Imagens das páginas
PDF
ePub

tado branco de chloreto de prata e de um precipitado ver melho de chromato de prata; este ultimo, porém, reagindo immediatamente sobre os chloretos ainda existentes no liquido, transforma-se- por ser essa reacção mais exothermica. em chloreto de prata, regenerando-se o chromato alcalino. As equações a, b e c indicam estes phenomenos:

a) NaCl+AgAzO3 — AgCl + AzO3Na

Chloreto Nitrato de Chloreto

[blocks in formation]

Nitrato de

sodio.

[blocks in formation]

Este cyclo vae-se repetindo até que todos os chloretos da agua sejam precipitados. Naquelle momento, o chromato de prata não encontrando já o chloreto soluvel para fazer a dupla decomposição, mantem-se livre no liquido e córa a massa em alaranjado, em virtude da reacção b.

Na pratica opéra-se com um volume conhecido de agua, juntando-lhe 3 a 4 gottas de chromato potassico, a 10%, e faz-se cair lentamente o soluto centesinormal de nitrato de prata contido numa galheta de Mohr.

Notam-se o numero de centimetros cubicos de nitrato (que se gastaram); este numero multiplicado por omilligr.,354 dá quantidade de chloro que existia no volume de agua submettida á dosagem.

Os volumes de agua que empregámos, variaram conforme a riqueza em chloretos; assim, para as aguas do Mondego, canalisadas ou não, foi necessario reduzir pela evaporação o volume da agua a um quarto do volume primitivo.

Na maior parte dos casos fez-se o ensaio directamente com 100o da agua, succedendo com as dos poços, muito ricas em chloretos, só empregar 10o.

Sob o ponto de vista dos chloretos classificam os hygienistas as aguas do seguinte modo:

[merged small][merged small][merged small][ocr errors][ocr errors][merged small][merged small][merged small][ocr errors][merged small][merged small][merged small][ocr errors][ocr errors][ocr errors][merged small]

Examinando os resultados dos nossos ensaios, consignados no quadro n.o 3, notamos o seguinte: A quantidade menor de chloro apparece-nos nas aguas do Mondego (7 a 12 milligr.), oscillando na maioria das aguas das fontes entre 16 e 40 milligr. Depois destas, encontrámos aguas muito chloretadas — a da Fonte Nova, Jardim da Manga e todas as dos Poços (150 a 600 milligr.).

IV. ACIDO SULFURICO COMBINADO

Para determinar o acido sulfurico combinado (sulfatos) que as aguas encerram, depois de varias experiencias, resolvemos empregar o classico processo ponderal que consiste, como é sabido, na precipitação dos sulfatos pelo chloreto de baryo, em solução ligeiramente acidulada pelo acido chlorhydrico; filtra-se, lava-se e calcina-se o sulfato de baryo obtido, cujo peso, multiplicado pelo coefficiente 0,3433, representa o peso do anhydrido sulfurico (SO3).

Na maioria dos casos concentramos a agua antes de a precipitar pelo sal de baryo.

Experimentámos tambem o processo volumetrico de Wildenstein, baseado na precipitação dos sulfatos pelo chloreto de baryo titulado, avaliando o excesso d'este ultimo por meio de um soluto equivalente de chromato de potassio; a sensibilidade d'este processo, sufficiente para as determinações industriaes, não dá garantia de exactidão nas analyses das aguas, isto é, cada vez que se trate de determinar quantidades relativamente pequenas de sulfatos.

No quadro que segue estam indicados os limites em que deve variar o acido sulfurico (SO3) nas aguas:

[merged small][ocr errors][merged small][ocr errors][merged small][ocr errors][merged small]

Em harmonia com o que precede, se consultarmos o quadro n.o 4, resumo das nossas experiencias, notaremos o seguinte: que a maior parte das aguas tem quantidade de SO3 inferior a 30 milligr., encontrando-se, porém, algumas em que esta quantidade chega a attingir quasi 145 milligr. (Jardim da Manga, Fonte Nova, Poços, etc.).

(Continúa). CHARLES LEPIERRE e VICENTE JOSÉ DE SEIÇA.

TECIDOS LÍQUIDOS DOS ANIMAES

(Cont. do vol. XLIV, n.o 10, pag. 604)

VACCINA ANTITOXINAS

A acção dos virus introduzidos no organismo é hoje bem conhecida; uns produzem os seus effeitos pela actividade dos próprios micróbios, outros pela propagação de granulações ou plastídulos organizados, mas sem fórma definida; entre estes contam-se os da raiva e o da syphilis.

Estes virus, introduzidos em certos organismos, desenvolvem-se e espalham por todo o corpo as suas toxinas, ou, como acontece com os da diphteria e do tétano, diffundem as suas secreções na ferida por onde é absorvido o veneno, sem que contudo os micróbios penetrem na profundidade dos tecidos. Os productos tóxicos formados pelos organismos virulentos provocam desordens nutritivas, vasomotoras, caloríficas e paralyticas, que succedendo-se e accumulando-se podem produzir a morte.

Deve-se a Pasteur a descoberta da attenuação destes virus, quer se introduzam no corpo de certos animaes, quer pelo aquecimento moderado, por oxydações parciaes, etc. Os méthodos de attenuação teem augmentado ultimamente, pela cultura do virus em meios antisépticos, pela exposição á luz, pela dissolução, diályse e ultimamente, segundo as experiéncias de d'Arsonval e Charrin, pela exposição dos virus á acção das correntes eléctricas oscillatórias de grande frequéncia.

