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tros per tenças, outros per officios, outros viverão comiguo e nom merecerão o que lhe tenho dado, porem eu mando ao meu testamenteiro que esguarde bem todo. E se vir que em serviço dalgu sou encarregado que o contente segundo sua boa discricom.

Item por que podera ser que em minha vida eu satisfarey as dividas e creados, e leixarei pera minha sepultura que abaste, assi que el Rey meu săr em ello nom tenha que fazer, eu o leixo porem per herdeiro, segundo em cima faço mençom, por elle ter encarrego de mandar comprir minhas capellanias, e lhe peço por merce que assi mande a seus soccessores Reys destes Reinos, que por sua bençom assi o mande comprir, e eu assi lho peço por amor de deos, e por merce. E por que esta é minha vontade, mando que esta tenha e valha. E por certidoes dello o fiz per minha mão, e o mandei sellar co o sello de meu camafeu, e com o sinete de minhas armas, e com o outro sello grande assi de minhas armas. feito na villa do Iffante a vinte e oito dias de outubro. Era de mil quatrocētos e sesenta. E o assinei de sinal de minha mão.

E em pero que outros condecilhos ou testamentos tenha feitos, mando que no valhão é que este valha e tenha.

E as capellanias que mando cantar, vão postas ẽ hu escripto que vaj coseito em este meu testamento. Do qual escripto o theor de verbo a verbo he este que se segue.

Em nome de Deos Amen. Esta he a manda e testamento publico e aberto que o Iffante dom Anrrique fez e mandou em prezença de my publico notairo e testimunhas adiante nomeadas. E dom frey fernando Vigairo geral da villa de Thomar ec. que o cozesse em seu testamento que per sua mão fizera segudo a verba que o dito sñor no dito testamento escreveo per sua mão. O qual testamento com esto que neste aberto mais éadeo, disse que havja per firme e rato e outros nenhus nõ, posto que parecessem, por que esta é sua postumeira vontade. E primeiramente mandou aqui poer hum titolo q tal he.

Estas som as egreias e capellas que eu o Iffante Dom Anrrique Regedor e governador da ordem da cavalaria de nosso sñor Jesu christo Duque de Viseu e sñor de Covilhaã, estabeleci e ordenei pera sempre em reverença e louvor de meu sñor Jesu christo e da virgem santa Maria sua madre minha senhora.

Item primeiramente estabeleci e ordenei a egreja de santa Maria dafrica situada na cidade de Cepta.

Item estabeleci e ordenei a igreja de santa Maria de Bethlem, situada em Restello termo da cidade de lixboa.

Item estabeleci e ordenei a igreja de santa Caterina, que estaa fora da villa do Iffante. E a capella de santa Maria, que estaa dentro em a dita villa.

Item estabeleci e ordenei a igreja de santa Maria da misericordia situada em a villa Dalcacer dafrica.

Item estabeleci e ordenei a principal igreja de santa Maria da Ilha da Madeira, e des hi em diante as outras que se hi ordenarom. Item estabeleci a igreja da ilha do Porto santo e a da Ilha De

serta.

Item ordenei e estabeleci a igreja de são Luis, na Ilha de são Luis, e a igreja de são Diniz na Ilha de são Diniz: e a igreja de são Jorge na ilha de são Jorge; e a igreja de são Thomaz na Ilha de são thomaz: e a igreja de santa Eiria na ilha de santa Eiria.

Item ordenei e estabeleci a igreja de Jesu christo na Ilha de Jesu christo: e outra igreja na ilha graciosa.

Item ordenei e estabeleci a igreja de são Miguel na ilha de são Miguel e a igreja de santa Maria na ilha de santa Maria.

Item ordenei e estabeleci per outorgamento do sancto padre Callixto terceiro toda a spiritualidade de Guinea ser outorgada aa ordem de christos. Polo qual eu emcomedo e mando a qualquer que fôr Vigairo ou prior ou capellão soldadado per a dita ordem em cada um egrejairo d'aquellas terras, que lhe praza cada somana ao sabado por sempre em minha vida e depois de minha morte dizer hua missa de santa Maria, e a comemoraçom seja de santo spirito, com seu responso e a oraçom seja fidelium Deus.

Item ordeno e mando que os freires do convento da minha villa de Thomar, ajão a renda das minhas boticas da feira da dita villa que fiz per autoridade del Rey meu sñor e padre que deos aja. E por a dita renda dirão em cada um anno cem missas por minha alma, levando a renda da dita feira a prata em respeito de ce missas resadas por cada marco de prata que em a dita renda mõtar, ora muito ora pouquo.

Item ordeno e mando q o lente da theologia da catedra da prima, aja em cada hum anno pera sempre doze marcos de prata, por a primeira renda dos dizimos que a ordem de christos ha na Ilha da Madeira, pello qual fara o principio no estudo, e dira certas missas e pregações segundo faz declaraçom na carta minha que lhe delo leixo. E esto em renenbrança da doaçom que lhe fiz das casas em que estaa o dito estudo.

