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Camara cada dous mezes lhes lèse e notificase este provimento, de que se fizesse termo sob pena de sospensão de seu officio e de dous mil reis para as ditas despezas, e que sendo caso que os ditos officiaes do dito anno não cumpram em todo ou em parte este provimento se noteficará sempre aos que socederem e huns e outros encorerão nas ditas penas não no cumprindo e na outra coreisão se lhes dar em culpa, e que emcomendava muito ao Juiz de fóra o Licenciado Christovam Soares d Albergaria, ou a qualquer outro que soceder no dito careguo de Juiz de fora d'esta Cidade que no que toqua á cadèa e casa do conselho e Camara, sino e demarquasão da terra ho fizese poer em execusão, e fazemdo ho comtrairo que se delle` não espera lhe ser extranhado, e asi no mais que neste provimento fiqua provido. Ho qual mandou que se tresladasse no livro da Camara è o escrivão passase certidão diso para se saber e ajuntar aqui.

CYPRIÃO DE FIGUEIREDO.

(Dito Liv. 3.o da Camara de P. Delga da, f. 165.)

Carta da Camara de Ponta Delgada para o Capitão Ruy Gonçalves da Camara de 24 de Março de 1582.

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Por cartas que a esta cidade vieram de Antonio de Saa e Antonio . de Frias soubemos a vontade que V. S. tem fazer mercê a nós e aos moradores desta cidade e lhe dar remedio para podermos tirar a agoa com que possamos ter moendas dizendo dará a terça parte do dinheiro que se em isso gastar e fará com S. Magestade que de outro terço e o povo por finta tirará o outro, a qual provisão lhe V. S. tambem mandará e que sendo cazo que o povo não possa com tanta facilidade tirar e dar o dinheiro de sua obrigação V. S. lho quer emprestar o qual the pagarão asi como se for cobrando do lançamento que para isso se fará. He tamanha esta mercê e a obra he tal que ho povo fiqua e fiqamos em obrigação sempre servir Vosa S. e rogar ao Snr. Deus por acrescentamento de sua vida e estado, por que tambem será principal meio para pôr quietação e amor antre Vosa S.a e este povo pelo muito insofriel trabalho e sogeição que tem irmos tão longe, que este inverno pola grande invernada são mortas quantas alimarias os homens tinhão, alem de padecer o povo muita fome, por não poder aver em farinhas. E creia V. S.a que será hum grande serviço que fará a Deus e a nós mercê. O Snr. Deus, a mui Illustre pessoa de V.a S.a guarde seu estado e vida acressente por muitos anos. Escrita em Camara desta cidade da P. Delgada da Ilha de S. Miguel, Autonio Botelho escrivão della a fiz aos xxiiij de março de 82 anos.

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(Sobrescripto)-Ao muito illustre e senhor o Snr. Ruy Gonçalves, da Camara, Capitão e Governador da Justiça desta Ilha de São Miguel. Da Camara da Cidade de Ponta Delgada da Ilha de São Miguel. (Lir. 3 do Registo da Camara de P. Delgada fol. 236).

Correição que fez o Corregedor Christovão Soares d'Albergaria na Camara de Ponta Delgada, no anno de 1584.

Em ho primeiro dia do mez de dezembro, anno de mil quinhen tos oitenta e coatro annos na cidade da Pomta Delgada na casa da camara della estando ahi o doutor Xpovão (Christovão) Soares d Albergaria do Desembargo d ellerei noso Sr. Coregedor e Provedor com alçada em a coreição das Ilhas dos Açores, e asi ho Doutor Gilleannes, Juiz de fôra na dita cidade, e os Vreadores Amador da Costa e o Licenciado Sebastiam de Pimimtel, e Luiz d Olfus, Procurador da Cidade e os mesteres Nuno Alves alfaiate, e Manoel de Barcellos sapateiro, e Francisco Fernandes (?) ferador e Melchior Gonçalves sapateiro, logo ho Coregedor dise que vinha fazer coreição na dita Cama ra e cousas della e prover no que for nesesario, a qual coreição fez pella maneira seguinte. Alvaro Pires ho escreveo.

1. Vio ho Coregedor padrão de vara he covado que lhe foi mostrado.

2.o Mais mostrarão padrão de alqueire e dahi para baixo até sallemim as quais medidas herão de pão, que se afinarão por hum meio alqueire de cobre que veio do reino.

3. Mostrarão as medidas de vinho de canada para baixo até metade de meio coartilho, he herão de cobre.

4.o-Mostrarão alcadefe (1) he medidas de azeite de canada para baixo até medida de metade de meio coartilho as coais medidas herão de baro, mandou o Corregedor que ajam de se fazer de cobre.

