Epopeia e antiepopeia de Virgílio a Manuel Alegre

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Imprensa da Universidade de Coimbra / Coimbra University Press, 01/12/2008 - 154 páginas
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Virgílio legou à literatura portuguesa uma formulação angustiante por meio da qual o rosto mais visível da epopeia nacional, Luís de Camões, e muitos dos escritores que se lhe seguiram, expressaram, em simultâneo, dois modos de ver e de entender Portugal e a sua história. Incluindo uma deambulação pelo poema narrativo Camões, de Almeida Garrett, pela poesia de Cesário Verde e pela «epopeia mínima» que é a Mensagem de Fernando Pessoa, a fim de verificar a paradoxal convivência entre epopeia e antiepopeia (expressão do claro-escuro que simbolicamente resume a gesta marítima portuguesa), este estudo centra-se na obra poética de Manuel Alegre, autor assumidamente antiépico. Na sua poesia, o tom confiante que gera a poesia épica desaparece, aparentemente, para dar lugar à crítica desalentada e ao lamento pelo devir histórico; a idealidade do mundo de aventura e fascínio da epopeia – liminarmente recusada pelo poeta – volve-se, ora no horror interminável da guerra colonial, reedição de Alcácer Quibir, ora na epopeia triste nas terras de exílio e de emigração, ora ainda na domesticidade «insuportável» do quotidiano lusíada. E «o resto é um morrer de pequenez». Não surpreende, pois, que este poeta, deslocando-se para o pólo oposto ao da poesia épica, numa estratégia de claro distanciamento, cante «perdas lágrimas danos»; que a tuba sonorosa reverta – «Com que pena» –, em «lira já cansada e enrouquecida», em sinal de um país que «Não Há». Convivendo com o Portugal sombrio e disfórico, sem império nem imperialismos, cabisbaixo e imóvel, de candeias às avessas com a ideia de descoberta e consigo mesmo, a poesia alegriana esconde, porém, na sua faceta retórico-estilística, de feição marcadamente epopeica, nos seus símbolos e mitos (onde D. Sebastião é, sem dúvida, o eterno herói), na sua semântica luminosa, nos decassílabos, que sustentam o tom, por vezes, grandioso, na sua lucidez combativa, nas figuras compensadoras do sonho e da imaginação, um outro Portugal: o Portugal da descoberta e da Conquista, associado à figura mítica de Camões, presença tutelar que se respira nos seus versos. Situado embora no extremo oposto da poesia épica, Manuel Alegre é, afinal, outro rosto menos visível da epopeia lusíada, ou antes, da mais recente epopeia lusíada, próxima da vida, da morte – do humano.

 

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Índice

Prefácio
caPÍtulo 1
caPÍtulo 3
caPÍtulo 4
caPÍtulo 5
conclusões 139
bibliografia 145
Direitos de autor

Palavras e frases frequentes

Acerca do autor (2008)

Teresa Carvalho é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas - Estudos Portugueses, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1997) e mestre, com a tese que aqui publica (2006). Como domínios de investigação, tem privilegiado a Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea, de matriz clássica, e a Literatura na sua relação com as Artes. Investigadora do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, da mesma Faculdade, tem vários artigos publicados em revistas da especialidade e prepara atualmente o doutoramento na especialidade de Poética e Hermenêutica.


She holds a Bachelor’s degree (1997) and a Master’s degree (2006) in Modern Languages and Literatures, specialising in Portuguese Studies from the Faculty of Letters of the University of Coimbra, having published her thesis upon its completion. Her research has given preference to areas such as: modern and contemporary Portuguese literature and the relationship between Literature and Arts. She is a researcher at the Centre for Classic Studies at the Faculty of Letters of the University of Coimbra. She has published several articles in academic journals and is currently completing a Doctorate in Poetics and Hermeneutics.

Informação bibliográfica