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lhe aujã medo, posto q a viração lhes seruia a popa não se chegarão muylo : & ao outro dia querendo Pedraluarez chegar a eles cỏ ho terrenho q ventaua achou q a nao de Sãcho de thoar estaua muyto afastada dele por descair ağla noyte, & como ela era a pricipal da coserua & ģ leuaua mais gěte despois da sua , coselharàlhe os outros capitães q nã pelejasse së ela porğ eles leuauã muy pouca gête & essa doète. E vềdo Pedraluarez ģ nã podia pelejar cỏ os imigos & que ho vento lhe seruia a sua viagem pera que estaua prestes, não quis tornar a Cochim & fezse na volta do mar pera ir a Cananor tomar algủa canela que lhe falecia pera acabar de carregar, & assi se partio leuando os arrefeus del rey de Cochim & deixando em terra Gonçalo gil barbosa & os outros. E os immigos vendo que se ya mostrarão que querjão pelejar coele & ho seguirão ate noyte, & aos quinze de Janeyro de mil & quinhělos & hum foy surgir no porto de Cananor, que he hùa cidade na costa do Malabar trinta & hüa legoa de Calicut da banda do norte : tem hữa baya muyto boa que lhe faz ho porto muy seguro, a terra he viçosa & fresca, & de muy to boas agoas, & de poucos mantimètos, saluo de pescado de que ha grande soma. Tem pimenta em abastança, muyto gingibre, gråde multidão de tamarindos, mirabolanos, canafistola & cardamomo que sam mercadorias que se gastão bem : ha nela grandes tanques dagoa en que se crião lagartos como os de sam Thome, & comem homens, ho seu bafo cheira como algalia : nos matos ha cobras tão peçonhentas que matão com ho bafo, & outras não tão peçonhềtas mas muyto grandes , & ha morcegos tamanhos como minhotos que tem ho focinho como raposa , & sabem tambem que os gètios dão galinhas por eles. A cidade de Capanor he como a de Calicut.., saluo que não he tamanha, he povoada de gentios & de mouros estrangeiros. Seu rey he genuio, goarda os costumes do de Calicut, não he tão poderoso de gente nem senhor de tanta terra, nem tê tanta renda. Neste porto

The man

tomou Pedraluarez cabral quatrocentos quintais de canela, & por lhe el rey mandar mais & ele a nå querer por não ter necessidade dela, cuyiluu el rey que seria por não ter dinheiro pera a comprar, & q Tho tomarião todo quando fora a treição de Calicut: & como desejaua muylo a amizade del Rey de Portugal, & que mandasse carregar em sua cidade, mandou dizer a Pedraluarez, que se deixava de tomar a canela

que daua por falta de dinheiro ou de mercadorias, que ele Jha fiaria ate tornar aa India. O que lhe Pedraluarez mådou agardecer & dizer a causa porque não tomaua a canela, & mostrou ao messegeiro muyto dinheiro que ainda tinha pera a comprar se teuera necessidade. E el rey polo desejo que tinha da amizade cổ el Rey de Portugal, mandoulhe hum embaixador com Pedraluarez cabral, que dali escreueo a el rey de Cochim desculpandose de se partir sem lhe falar, & de lhe leuar os seus arrefès, encomendandolhe muylo os Portugueses que ficauảo em Cochim , a que escreueo tambem. E os arrefens escreuerão a el rey que folgauão muylo de it a Portugal, & que Pedraluarez lhes fazia boa companhia. E cô tudo el rey ficou muyto agrauado de Pedraluarez por se ir sem lhe falar & leuarlhe os arrefens, &'dizia que ho enganara, porem tratou sempre Gonçalo gil & os outros muyto bem.

CAPITOLO XLII.

Do que aconteceo a Pedraluarez cabral tornando pera

Portugal. Deste

este porto de Cananor, se partio Pedraluarez cabral pera Portugal, & ho derradeyro dia de laneyro tomou nağle golfão hứa grande nao de mouros carregada de mercadoria que deixou ir sem bolir nela por saber que era del rey de Cambaya & assi lho mandou dizer, porque sua ida aquelas partes não era pera fazer guerra co

mo dizião os mouros de Meca se não pera fazer amizades & tratar, & se fizera guerra a el rey de Calicut fora pola treição ğ The fizerão os mouros de Meca por seu cosentimento. E estes comprimentos fazia Pedraluarez porque não esquiuassem na India os Portugueses : & despois disto deu a nao de Sancho de thoar em hü baixo por má vigia & perdeose, & escorrendo Pedraluarez Melinde foy ter a Moçambiờ, donde mandou Sancho de thoar em hủa nao das da armada a descobrir a ilha de çofala, mandandolhe que descuberta se fosse pera Portugal, pera onde se ele partio despois de dar pendor ás naos, & ate ho cabo de boa Esperança correo muytas tormentas com que se apartou de sua conserua hìa nao que nunca a mais vio em toda a viagem, & passados muytos & grandes perigos dobrou ho cabo a vinte dous de Mayo. E continuando daqui sua navegação foy aferrar ho cabo verde, onde achou Diogo diaz hum dos capitães que partio coele de Portugal que se apartou dele com a tormenta com que çoçobrarão as quatro naos, & este lhe contou como por erro do seu piloto se metera no mar roxo, & hi andou muyto perdido , & perdera ho batel, & the morrera muyta gête. E não se atreuendo ho seu piloto ao leuar aa India, se tornou pera Portugal, & no caminho lhe morrera tanta gente de fome & de sede que lhe não ficarão viuas mais de sele pessoas que auia muytos dias que milagrosamente mareauão a nao, & a trouuerão ali com ajuda de nosso senhor, porque doutra maneyra não podera ser,

