Imagens das páginas
PDF
ePub

Carta de Francisco Xavier de Moura Furtado a Antonio Borges de Bettencourt, sobre os sacerdotes que foram mandados para o Collegio dos Jesuitas em 1761.

Foi presente a Sua Magestade a Carta de Vm.ce de 21 d'Agosto do anno proximo passado, en que declára tudo o que praticára quanto ao bloqueio, embarque, e sequestros dos Jesuitas, que assistiam no Collegio d'essa Ilha, e de se acharem nelle cinco sacerdotes nomeados pelo Bispo para fazerem as funcções, e mais obrigações necessarias, os quaes alem de lhe parecerem poucos se fazia necessario o estabelecerem-se-lhe congruas.

ce

Ordena o mesmo Senhor que Vin. declare quaes são os exercicios, e as incumbencias dos referidos cinco sacerdotes na casa que foi Collegio para sobre este claro conhecimento haver de tomar a resolução, que achar mais conveniente assim quanto ao numero, como pelo que respeita ás congruas que devem vencer, no que Vm. interporá o seu parecer.

Tambem ordena Sua Magestade, que Vin." informe com o seu parecer declarando a applicação mais util ao bem commum dos moradores dessa Ilha, que se pode fazer do referido Collegio e sua egreja. Deos Guarde a Vm.. Nossa Senhora da Ajuda a 44 d'Agosto de 1761. FRANCISCO XAVIER DE MOURA FURTADO.

Sr. Antonio Borges de Bettencourt.

Quitação passada a favor de Nicoláo Antonio de Sousa Medeiros como administrador do espolio dos Jesuitas em 1774.

José Antonio d'Oliveira Machado, Fidalgo da caza de Sua Magestade, do seu Conselho, do de Sua Real Fazenda, Superintendente geral das Decimas e Juiz da Inconfidencia &.

Faço saber aos que esta quitação geral virem, que Nicolao Antonio de Sousa e Medeiros, deu contas neste Juizo do tempo que foi administrador seu Pai Antonio Borges de Bettencourt, do espolio que ficou dos Regulares proscriptos da Companhia denominada de Jesus, do Collegio da Ilha de San Miguel; assim do dinheiro que aos mesmos foi achado, e da producção das arrematações dos moveis, rendimentos das quintas, casas, foros a dinheiro, e trigo; como da despêsa de pa

Vol. I-N.o 5--1879.

3

gamentos...... fixos, foros, pensões, ordenados, e outros que se demonstraram no contexto de sua conta, o que tudo executou pelas ordens Regias que recebeu dos annos de mil setecentos e sessenta e um até ao de mil sete centos e sessenta e quatro, cuja conta lhe foi tomada pelo Contador e Escrivão do mesmo Juizo e julgada por boa, por sentença minha, pelo que o hei por quite e desobrigado da mencionada administração do dito tempo e lhe mandei passar a presente quitação geral, que em tudo se cumprirá como n'ella se contem &.. Dada em Lisboa a quinze d'Abril de sete centos setenta e quatro annos. E eu Antonio d'Almeida Seabra. Escrivão do Juizo da Inconfidencia a fiz escrever e subscrevi. José Antonio d'Oliveira Machado.

Cumpra-se e registe-se onde convier. Ponta Delgada 28 de Junho de 1780 Bulhões Registada no L. actual do Registo a f. 31 v. em 28 de Junho de 1780 Barros.

=

=

=

¡Copia dos originaes em poder dos herdeiros do Governador A. B. de Bettencourt).

Auto de entrega dos Padres da Companhia de JESUS. Horta 1 d'Agosto de 1760.

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, de mil sete centos e sessenta annos sendo das duas para as tres horas depois da meia noite no dia primeiro d'Agosto do dito anno, na portaria do Collegio de S. Francisco Xavier desta mesma Villa, (da Horta) aonde residiam os Padres da Companhia denominada de Jesus; ahi estando o Capitão mór Thomaz Francisco Brum da Silveira Porraz Taveira, Cavalleiro Professo na Ordem de Christo e o Juiz Ordinario Antonio Soares d'Evora, Capitão mandante n'esta mesma Villa, em cumprimento das Regias determinações d'ElRei Fidelissimo Nosso Senhor que Deos Guarde, fizeram entrega, dos Padres que na casa se achavam ao Ill.mo e Ex. Conde de São Vicente Manoel Carlos da Cunha, a saber: O Padre Antonio d'Andrade, Reitor, quarto voto; o P. Joaquim José, quarto voto; o P." Domingos Antunes, quarto voto; o P. André Rebello, quarto voto: o P. Diogo Alvares, procurador, quarto voto; o P. Manoel Mourão, quarto voto; o P. José de Paiva, mestre de Latim, terceiro voto; o P. Luiz de Paiva, perfeito dos estudos, terceiro voto: 0 Irmão Lobato, despenseiro; o Irmão José da Cruz, procurador da Ilha do Pico; o Irmão Luiz Ferreira, Sachristão; o qual se déo d'elles entregue, e fez conduzir com toda a solemnidade à bordo da Não Nossa Senhora da Natividade, Commandada por João da Costa de Brito, tudo na forma das ordens de Sua Magestade, e por assim passar na verdade mandárão se fizesse este auto por mim Escrivão para todos no mesmo assignarem, de que para constar o fiz, e fica uma copia des