Mostraram os pezos e ballanças que são obrigados ter de metal. 5. Mostrarão pezos de ouro he ballamça.

6. Mandou que tivesem na dita Camara, cutelo e asoute (açoute) e corda, que se não achou para administrar justiça coando for nesesario.

7.o-Mandou o Coregedor que se consertase a polé dos tormentos que estava quebrada, e que a mesma dita Camara (tenha) ho comtheudo no item acima para administração de justiça nos culpados.

8.°-Mandou que ouvese na dita Camara huma campainha de prata, por a não aver de nenhuma maneira na dita Camara.

(1) Alcadefe, é a vazilha de barro ou madeira sobre que os taberneiros medem os liquidos.

9.

Mandou o Corregedor que com efeito comsertasem e acabasem de consertar a casa da cadea, diserão hos Vreadores e Procurador que sobre quem era obrigado a consertal-a coria duvida e demanda com ho capitão Conde de Villa Franca, mandou ho Corregedor que com muita deligencia fizessem acabar a dita demanda sem ficar audiencia que se não fallasse (?) della para com brevidade se acabar sob pena de se lhe dar em culpa asi aos presentes como aos Vreadores e Procurador que ora ãode vir de Janeiro por diante, e que outrosi mandava que fizesem dar fim ao dito feito que corre sobre a cadea em seu tempo he se ouvesese sentença final sobre o caso sob pena de outrosi; lhe ser dado em culpa e se livrarem diso; e mandou ao escrivão da Camara que ho noteficase aos Vreadores do anno que vem, este provimento, e faça termo diso para que não ho cumprimdo se lhe dar em culpa.

10.o-Mandou que a casa da audiencia fose muito emmadreada e lageada quer de tijolo quer de lages de pedra asi por rezão da cadea ficar mais forte, que está debaixo della, como por rezão do mão chei ro que vem debaixo por estar muito rota, e tem muita nesesidade de ser consertada.

14. Mandou que a sede em que os julgadores fazem as audiencias se fizese muito bem feita e de maneira que ficase serrado com sua mesa por estar asi muito apertado e ficavão os julgadores com hos pes (?) descubertos e a mesa não estava por boa ordem.

12.° Lhe pergumtou o Corregedor aos ditos officiais se avia alguns bens do concelho que algumas pessoas poderosas tivesem tomados a esta Camara ou se corião algumas demandas sobre iso, diserão que não avia outra duvida sómente huma parede que André Botelho tinha levantada na Rua do Perum a qual avia de tornar a deribar, como pasasem vimte he trez dias do mez de Dezembro em que estamos, por que por tempo de seis mezes se lhe deu licença que a tivese por respeitos que para iso avia, mandou o Corregedor que pasado ho dito termo se deribase a parede e se tornase ao estado em que damtes estava sob pena de se lhe dar em culpa e se livrarem diso.

13. Diserão que corião demanda com hos sargentos sobre certo dinheiros que devião a esta Camara por sentença que já avia: mandou o Corregedor que sob pena de ho pagarem de sua casa elles e hos Vereadores futuros que vierem, ponhão em arecadação ho que deverem hos ditos sargentos, ho que farão com muita brevidade.

14.- Mandou o Corregedor que com muita brevidade mandasem elles Vreadores ou os Vreadores futuros trazer um sino para se pôr na Camara desta cidade para ajuntamento do povo e se tanger o sino de corer e fose, de boa grandura que se podese ouvir na cidade por aver delle muita nesesidade.

15.-Mandou ho Corregedor que se comsertase ho cais desta cidade a custa da imposisão por estar em muitas partes daneficado e

para cair, e se caise de todo seria muito custo para a Camara.

E por esta maneira ouve ho Corregedor por acabada por ora e feita esta coreição que mandou aos Vreadores que ora são e ao diante forem e procuradores que a cumprisem como nella se contem sob pena de dez cruzados a cada hum de sua fazenda e de se livrarem e the ser dado em culpa como atraz vai declarado e mandou ao escrivão da Camara que ho noteficase aos Vreadores e Procuradores do Concelho do anno que vem nas primeiras vreaçõis que fizerem e delle faça termo de como lho notefica sob pena de suspençam de seu officio. E asinaram com ho Corregedor, Álvaro Pires o escrevi. Soares-Silveira (?)Sebastião Pimintel-Amador da Costa-Luiz d Olfus Burmam Nuno Alvares--Barcelos Melchior Gonçalves - Francisco Fernandes.

