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NOTAS

(1) Qual fosse a superioridade de D. Duarte, bem se póde conhecer da resposta que deu á instancia que junto d'elle fizera mestre Guedelha, seu physico e astrologo, no dia da sua coroação, para que adiasse esta ceremonia até ao meio dia, «porque Jupiter está retrogradado e o sol em descaimento»; ao que el-rei replicou que tal não faria, mostrando não acreditar em semelhantes abusões. Vid. Ruy de Pina, Chronica de D. Duarte, nos «Ineditos de historia portugueza», publicados pela Academia, vol. 1, pag. 76.

D. Duarte escreveu varias obras cuja lista está publicada no «Diccionario Bibliographico» do sr. Innocencio Francisco da Silva. Ácerca do alcance philosophico da sua obra de maior tomo, «O leal conselheiro» póde ver-se o livro do sr. J. J. Lopes Praça, «Historia da philosophia em Portugal, Coimbra, 1868, vol. I, pag. 38. O catalogo da sua livraria encontra-se em Sousa «Provas da historia genealogica», vol. I, pag. 544. Vid. o artigo do sr. Innocencio Francisco da Silva no «Panorama >> de 2 de outubro de 1854.

149.

(2) Vid. Fernam Lopes, Chronica de el-rei D. João 1. part. 1, cap.

(3) Ibid., part. I, cap. 73.

(4) Existe na livraria da Academia uma copia d'este livro com o seguinte titulo «Vertuoza Bemfeytoria» pelo infante D. Pedro, filho de el-rei D. João 1, mandada copiar do manuscripto na livraria da Cartuxa de Evora, por ordem do ex.mo sr. D. Antonio de S. José de Castro, bispo do Porto, patriarca eleito de Lisboa, governador do reino e socio

CONF.

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honorario da Academia real das sciencias de Lisboa.» A copia é em excellente calligraphia e está ricamente encadernada em carneira vermelha. Sobre a influencia litteraria d'este principe, diz o sr. Theophilo Braga no livro 1, сар. ш dos «Poetas palacianos», Porto, 1872, 1 vol. «que o infante D. Pedro e sua familia foram os que mais trabalharam para a nossa riqueza litteraria do seculo xv»; e accrescenta o sr. D. José Amador de los Rios, na sua importantissima obra «Historia critica de la litteratura española», vol. vii, pag. 71, «era el infante de Portugal, duque de Coimbra, uno de los hombres más illustrados de su tiempo». Correspondeu-se em verso com o celebre poeta castelhano Juan de Mena. Os versos do infante, a resposta tambem em verso de Mena, e a replica de D. Pedro encontram-se no «Cancioneiro» de Rezende, fol. 72 (pag. 70 do 1 vol. da ed. do dr. Kausler, Stuttgart, 1848). No mesmo «Cancioneiro» e em seguida a esta correspondencia, estão mais versos do duque de Coimbra, e entre elles as celebradas coplas em hespanhol «De contempto del mundo». Foi filho do infante, outro D. Pedro, que tendo sido condestavel de Portugal e governador do mestrado d'Aviz, perdeu estes importantes cargos depois da batalha de Alfarrobeira, recolhendo-se a Castella. Passados annos foi restituido ás mesmas dignidades, e achava-se em Ceuta em 1463, no exercito portuguez, quando uma deputação de catalães lhe veiu offerecer a corôa de Aragão, depois da morte de D. Carlos de Viana. D. Pedro partiu para Barcelona e chegou a intitular-se rei de Aragão. Vencido pelo principe D. Fernando, morreu obscuramente em 1466, com 35 annos de edade (Amador de los Rios, cit., pag. 82). Foi a este D. Pedro que o marquez de Santil-13 lana, D. Inigo Lopez de Mendoça, dirigiu a celebre carta que tão aproveitada é pelos historiadores da litteratura hespanhola, desde que foi publicada por Thomaz Antonio Sanchez «Colleccion de poesias castellanas anteriores al siglo xv», Madrid, 1779, no vol. 1, pag. XLIX. Esta carta acha-se reproduzida na edição das obras do marquez de Santillana feita por Amador de los Rios, pag. 1. A este respeito consulte-se a mesma obra, pag. LXXXIX e a anteriormente citada do mesmo auctor, vol. I, pag. LV, e vol. vi, pag. 126.