Um virus attenuado por qualquer destes processos póde ser introduzido no sangue ou nos tecidos cellulares de um animal, que, depois de uma reacção mais ou menos enérgica da parte do organismo, se restabelece com facilidade, ao passo que a innoculação de uma pequena quantidade de virus não attenuado lhe seria fatal.

Ao animal assim preparado pela primeira impressão do virus attenuado, póde depois injectar-se o mesmo virus menos

modificado, e, habituando assim pouco a pouco o organismo. á acção do agente mais virulento, póde fazer-se com que o animal absorva quantidades enormes de micróbios sem que por isso soffra o mais pequeno abalo.

O animal assim habituado diz-se vaccinado contra o virus. Do mesmo modo que se póde vaccinar um animal contra o virus, introduzindo no organismo micróbios attenuados ou pequenas porções de virus ordinário muito diluído, pode-se tambem vaccinar contra os venenos, pelo menos contra o veneno da víbora, como Phyralix e Bertrand o demonstráram.

O sangue, o sôro e até mesmo algumas secreções como o leite, urinas e lágrymas dos animaes refractários a um determinado virus, teem contra elle propriedades immunisantes. Behering e Kitasato demonstráram que a propriedade vaccinante reside no plasma e no sôro do sangue dos animaes, privados por filtração de todos os elementos figurados.

A substáncia vaccinal não se accumula no sangue; elimina-se pelas urinas, apesar do que o animal fica protegido contra o virus correspondente.

Demonstrou-se que o sangue, o plasma, o sôro, a lympha e as serosidades pleuraes ou pericárdicas dos animaes não vaccinados, teem a propriedade, mesmo quando isentos de elementos figurados, de produzir nos micróbios pathogénicos uma série de alterações que, impedindo estes organismos de se reproduzirem, acabam ás vezes por destruí-los. Esta propriedade, conhecida por poder bactericida dos humores, parece não ser a causa da resistència do vaccinado contra os virus, que artificialmente podem ser cultivados em presença daquelles líquidos.

Metchnikoff demonstrou tambem que, nos animaes vaccinados, os virus não só se não attenuam, mas até adquirem por vezes mais vitalidade.

Hoje demonstrou-se que os meios porque o organismo se defende dos micróbios que o invadem sam de duas espécies: uma pela phagocytose, absorvendo e destruíndo os elementos nocivos; outra, pela producção de antitoxinas, secreções de algumas céllulas, principalmente de glóbulos brancos, de substancias capazes de, por assim dizer, equilibrarem a acção das toxinas produzidas pelos micro-organismos.

Do primeiro destes modos de defeza já démos uma ligeira ideia. Vejamos como se demonstra a existéncia do segundo. Inoculemos tres animaes da mesma espécie, não vaccinados, tam semelhantes quanto possivel, o primeiro com um virus muito activo, o segundo com uma cultura do mesmo virus

feita em presença do sôro de um animal da mesma espécie, e o terceiro com uma porção do virus do primeiro, mas introduzindo na ferida ao mesmo tempo algum sôro proveniente do sangue de um animal já vaccinado contra essa doença.

No primeiro a intoxicação desenvolve-se rapidamente, e ao fim de algum tempo veem-se os tecidos invadidos pelos mi

cróbios.

No segundo a invasão segue a mesma marcha, mas menos activamente, devido á modificação do virus na cultura.

Enfim no terceiro animal a doença não se desenvolve, em virtude de uma immunidade passiva momentanea, como lhe chamou Behring, que o animal adquire pela introducção do sôro vaccinado.

As substancias antitóxicas que se oppõem á invasão do organismo não podem provir dos micróbios quando em contacto com o sôro, porque nesse caso não seriam possiveis as culturas in vitro em presença desta substáncia; as antitoxinas formam-se somente nos orgãos do vaccinado.

Fizemos já notar que todos os organismos, mesmo os mais rudimentares, tendem, por uma espécie de reacção normal, a desembaraçar-se das substáncias e dos corpos extranhos que sam nocivos ao seu bem-estar. A producção das antitoxinas é, como Roger demonstrou, um phenómeno desta espécie, que póde ser provocado, não só pela acção dos micróbios ou dos seus productos, mas tambem por muitas outras causas, entre as quaes, como exemplos, citaremos, o hábito de fumar, e o de introduzir no organismo o ácido arsenioso e a morphina. As experiencias de Roux e Vaillard demonstram que a toxina e a antitoxina equilibram a sua acção recíproca, sem por isso a destruírem, podendo a toxina produzir os seus effeitos pela eliminação da antitoxina correspondente.

Vaccinando cobayas contra o tétano, por meio do sôro antitetánico, viu Roux que estes animaes supportam bem grandes dôres de toxina tetánica, que sem a vaccina lhe teriam sido fataes. Inoculando em alguns destes animaes outros micróbios taes como os da chólera, bacterium coli, o b. prodigiosus, etc., capazes de diminuir a sua resistència ou as suas reacções vitaes, veem-se as cobayas morrer com o tétano. Análoga demonstração se póde fazer com os animaes immunisados contra o veneno das serpentes. Com effeito a mistura, em proporções convenientes, do sôro anti-venenoso e do veneno é inoffensiva e, sem que contudo o agente tóxico se tenha modificado, porque, aquecendo até 70° esta mistura, elle readquire todas as suas propriedades; o que se explica,

« AnteriorContinuar »