& daqui se partio pera Portugal, & chegou a Lisboa ho derradeiro de luTho de mil & quinhentos & hum & foy recebido com grande solènidade. E el Rey dom Manuel lhe fez muyta honrra , & despois chegou Sancho de thoar que descobrio cofala , de cujo sitio direy a diãte: & coesta derradeyra nao tornarão seys a Portugal de doze que forão na armada de Pedraluarez cabral, & as seys se perderão.

CA P I T O L O XLIII.

De como foy por capitão moor da segunda armada da

India loão da noua. Antes

es de Pedraluarez cabral tornar de Calicut, não sabêdo ainda el Rey dõ Manuel nada do que lhe acontecera,

& cuydando que tudo estaua assentado mandou quatro naos as mais delas de armadores que mandauão fazenda, & deu a capitania mór delas a hum loão da noua alcayde pequeno da cidade de Lisboa homem es. forçado. E dandolhe ho regimento do que auia de fazer, se partio de Lisboa coesta armada de quatro naos, de que a fora ele forão capitães Frăcisco de nouais, Diogo barbosa & outro, & bião nelas oytenta homens com a gěte do mar, porque como el rey cuydaua ở tudo na India estaua em paz não quis mandar mais gente. E partido loão da noua de Lisboa sem lhe acontecer cousa que seja de contar foy ter a agoada de sam Bras, onde se achou em terra hů çapato dependurado em hũa aruore cô hìa carta dentro que dizia que passara por hi Pero dataide que fora com Pedraluarez cabral, & contaua ho que lhe acontecera em Calicut, Cochim & Cananor, porợ soubessem os capitães Portugueses que não auião dir a Calicut se nã a Cochi. E vềdo loão da noua esta carta nã quis por conselho dos outros capitães deixar Aluaro de Braga z çofala cô ho nauio q leuaua por lhe ficar muy pouca gente, & desta agoada foy ter a Qúiloa, onde soube de hů Portugues degradado que hi deixou Pedraluarez ho mesmo que

dizia na carta de Pero dataide , & outro tanto soube despois del rey de Melinde , a cujo porto foy ter. E tendo esļa noua por certa, atrauessou ho golfão & foy surgir em Angediua : & estando hi passarão sete naos de mouros de Cambaya que não ousarão de pelejar coele com medo de sua artelharia, & daqui se foy a Cananor, on

de vědose com el rey foy por ele certificado de todo o que acontecera a Pedraluarez em Calicut, & do mais que despois fez: el rey lhe offreceo carrega pera as naos que leuaua, que ele não quis tomar sem ir a Cochim & verse com Gonçalo gil que Pedraluarez cabral deixará por feytor, & logo se partio: & de caminho tomou por força hủa nao de mouros de Calicut & queymada chegou a Cochim, & Gonçalo gil barbosa ho foy ver ao mar, & lhe disse que el rey de Cochim ficara escandalizado de Pedraluarez cabral por lhe leuar os seus arrefens , porem que sempre tratara bě os Portugueses que la ficarão, & porğ os mouros lhe poserão hùa noyte fogo na casa onde pousauão os recolhera aos seus paços, & se de dia yão fora mådaua coeles Naires que os goardassem dos mouros que desejauão de os matar, & assi lhe disse que não tinha carrega despeciaria pera lhe dar, porque a mercadoria da feytoria não se vendia que estoruauào os mouros a venda, & tambem aconselhavão aos gentios que lhe não dessem nhừa pimenta se não a troco de dinheiro, por isso que não poderia carregar se ho nà leuaua. E porque loão da noua nen os outros capitães ho não leuauão se não mercadorias não se quis mais deter, & tornouse a Cananor pera ver se poderia hi tomar carrega a troco delas. E sabendo el rey como ele nã leuaua dinheiro, disselhe q por não tornarem as naos vazias de todo a Portugal ficaria por fiador de mil quintais de pimenta & de cincoenta de gingibre, & de quatrocentos & cincoenta de canela ate se vender a inercadoria que leuaua, com condição que a deixasse em Cananor cố hů feytor & hů escriuảo : & assi foy feyto, & mais deixou com ho feytor algüs Portugueses. E carregada esta especiaria que digo, aos quinze dias de Dezembro aparecerão ao mar oytenta paraós que passauão pera mõte Deli: & estes erão de hùa grande armada

rey de Calicut mandaua pera tomar loão da noua, & os que esta uão coele carregando em Cananor. O que el rey mandou dizer a loão da

noua,

&

porque

que el

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