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Carta da Camara de P. Delgada ao Padre Provincial da Companhia; 10 de Maio de 1600.

Tivemos noticia que V. paternidade está determinado diminuir of numero dos padres d'este Collegio de Ponta Delgada pera mór fundação d'elle, por respeito de estar endividado e até ao prezente nem Elrei nem a Camara d'ella acodirem á obrigação que tinham de procurar sustentação para os padres, e para este effeito mandava ir o padre Antonio Vaz para Angra e por nós carecermos delle tanto bem e não sentirmos uma falta tamanha e remediarmos o que em nós fosse es tes descuidos, assentamos escrever a sua Magestade fazer-lhe uma petição, cujo traslado vae a vossa paternidade, em que lhe pedimos pelos muitos serviços que esta Ilha lhe tem feito nos faça mercè dar renda a este Collegio comforme a das mais Ilhas pera n'ella haver quem ensine latim e casos, e por que entendemos isto não ter effeito sem ajuda de Vossa paternidade lhe pedimos muito nos queira favorecer n'esta materia com as pessoas que ouver de correr encomendando juntamente a alguma pessoa para particular e a Gonçalo Vaz Coitinho a quem mandamos procuração para correr com esta causa juntamente pedindo a V. p. perdão do atrevimento (*) e força que esta Camara quiz fazer á ida do P. Antonio Vaz, de que esta ilha toda recebe muita consolação até V. p. ser avisado d'esta materia de que ficamos mui confiados terá effeito mediante o favor divino. Deus guarde a V. paternidade. escripta em Camara da Ilha de S. Miguel 10 de Maio de 600 (1600) de seis centos annos.

E o qual traslado de cartas eu Antonio Botelho escrivão da Camara d'esta Cidade de Ponta Delgada fiz trasladar das proprias que se mandaram ao Reino e com ellas se conferirão e trasladarão aqui de mandado dos juizes e vareadores este presente anno na dita aos 12 de Março de 1601

ANTONIO BOTELHO.

(Dito L.° 3.o de Registo da Camara de P. Delgada fol. 323 v.o).

Auto da tirada do primeiro pellouro da illeição da Camara da Ribeira Grande; 1 de Janeiro de 1605.

Anno do nascimento de nosso Sr. Jhus xpo (Christo) de mil seis (•) Ingenuos vereadores !

sentos e sinco annos em o prime ro dia do mes de janeiro do dito anno pela menhaam nesta villa da Ribeira Grande, ilha de São Miguel na casa da Camara della estando ahi o Juiz Antonio Roiz Limpo, que foi o que fez a illeisão e os mais officiais da Camara. S. os vreadores Anrique Tavares e Manoel Ferreira de Mello, e o procurador do Concelho Luiz Mendes, e os dos misteres Manoel de Braga e Miguel Gonçalves e outra muita mais gente da governansa e povo meudo loguo pelo dito Juiz foi mandado ao porteiro Antonio Alves fosse por toda a prasa desta villa laosase pregõis dizendo que todos se ajuntassem que queria tirar o primeiro pillouro da inlleisão, por quanto erão acabados os velhos ao que loguo foi satisfeito e o Juiz estando todos na caza da Camara mandou o dito Juiz vir as chaves da arca e da caixinha de demtro da caixinha das trez chaves omde está o saquo omde he costume e os pillouros e pauta se metem, ao que foi logo satisfeito e veio logo a dita caixinha à menza da Camara omde os ditos officiais estavão e muita mais gente do povo e os officiaes velhos que tinhão as chaves asim da arqua de fóra como da caixinha de dentro e cada um abrio sua fechadura e o dito Juiz tirou logo o saquinho omde estavão os pillouros tirou do saquo trez pillouros e os mostrou a todo o povo que na casa da Camara estaya e assim os pos em sima da menza à vista de todos e os tornou a meter demtro no saquo, e os misturou muito bem huns com os outros e chamou um menino que podia ser de sete annos pouco mais ou menos e meteo a mão no saco e tirou hum dos tres pillouros em o coal sairão por juizes Manoel da Costa Rocha e Hipollito Tavares, e vreadores Manoel de Paiva da Lomba, e Jeronimo Quaotanilha (alias Quintanilha) e procurador do Conselho Francisco de Cravide, e juiz do espital Francisco Pires, tesellão, e semdo asim saido o dito pillouro o dito Juiz mandou chamar os ditos vreadores e procurador do conselho e do ispital e lhe deu a todos juramento dos Samtos Avãogelhos que bem e verdadeiramente servisem seus cargos guardando em todo o serviso delrei Nosso Senhor e o direito ás partes o coal aseitarão to dos e asinarão este auto e outrosim tornou logo a entregar as chaves da quaixinha de demtro huma a Amrique Tavares e outra a Manoel Ferreira de Mello outra levou elle Juiz e as duas de fóra levei en escrivão huma e a outra Jurdão Pacheco Raposo e todos asinarão; e outrosim den logo o dito juiz juramento a Luiz Mendes que servise de almotasé hem estes trez mezes s. s. janeiro, fevereiro e marso e o asinou Antonio Gomes d'Azevedo escrivão da Camara o escrevi. (seguem as assinaturas)