te na mão do dito Capitão Mór. Elias Antonio de Souza, proprietario Tabellião publico de notas, Escrivão do Judicial e Almotaçaria, o escrevi = 0) 2.° Capitão de Mar e Guerra, Conde de São Vicente, Manoel Carlos Capitão Mór, Thomaz Francisco Brum da Silveira Porraz Taveira=0 Juiz Ordinario, Antonio Soares d'Evora.

¡Do original em poder dos successores de T. F. Bruin!.

ALVARÁ

Para que fique na Ilha de S. Miguel a quarta parte do trigo de cada colheita.

1562.

Eu ElRei faço saber aos que este Alvará virem que os officiaes da Camara da cidade de Ponta Delgada da Ilha de S. Miguel, e das mais villas da dita Ilha, me enviaram certos apontamentos pelo Licenciado Pero Gago, seu procurador entre os quaes vinha um de que o traslado é o seguinte:-Item que fique todos os annos na dita Ilha a terceira parte do trigo dos senhorios que nella tem de renda por ser muito e com o levarem todo como o levam por provisões que apresentam de Vossa Alteza fica sempre a dita Ilha em muita necessidade e no inverno vem a valer muito e por lhe não ir de föra falta ás vezes, ou ao menos que não carreguem os ditos senhorios suas rendas sem deixarem na terra tanto trigo quanto seus proprios rendeiros hão de haver mister para semear as terras de que lhes hão de pagar renda e para comerem aquelle anno; alem disto mais uma certa quantia das ditas rendas para se repartirem pelos pobres em tempo da necessidade quanto Vossa Alteza houver sen serviço: e visto seu requerimento havendo respeito ao que no dito apontamento dizem hei por bem e me praz que d'aqui em diante fique na dita ilha a quarta parte de todo o pão que quaesquer pessoas de qualquer qualidade que sejam n'ella tiverem de sua renda para se haver de vender e repartir pelo povo e isto pagando-se ás taes pessoas o pão da dita quarta parte dentro d'um mez aos preços a que valer na terra e não lho pagando no dito tempo o poderão livremente tirar sem lhe nisso ser posta duvida nem impedimento algum e mando ao corregedor das Ilhas dos Açores e aos Juizes e Officiaes das ditas Camaras que cumpram e facam inteiramente cumprir este Alvará como se n'elle contém o qual hei por bem que valha e tenha força e vigor posto que o effeito delle haja de durar mais d'um anno sem embargo da ordenação e livro segundo, titulo vinte, que o contrario dispõe. João da Costa o fez em Lisboa a 17 de Maio de 1562-Jorge da Costa o fez escrever. REL

BANDEIRA DA CAMARA DA RIBEIRA GRANDE.

