi, trocárão ou modernizárão, ás vezes com grave prejuizo do verso, algumas palavras, as quaes, assim alteradas, perdêrão já a sua energia, já a sua delicada expressão; mas todos esses vocabulos vão restituidos à sua primitiva fórma como se achão na ediçao Princeps de 1572, dada por Camões, impressa debaixo dos seus olhos, e por cujo texto forão escrupulosamente corrigidas as provas da edição do Morgado de Matteus.

Facilitámos por meio de accentos a leitura de algumas palavras, onde a falta d'elles deixava o sentido equivoco: abstivemo-nos, porém, de assim proceder quando, por licença poetica, rimão consoantes de vogaes abertas com outros em que ellas são fechadas.

Além dos argumentos em prosa, leva esta edição os argumentos em oitavas de João Franco Barreto, se bem tenhão sido excluidos pelo Morgado de Matteus, que julgou não dever admittir a introducção de uma composição estranha, e a seu ver imperfeita, por causa da concisão forçada d'ella, en uma obra de tanto valor, e de um autor preeminente. Tal não é a nossa opinião: as oitavas de

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