(Liv. das Vareações da dita Camara dos annos de 1604 e 1605, f. 142 v.o)

Auto de tirada do primeiro pellouro da illeição, dos officiais que ande servir n'esta villa da Ribeira Gran

de este presente anno de 1620

Anno do nascimento de noso Sõr Jhus Xpo (Christo) de mil seis centos e vinte annos, o primeiro dia do mez de Janeiro do dito anno nesta Villa da Ribeira Grande ilha de São Miguel na cassa da Camara della estando ahi prezentes os officiais que nella cerviram o ano proximo passado de mil seis sentos e desanove anos. SS. Juizes André da Camara de Mello e Thomé Jorge Paiva, e vreadores Francisco Pires Paiva e Ambrosio de Souza e procurador e thezoureiro do Concelho Lionardo Nunes, e Affonso Pires e Manoel Roiz Condinho procuradores dos misteres todos juntos como dito he comigo escrivão, logo ahi pelo dito Juiz André da Camara de Mello, por cer o mais velho juiz, foi mandado a mim escrivão fazer este auto em como elle com os mais officiais presentes vinham a esta Camara comforme o seu antigo e bom costume para efeito de tirarem o primeiro pillouro da elleisam que fez ho desembargador Manoel Corréa Barba, coreguedor com alsada na comarqua e coreisam destas ilhas dos Asores para o que elle dito Juiz logo dise e mandou o porteiro desta Camara Antonio Alves se fosse á prassa desta dita villa e lá lansase pregõis que toda a pesoa da governansa e mais povo meudo que se quizese ajuntar em Camara o podiam fazer logo por quanto queria tirar o primeiro pellouro da elleisam que deixou feita o Coregedor desta comarqua Manoel Correa Barba, o podiam fazer se quizesem e sendo asim lansado alguns pregõis pelo dito porteiro logo ali ua dita Camara se ajuntou parte da gemte da governansa desta dita villa e algum povo meudo e semdo asim jumtos logo pelo dito Juiz foi mandado a mim escrivam abrise com a chave que he uzo e costume eu ter da caixa de fóra, e a Melchior Gonçalves procurador do ano atraz, abrise a outra fechadura como logo de feito abrimos cada hum de nós sua fechadura e de dentro da dita caixa gramde se tirou a caixinha piquena das tres fechaduras omde esta metido o saquinho de bocaxim (téla encerada) que tem os pillonros e pauta, a coal se poz logo fechada na menza da Camara e ali abrio Antonio Bicudo Carneiro huma fechadura com a chave que tinha da dita caixinha, e Gaspar Camsado Paiva, abrio outra fechadura e Pero da Ponte Raposo abrio a outra fechadura, e de demtro tirou logo o dito Juiz o dito saquinho que estava cozido com um cabo de sapateiro e sellado e o dito Juiz o mostrou asim a todos os que foram prezentes ali na casa da Camara e loguo se abrio o dito saquinho e de dentro delle tiron o dito Juiz tres pellouros redondos de sèra iguais, todos tres e os poz todos sobre a menza da Camara á vista de todos os que ahi estavam e os tornou a meter dentro no dito saquo de bocaxim, e sendo todos tres dentro os baralhou mui bem e chamou hum N.o 29--Vol. V-1884.