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil quinhentos cincoenta e cinco annos em os doze dias do mez de Maio do dito anno em a casa da camara desta villa da Ribeira Grande desta Ilha de S. Miguel, estando ahi Manoel Roiz, Juiz Ordinario e João Fernandes e Lopo Dias Homem, Vereadores, e Francisco d'Andrade procurador do concelho, e estando ahi Antonio da Costa Homem, pelos officiaes foi assentado com elle Antonio da Costa Homem que levando-o Deus Nosso Senhor á cidade de Lisboa lhe mandasse de lå uma bandeira para o concelho desta Villa, de damasco vermelho com suas franjas de retroz e fio de ouro e de oito palmos de comprido → da largura de tres pannos da mesma seda que serão seis varas do dito damasco, e de uma banda da bandeira terá Nossa Senhora com seus vestidos d'azul com as estrellas que parecer que são necessarias e uma mais principal, e o vestido de Nossa Senhora será guarnecido de fio de ouro tanto quanto for necessario e conforme a obra; e da outra parte um escudo com as quinas d'Elrei de Portugal com sua coròa dourada, e as quinas serão da côr que parecer que é necessario e douradas com seus cordões necessarios conforme a obra, e franjas: e sendo caso que se não gastem na obra sobredita vinte mil réis, que para isso logo elle Antonio da Costa Homem recebeo d'elles officiaes e procurador do concelho em dinheiro de contado na sobredita obra no que lhe parecer que é mais necessario e sendo caso que falte algum dinheiro para se acabar a dita obra sobredita alem dos vinte mil reis recebidos elle Antonio da Costa Homem por amor desta Villa o porá do seu dinheiro e elles officiaes se obrigaram a o pagar e cumprir a letra que elle Antonio da Costa Homem mandar dizer que mais custou a dita bandeira com . . . . . vir a dita bandeira com a dità letra entregaremos o dinheiro que mais custar a dita bandeira á pessoa que elle Antonio da Costa Homem mandar entregue a dita bandeira, a qual bandeira elle Antonio da Costa Homem segurará o custo que ella custar o qual seguro pagaremos com o mais custo que ella custar alem dos vinte mil reis; e por o dito Antonio da Costa Homem foi dito que elle se obrigava a mandar a dita bandeira e segura como dito é e confessava ter recebido de Francisco d'Andrade, procurador do concelho que presente estava os ditos vinte mil réis em dinheiro contado. E delle mandaram fazer este auto e o assignaram todos. E eu Roque Roiz que o escrevi Antonio da Costa Homem == João Fernandes Lopo Dias Homem-Manoel Roiz-Francisco d'Andrade.

=

(Do livro das rereações de 1555 a f. 49 verso).

Carta monitoria do Licenciado Ascencio Gonçalves,

1593.

0 Licenciado Ascencio Gonçalves ouvidor geral no espiritual e temporal em toda esta Ilha de S. Miguel pelo II. e Revd. sr. D. Manuel de Gouvêa, por mercè de Deus e da Santa Egreja de Roma Bispo de Angra e Ilhas dos Açores do conselho de Sua Magestade &. A todas as pessoas que esta minha carta monitoria for mostrada saude em Jesus Christo Nosso Senhor que de todos he verdadeiro Remedio e salvação. Faço saber que perante mim pareceram os officiaes da confraria de Nossa Senhora do Rosario sita na egreja de Nossa Senhora da Estrella da Villa da Ribeira Grande e por elles foi dito que tendo dado a fazer a Lourenço Teixeira, o moço, imaginario, o retabulo da dita confraria, se obrigara por uma escriptura que me presentaram, a fazel-o dentro d'um anno o que não cumprira. antes eram passados mais dois, e os trazia em delongas sem querer acabar o dito retabulo sendo muito necessario para a capella que estava feita da dita confraria em cuja causa o dito sr. bispo e eu os proveramos que servissem até agora para que assentassem o dito retabulo, pedindo-me os provesse a algum remedio opportuno; e visto por mim a informação que do caso tomei, mandei passar o presente pelo qual mando em virtude de obediencia. a qualquer official d'ante mim que a elle for requerido. que notifique, ao dito Lourenço Teixeira que lhe mando em virtude da mesma obediencia e sob pena de excommunhão maior que até dia de S. João que vem desta presente era, acabe o dito retabulo assim e da maneirà que é obrigado pela dita escriptura, o qual tempo sendo passado e não o cumprindo assim como the neste por mim é mandado. ponho e hei por posta em sua pessoa sentença de excommunhão nestes presentes escriptos. E outro sim pagará de pena dois mil réis do aljube em que o bei por condemnado não o cumprindo, e o cito e chamo para a aggravação e reaggravação dos mais procedimentos, e da notificacão se fará termo digno de fé. Dado na cidade de Ponta Delgada, sob men signal sómente, aos vinte e oito dias do mez d'Abril. Affonso de Goes o fez, de mil e quinhentos e noventa e tres annos. Pagou cincoenta réis Ascencio Gonçalves.

Em os vinte e oito dias do mes d'Abril da era de mil quinhentos e noventa e tres annos notifiquei eu escrivão abaixo assignado este monitorio do Sr. ouvidor, a Lourenco Teixeira, o moco, imaginario, nelle couthendo. lendo-lho de verbo ad verbum. de que fiz o presente termo que assignei-Affonso de Góes o escrevi-pagou cincoenta réis Affonso de Goes.

(Archivo da Matriz da Ribeira Grande, papel avulso).

« AnteriorContinuar »