Item ordeno e mando a see de Viseu aja a renda da feira que eu mandei fazer dentro na cerca que estaa junto com a dita cidade, cõ

condicom o cabido a made arrecadar, e dee seis onças de prata a um capellão, que diga todelos sabados do anno hua missa resada de santa Maria em minha vida e depois de minha morte segundo se contem na carta que lhe dello leixo.

Item estabeleço e mando que o moesteiro de santa Maria da victoria aja pera sempre em cada hum anno xvi marcos de prata em prata. Os quaes avera pollas rendas das terras de Tarouca e de Valdigem. E esto por diserem por minha alma assim em minha vida como depois de minha morte trez missas cada hum dia no altar de minha capella que estaa na capella Del Rey dom Johão meu sñor e padre q deos aja, segundo he conteudo na carta minha que lhe dello leixo.

E por se todos estes beneficios e missas dizerem por minha alma como per my he ordenado, eu escolhi por provedor dello sentindo que o faria bem e como compre por meu serviço e bem de minha alma, frei Antão Glz. meu escrivão de puridade, Alcaide moor do castello de Thomar e assi aos seus successores. Aos quaes eu ordeno que ajam por seu trabalho pella vintena da spiritualidade de Guinea, sete marcos de prata, segundo se contem na carta minha que lhe dello leixo. E ordeno per minha carta que leixo aos Mestres, Regedores e governadores da ordem de christos que depois de my forem que constrãjão o dito provedor e seus successores, que fação comprir esto que por my he ordenado. E se negligentes forem a esto proverem, que os tirem e enlejão outros que sentirem que o fação bem e assi como compre por salvaçom de minha alma, segundo he conteudo na carta minha que dello leixo ao Mestre ou mestres, Regedores e governadores.

Item ordeno e mando que todelos meus officiaes de minha casa e assi todelos meus Almoxarifes e outras pessoas que minhas rendas, dinheiros, e outras coisas receberão, no embargante que me no tenhão dadas suas contas, a my praz principalmente pollo amor de Deos e por salvaçom de minha alma avelos por quites e livres de todo o que assi por my receberão e despenderão, a elles e seus bes e herdeiros. E mando a fernão salgado meu escrivão da camara e publico notairo per minha autoridade em minha caza e em todas minhas terras, que lhe dee assi dello senhos estromentos de quitaçom, assinados do seu publico sinal, os quaes eu ei por bõs firmes e valiosos pera todo sempre. E peço per merce a el-Rey meu sñor e ao sñor Iffante meu muito prezado e amado filho, e assi rogo e encomendo aos Mestres, Regedores, e governadores da ordem de christos que depois de my hi forem que lhe no vão contra as ditas quitações em parte ne em todo. Ante lhas guardem e fação comprir e guardar, por quãto a my praz e he minha merce sem em

bargo de todo, realmente os dar por quites e livres como dito he, e lhes fazer merce, por o muito serviço que d'elles recebi.

E porem peço por merce a el-Rey meu sñor e ao sñor Iffante meu muito prezado e amado filho, e encomedo mando e rogo aos Mestres, Regedores e governadores da ordem de christos que depois de my forem e comedadores da dita ordem, que cumprão e fação comprir, pagar, e guardar estas minhas quitações per my ordenadas e cantar e dizer as ditas missas como asuso faz mēçom, e esto per as vintenas das minhas ilhas, e de Guinea, e rendas de terras, igrejas, e comendas segundo muj cōpridamente he conteudo nas cartas minhas que de todo leixo feitas. E fação todo assi comprir e guardar realmente e com effecto por minha alma como elles desejão que Deos ordenasse que fizessem pollas suas pellos bēs e acrecentamentos delles, e doutras rendas que leixo e fiz pera a ordem de christos. feito na villa do Iffante x dias do mes de Outubro da era do nacimento de Nosso sñor Jesu christo de mil CCCCLX annos. Testemunhas Dom frey fernando vigairo geral da villa de Thomar, e das Ilhas ec. e o Mestre em theologia frey Johão miz q foy confessor do dito Iffante em esta sua postumeira fim, e dom fernando deeça, e Martim Correa guarda moor do dito sōr e do seu conselho, e frey Pedro añs çaquiteiro moor, e diogo dalmeida cavaleiro de sua caza, e Johão gorizo. E eu fernão salgado, escrivão da camara do Iffante dom Anrique meu sñor e publico notairo per sua autoridade em sua casa e em todelas suas terras que esto per mandado do dito sñor escrevi, e em elle meu sinal fiz que tal he».

(Extrahido da collecção cit. de Pedro Alvares, mss. da Bib. Nac. vol. 3. f. 42 v.o e seguintes. Encontra-se tambem um traslado d'este documento n'um livro da Torre do Tombo, escripto em pergaminho com lettra do começo do sec. xvi, e contendo, além do testamento, varias cartas relativas à espiritualidade de Guiné. Não tem numero e ignora-se a sua proveniencia).

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Advertencia

A muita rapidez com que esta conferencia foi escripta e impressa, não deu tempo a que se verificassem miudamente as transcripções dos documentos citados, no que respeita á orthographia e pontuação.

Para alguma falta que haja n'este particular, e para as muitas outras que receio se encontrem no texto e nas notas, peço e espero a benevolencia do leitor.

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