Historia da litteratura brasileira por Sylvio Roméro ...: 1830-1870

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H. Garnier, 1903
 

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AMOR E NAMORO
Eis uma poesia deste jovem e ilustre poeta pouco conhecida)
Amor é vinho forte em que se apanha
Dessas bruegas de cair no chão,
O namoro é um cálix de Chamapnha
Que nos torna alegres o coração.
Amore, amigos, é clarão que ofusca,
fogueira alimentada com resina;
Namoro é luz suave que se busca
Como aquela qu’espande a lamparina.
Amor é duro tronco, que se aferra,
Entranhando no chão forte raiz;
Namoro é linda rosa à flor da terra,
Que se abandona, se perde o matriz.
Um, trazendo no olhar o desvario,
Aparece com ar de mata mouro;
O outro à vista do pau tem calafrio,
Faz uso da can ela, estima o couto.
Um pula muros e barrancos salta,
Levando na queda que lhe são fatais;
O outro anda com cautela; é um peralta,
Que em ratoeiras não caiu jamais!
Um, às vezes cordeiro, às vezes bruto,
Ora vive a bramir, ora prostrado;
O outro toma café, fuma charuto,
Calça luva, é rapaz civilizado!
Um, soberbo feroz, é-lhe preciso,
Prantos que ver e flores que esfolhar;
Para o outro, porém. Basta um sorriso,
Um aperto de mão é um breve olhar!
FRANCO DE SÁ.
NOTA:
FANCO DE SÁ, poeta brasileiro, que morreu com vinte anos de idade (1836 == 1856), e que era um dos talentos literários mais prometedores do seu tempo. As sua poesia póstumas foram publicadas, em 1867, por seu irmão Filipe Franco de Sá, e “revelaram” – diz o biógrafo do poeta, -- a Portugal e ao Brasil o assombroso talento de quem poderia ter vindo a ser uma das glórias mais brilhantes da nossa comum literatura, “AMOR E NAMORO é uma poesia ligeira, engraçada,, e que dá a conhecer delicado humorismo do juvenil cantor. Porém, no seu pequeno espólio poético, há notas sérias, de grande elevação patriótica umas, e outras impregnadas de profunda tristeza e de sentimento pungente e doloroso. Leia-se, por exemplo, esta quadra, ditada quase à hora da morte e dirigida à mulher a quem dedicava profundo amor:
Se tu vires, bela compassiva,
Como dos troncos velhos o renovo,
Minh’alma, ao morrer, talvez reviva,
Para te amar e te adorar de novo.
Nelson Fontes Carvalho
AMORA == Portugal
 

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Passagens conhecidas

Página 209 - És tu, alma divina, essa Madona Que nos embala na manhã da vida, Que ao amor indolente se abandona E beija uma criança adormecida...
Página 143 - Que faisiez-vous au temps chaud?' Dit-elle à cette emprunteuse. 'Nuit et jour, à tout venant, Je chantais, ne vous déplaise.' — 'Vous chantiez? J'en suis fort aise. Eh bien, dansez maintenant!
Página 280 - Quando eu guardava, ao menos na esperança, Para o dia seguinte o sol de um dia, De uma noite o luar para outras noites; Quando durar contava mais que um prado, Mais que o mar, que a cascata erguer meu canto, E murmurá-lo num jardim de amores; Quando julgava a natureza minha, Desdenhava os seus dons: ei-la vingada: Cedo de vermes rojarei ludíbrio, E vida alardearão fracos arbustos Sobre meu lar de morto!
Página 75 - Casar assim o pensamento com o sentimento — o coração com o entendimento — a ideia com a paixão — colorir tudo isto com a imaginação, fundir tudo isto com a vida e com a natureza, purificar tudo com o sentimento da religião e da divindade, eis a Poesia — a Poesia grande e santa — a Poesia como eu a compreendo sem a poder definir, como eu a sinto sem a poder traduzir.
Página 282 - Já sinto da geada dos sepulcros O pavoroso frio enregelar-me . . . A campa vejo aberta, e lá do fundo Um esqueleto em pé vejo a acenar-me . . . Entremos. Deve haver nestes lugares Mudança grave na mundana sorte; Quem sempre a morte achou no lar da vida. Deve a vida encontrar no lar da morte.
Página 642 - Moveu as asas soltas e espalmadas. Pairou sobre o navio — imensa e bela — Como uma branca, uma isolada vela A demandar um livre e novo mundo; Crescia o sol nas nuvens refulgentes, E como um turbilhão de águias frementes, Zunia o vento na amplidão, — profundo. Ela lutou, ansiosa!
Página 178 - Tantos encantos me tinham, Tanta ilusão me afagava De noite quando acordava, De dia em sonhos talvez! Tudo isso agora onde pára? Onde a ilusão dos meus sonhos? Tantos projetos risonhos, Tudo esse engano desfez!
Página 281 - Onde descanse a lânguida cabeça! Feliz, feliz aquele, a quem não cercam Nesse momento acerbo indiferentes Olhos sem pranto; que na mão gelada Sente a macia destra d'amizade Num aperto de dor prender-lhe a vida!
Página 178 - Pensar eu que o teu destino Ligado ao meu, outro fora, Pensar que te vejo agora, Por culpa minha, infeliz; Pensar que a tua ventura Deus ab eterno a fizera, No meu caminho a pusera. . . . E eu! eu fui que a não quis!
Página 21 - stava o Genio das vitórias, Medindo o campo com seus olhos de águia! O infernal retintim do embate de armas, Os trovões dos canhões que ribombavam, O sibilo das balas que gemiam, O horror, a confusão, gritos, suspiros, Eram como uma orquestra a seus ouvidos!

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