A qual coreição eu Alvaro Pires Ramires (?) escrivão da coreição trelladei dos proprios autos neste livro e este trellado consertei com ho escrivão abaixo asinado na Ponta Delgada a vinte e tres dias de fevereiro de mil quinhentos oitenta e cimco (1585) annos. Consertado Alvaro Pires. (Dito Liv. 3.o da Camara de P. Delgada, f. 173.)

Correição do Corregedor Christovão Soares d'Albergaria em Ponta Delgada, no anno de 1585.

Aos trinta dias do mez de dezembro de mil he quinhentos e oitenta e cinco anos em a cidade da Ponta Delgada, Ilha de São Miguel nas casas da Camara dela estando presente o S.' doutor Christovão Soares d'Albergaria do desembarguo delrei noso S. e seu Corregedor com alçada na comarca destas Ilhas dos Açores, e bem asi Bertolameu Nogeira he Roque Gonçalves Cayado e o escrivão da Camara Antonio Botelho e os procuradores dos mesteres Manoel Delogarde e Manoel de Barcelos, he provendo por correição mandou ele Sr. Corregedor que o que estava provido por correições pasadas se acabase. de concluir. E por coanto avia duvida antre os oficiais da Camara e o S." Conde sobre a eleição que ele fez os dias pasados, dos oficiais desta Camara que amde servir os tres anos vindouros, he huns e outros tinhão escrito a elrei sobre o caso, he enviado per procurador (?) a hum omem ao requerer, tendo respeito a esta causa estar já devolutá a Sua Magestade de quem se devia esperar resposta e a quietação da terra, e a se entender que se não podia tomar outra resolução neste caso de que não rezultasse enconvenientes e disençõis contra o serviso de Sua Magestade asentou com o Conde que sobreestivesse na abertura do pelouro até vir reposta do dito Snr. Pelo que asi o mandava he provia per correição que se comprisse e que os Vreadores Procuradores do Conselho e tesoureiroo fossem continuando com os

sens cargos até vir reposta de Sua Magestade, por quamto asi o avia por seu serviso. E se asinou com os ditos vreadores. Gaspar Fernan des escrivão da correição o escrevi-Christovão Soares Roque Gonçalves Cayado, Nogueira. (Dito Liv. 3.o da Cam. de P. Delgada, f. 175)

Carta do Corregedor, á Camara de P. Delgada, sobre trigo. 13 d’Agosto de 1589.

Já Vosas M.es tem sabido como Sna Magestade mandou prover a gente de guerra que pestas Ilhas reside e que se tome o trigo que ouver myster por junto para se escuzar a opresão que o povo pode receber de andarem de ordinario a tomar trigo, e por que ho prezente ano tem nesecidade de mais trigo para esta provisão pola gente que de novo veio parece que será imposivel poderse prover. sem desa Itha vir alguma copia de trigo. V. M.es por serviço de S. M.de mandem tomar e embargar todo o trigo que em sua jurdição ouver de auzentes para delle se tomar a copia que faltar do que cá se poder ajuntar para este efeito, de que avisarei a V. M.es com a brevidade possivel è em quanto se não faz este provimento, não deixem V. M. carregar nenbum trigo para fóra destas Ilhas, e esta podem mandar ás mais Camaras para que entendam que he neseçario comprir o que Sua Magestade manda em quanto não ha tempo de avizar a todas, e basta advertir a Vossas M.es e mandalo Sua Mag.de noso snr. Em Angra a 13 de Agosto de 89. Servidor de Vossas M.es

XPOVÃO (Christovão) SOARES D'ALBERGARIA. (Sobrescripto) Aos muito Illustres Srs. Juiz e Vreadores e procuradoro da cidade da P. Delgada da 1. de S. Miguel. Serviço de S. M.de.

Resposta da Camara de Ponta Delgada, á carta antecedente, em 19 de Agosto de 1589.

Vimos a Carta de V. Mercê sobre o trigo, de que diz terão nesecidade os soldados, a qual mandamos logo á Ribeira Grande para dahi mandarem ás mais villas, o que pedimos e requeremos a vosa mercê e que se resolva em nos avizar na primeira embarqação do trigo de que essa Ilha tem nesecidade, e mande ordens para se receber em satisfação das partes. por que o que entendemos segundo a boa novidade de que Noso Senhor nos fez mercê este ano, desta Ilha se poderá prover esa do que tiver nesecidade, desta cidade e das mais villas avendo ordem de paga a seus donos pelo que V. M. deve responder com brevidade e rezulução por que as partes requerem seus despachos de seu trigo e pedem estromentos com protestação de perdas e danos e intreces (?) nos quaes sendo eles providos V. M.ce nem esses senhores aventurão nada até nesta carta sobre o trigo sem lhe fazerem

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