Ácerca do infante D. Pedro e sua familia póde tambem ver-se: «Conselho e voto da senhora D. Filipa, filha do infante D. Pedro, sobre as terçarias e guerras com Castella, com huma breve noticia d'esta princeza, pelo dr. fr. Francisco Brandão», Lisboa, 1643, a pag. 15.

Cabe aqui dizer que depois de Alfarrobeira, quando D. Pedro foi, como hoje diriamos, demittido do cargo de governador do mestrado de Aviz, el-rei D. Affonso v nomeou para esta alta dignidade o nosso

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D. Henrique, seu tio, já governador da ordem de Christo («Arch. Nac. da Torre do Tombo», Misticos, liv. m, fol. 121). Ruy de Pina diz-nos, porém, que o papa «nunca lh'o (o mestrado de Aviz) quiz confirmar, dizendo que se nom podia confiscar, nem elle o perder como as outras cousas seculares» («Chronica de D. Affonso v», cap. cxxxvII: nos «Ineditos da historia portugueza», vol. 1, pag. 456).

(5) O titulo da obra de Gomes de Santo Estevam é «Livro do infante D. Pedro». Esta brevissima e falsissima narração da celebre viagem do infante é um pequeno folheto que foi muitas vezes reimpresso. O sr. Theophilo Braga reputa o livro de origem hespanhola («Poet. Palac.» pag. 112); da mesma opinião parece ser o erudito Innocencio Francisco da Silva no seu «Diccionario Bibliographico» (verbo Gomes de Santo Estevam). Ás razões apontadas por este profundo investigador, posso accrescentar que bem parece denunciar a origem hespanhola do livro, a resposta constante que o infante e os seus companheiros dão, quando os interrogam sobre a sua nacionalidade. Por certo que se não diria subdito de el-rei de Leão um filho de D. João 1. A narrativa em si mesma é indigesta e desengraçada, e sem algum valor litterario. Tem patranhas no genero d'estas: na Arabia existe um rio que em vez de agua tem pedras, as quaes correm quando as impelle o vento; dos treze porteiros que se encontram até chegar ao throno do preste João, doze são bispos e um é arcebispo.

Ácerca da lenda do infante D. Pedro, vid. o já citado vol. do sr. Theophilo Braga, e o «Cancioneiro e romanceiro geral», do mesmo auctor. Porto, 1867, 2 vol., no vol. 1, pag. 194 e nota.

(6) Fr. João Alvares. «Chronica dos feytos, vida e morte do infante Santo D. Fernando, emendada por fr. Jeronymo de Ramos». Teve varias edições, como se pode ver no «Diccionario Bibliographico» de Innocencio Francisco da Silva, verbis João Alvares e Jeronymo de Ra

mos.

(7) Fr. João Alvares, cap. xxxvIII. É admiravel o pranto que sobre o cadaver do infante soltaram os seus companheiros, como nol-o refere este escriptor. Começa assim: «Partio-se de nós quem tinhamos em logar de Senhor e Pay, o qual quebrou nossa fortaleza e desfez nossa deleytosa companhia. Alongado é de nós, o nosso sobejamente querido; não se poderão achar homens a nós semelhantes, etc.

(8) «Lusiadas», canto iv, est. 52.

(9) Fr. Thomé de Jesus, «Trabalhos de Jesus», trabalho v.

(10) «Saudades da terra», cap. I.

(11) Barros, «Decada 1», liv. 1, cap. 1.

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