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menino que poderia ser de idade de seis, sete anos pouco mais ou me nos, e elle dito Juiz André da Camara mandou que tirase somente hum só pellouro como logo o fez, e sendo fóra o dito pellouro elle dito juiz o abrio e dentro nelle estava hum escripto da letra e sinal do dito Coregedor Manoel Correa Barba e nelle sairam por officiais da Camara e para na dita villa averem de servir Juizes Vreadores e Procurador e thezoureiro deste concelho e juiz dos vimte e quatro, a saber: sairam por juizes-Christovam Affonso Paiva e André Tavares; Vreadores Manoel de Paiva Ferreira e Manoel da Rocha Tavares: Procurador do Conselho Paulo da Costa: e juiz dos vinte e quatro Sabastiam Jorgue, tanoeiro. E sendo o dito pellouro aberto e lido pelo dito juiz André da Camara de Mello, por elle foi mandado chamar Manoel de Paiva Ferreira e Manoel da Rocha Tavares os coais vieram a esta Camara e semdo nella logo por elle juiz foi dado juramento dos Samtos Avangelhos a Manoel de Paiva Ferreira como Vreador mais velho para servir de juiz na forma da ordenasam e a Manoel da Rocha Tavares, para cervir de Vreador sob o cargo do coal lhes encarregou cervisem seus cargos na forma da ordenasão goardando em todos serviso de Deus e de Sua Magestade e o direito ás partes, todo prometeram comprir e goardar e em fim asinaram. E a caixinha das tres fechaduras se tornou a meter nella o saquinho com a pauta e dois pellouros e as chaves della as levaram Francisco Pires Paiva huma, e Ambrosio de Souza outra e o juiz mais velho André da Camara de Mello outra, e da caixa de fora levou Thomé Jorgue Paiva huma e ontra tenho eu escrivão de que todo o dito juiz Andre da Camara de Mello mandou a mim escrivão fazer este auto que todos asinaram, eu Antonio Gomes d'Azevedo que o escrevi. (seguem as assignaturas) (Liv. das Vareações de 1617 e 1622. fl. 118.

Voto da Governança da Ribeira Grande, sobre os direitos dos cereaes; 1622.

0 Licenceado Antonio Ferreira de Bentancor (sic) Provedor da fazenda de S. Magestade nestas ilhas dos Açores. &. Faço saber aos juizes ordinarios e mais officiais da Camara da villa da Ribeira Grande da ilha de Sam Miguel que do conselho da fazenda de S. M. se me enviou o mandado cujo traslado delle be o seguinte:

Eu o Conde de Faro do comselho de hestado del Rey nosso Senhor, provedor de sua fazenda &. Faço saber a vos Lecenceado Antonio Ferreira de Betancor Provedor da fazenda de S. M. das ilhas dos Açores que o dito Senhor per carta sua de vimte de maio deste Anno

em Resposta de huma comsulta que pello comselho da fazenda se lhe fez sobre o Privilegio que pedem os moradores d'essas ilhas para não pagarem direitos de triguo, cevada, vinho, milho, e mais legumes que dellas trouxerem a esta cidade manda Responder sejão ouvidos os povos meudos das mesmas ilhas que para esse efeito serão chamados a sino tangido como se costuma e asi os officiais e gente de guerra do presidio que ahi reside, pelo que vos mando que tanto que vos este for dado, deis ordem necessaria com que se faça a dita delligencia na forma sobre dita, ordenando que em cada ilha que se ajuntarem se faça termo assinado pellos da governança della em que declarem se lhes resultará algum proveito em resão do dito Privilegio e o mesmo se fará com os officiais e gente do Presidio, dos quaes terinos enviareis os treslados authenticos ao comselho da fazenda com vossa carta em que fareis rellaçam do que por elles constar para se dar conta de tudo S. M. como o tem mandado. Pero Freire o fez em Lisboa a quimze de novembro de seis centos e vinte e hum. Luiz Borralho o fez escrever. O Conde de Faro.

Mandei passar o prezente mandado &. Dado em Angra sob meu sinal e sello da provedoria aos doze de fevereiro de mil seis centos e vinte e dous annos. Eu Jacome Triguo escrivão dos comtos o fez. Antonio Ferreira.

Fielmente trasladado do proprio pelo escrivão da Camara, Antonio Gomes d'Azevedo aos 11 de abril de 1622,

(Liv. das Vareações da Camara da Ribeira Grande dos annos de 1617 a 1622. f. 226.)

Auto e assento sobre se emformar a S. R. M. se he bem tirar o triguo desta villa para fóra da ilha sem que lhe paguem direitos; 3 d'abril de 1622.

Anno do nascimento de N. S. Jesus Christo de mil e seis centos e vinte e dous anuos aos tres dias do mes de Abril do dito anno n'esta villa da Ribeira Grande, Ilha de S. Miguel na caza da Camara d'ella estamdo juntos em cabido os officiais que o presente anno servem saber: Melchior A.o (Affonso) Paiva, P." (Pero) Barbosa Raposo, Juizes ordinarios e os vreadores Gaspar Manoel de Vasconcellos e Pedro Tavares e o procurador do conselho Estevam Alvares Bareiros e os dous procuradores dos misteres Manoel Roiz e Balthazar Lopes e huma parte dos omes nobres e da governansa desta villa e outro mais povo meudo que todos se ajuntaram na dita Camara por pregõis que para o effeito foram lansados por mandado dos ditos officiais da Camara tudo para o effeito abaixo declarado e sendo ahi juntos como dito he, logo pellos ditos Juizes e Vreadores foi declarado e lido o manda

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